NESTA EDIÇÃO.Alta do petróleo já está causando destruição de demanda, diz IEA
Governo anuncia decreto que vai obrigar distribuidoras a publicarem margens brutas para acesso à subvenção.
Itaipu mira tarifa menor e unificada para Brasil e Paraguai a partir de 2027.
Aneel notifica Enel SP a prestar esclarecimentos em processo que pode levar à recomendação de caducidade da concessão.
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Guerra causa destruição de demanda: setores mais afetados são petroquímica, aviação e GLP
A alta nos preços de petróleo devido à guerra no Oriente Médio já está causando destruição de demanda no mercado de combustíveis, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Apenas no segundo trimestre de 2026, a agência projeta queda de 1,5 milhão de barris no consumo global diário, a maior retração desde a pandemia.
- Os dados são do relatório mensal da agência, publicado na terça-feira (14/4).
- Ao todo, a estimativa é de que a média da demanda global encerre o ano em queda de 80 mil barris/dia, mas a IEA alerta que isso ainda depende do futuro do conflito entre EUA, Irã e Israel e que o cenário tem muitas incertezas.
- No mês passado, mesmo após o início da guerra, a IEA ainda projetava um aumento de 730 mil barris/dia no consumo global.
- O cenário é muito diferente do começo do ano, quando a expectativa era de uma sobreoferta de petróleo.
A redução no consumo tende a se espalhar caso a oferta não se recupere e os preços sigam altos, ressalta a IEA.
- Apenas em março, a oferta global caiu em 10,1 milhões de barris/dia devido aos ataques à infraestrutura no Oriente Médio e às dificuldades de exportação pelo Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.
- A retomada do fluxo pelo estreito continua como o fator mais importante para aliviar a pressão sobre o mercado.
Até o momento, os combustíveis com maior queda na demanda foram a nafta, o gás liquefeito de petróleo (GLP) e o combustível de aviação (QAV), sobretudo no Oriente Médio e na Ásia.
- Ainda não está claro se a retração no consumo será duradoura — pela substituição por outros combustíveis — ou se vai se recuperar quando houver um alívio nos preços.
- Até agora, a maior parte da queda é atribuída à redução das taxas de operação da indústria petroquímica na Ásia, além do cancelamento de voos no Oriente Médio, em partes da Ásia e na Europa.
- Além disso, o consumo de GLP também está caindo em residências e empresas. Como é usado para cocção, é um sinal ruim para a pobreza energética e um alerta para um possível aumento no uso de lenha.
Diversos países adotaram medidas para proteger os consumidores dos impactos do aumento dos preços, o que pode adiar parte dos efeitos na demanda.
- É o caso do Brasil, que optou por uma subvenção — inicialmente para o diesel, mas depois estendida também ao GLP, querosene de aviação e biodiesel.
- Na terça (14/4), o governo brasileiro anunciou novas medidas para mitigar os impactos: um decreto vai obrigar distribuidoras a publicarem margens brutas para terem acesso à subvenção. Além disso, vai ocorrer um reajuste na tabela do Gás do Povo, programa de distribuição de botijões à população de baixa renda. Mais detalhes no site:
Preço do barril. O petróleo fechou em queda na terça-feira (14/4), diante da continuidade das negociações EUA-Irã. O governo estadunidense sinalizou que uma segunda rodada de tratativas de paz poderia acontecer nesta semana, após o presidente Donald Trump anunciar um bloqueio ao Estreito de Ormuz.
- O Brent para junho recuou 4,6%, a US$ 94,79 o barril.
- Em paralelo, um levantamento publicado pelo Wall Street Journal indicou que o Irã tem capacidade de suportar bloqueio dos EUA em Ormuz “por semanas ou meses”. O país persa exportou 1,84 milhão de barris por dia no último mês, com a China como o principal destino.
Mudanças no mercado. A petroleira britânica bp será reorganizada em uma empresa voltada para a produção de petróleo e gás, e outra que cobrirá o refino, a distribuição e o varejo. É um retorno à estrutura que a gigante petrolífera britânica mantinha antes de seu esforço, em 2020, para se transformar num grupo de energia verde. (Financial Times/Valor)
Imposto de exportação. O governo confia que a Justiça vai derrubar a liminar contra a taxa de exportação de petróleo, segundo o ministro Bruno Moretti. A decisão que suspendeu o tributo teve como base trechos inexistentes da MP 1340/2025.
- Moretti classificou a fundamentação como “perplexa” e disse que a equipe jurídica está mobilizada para reverter a medida.
- O imposto foi uma das primeiras ações anunciadas pelo governo brasileiro para lidar com os impactos da guerra.
Estatais. O presidente Lula (PT) afirmou que sonha com a criação de empresas públicas de distribuição de gás e de combustível e de transmissão de energia. Lula disse que considera que seria útil neste momento ter a BR Distribuidora nas mãos do Estado.
Em Itaipu, tarifa menor… A usina binacional busca reduzir preço e unificar tarifa para Brasil e Paraguai a partir de 2027, segundo o diretor-geral Enio Verri. Hoje, brasileiros pagam US$ 16,71/kW por mês e paraguaios, US$ 19,28/kW.
- Verri diz que as negociações partem do patamar brasileiro e que novo valor deve sair até dezembro.
… E agenda de soberania. Itaipu Binacional reinaugurou na segunda (13/4) o centro dedicado a pesquisas para novos combustíveis a partir do biogás. O espaço, que passou a se chamar Unidade de Demonstração Biocombustíveis e quer atrair universidades e empresas para testar novas tecnologias.
- A mudança de nome é simbólica. Antes focada no biogás e biometano, a instalação se propôs a expandir horizontes, alcançando mercados como a aviação — de olho na soberania. Saiba mais na diálogos da transição.
Caducidade. A Aneel notificou, na segunda-feira (13), a Enel SP a prestar esclarecimentos sobre o processo de caducidade. A companhia tem 30 dias para apresentar sua defesa.
Opinião: Bio-GNL se destaca como alternativa madura para descarbonizar transporte marítimo, aproveitar infraestrutura existente e diversificar oferta em meio à guerra no Golfo Pérsico, escreve Leonardo Campos Filho, o sócio-diretor da Siglasul Consultoria.

