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Guerra causa destruição de demanda: setores mais afetados são petroquímica, aviação e GLP

Queda no consumo no 2º trimestre de 2026 será a maior desde a pandemia, diz Agência Internacional de Energia

Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, durante a reunião ministerial de 2024, em 13 de fevereiro (Foto IEA)
Diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, durante a reunião ministerial de 2024, em 13 de fevereiro (Foto IEA)

NESTA EDIÇÃO.Alta do petróleo já está causando destruição de demanda, diz IEA 
 
Governo anuncia decreto que vai obrigar distribuidoras a publicarem margens brutas para acesso à subvenção
 
Itaipu mira tarifa menor e unificada para Brasil e Paraguai a partir de 2027.
 
Aneel notifica Enel SP a prestar esclarecimentos em processo que pode levar à recomendação de caducidade da concessão. 
 


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A alta nos preços de petróleo devido à guerra no Oriente Médio já está causando destruição de demanda no mercado de combustíveis, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Apenas no segundo trimestre de 2026, a agência projeta queda de 1,5 milhão de barris no consumo global diário, a maior retração desde a pandemia

  • Os dados são do relatório mensal da agência, publicado na terça-feira (14/4). 
  • Ao todo, a estimativa é de que a média da demanda global encerre o ano em queda de 80 mil barris/dia, mas a IEA alerta que isso ainda depende do futuro do conflito entre EUA, Irã e Israel e que o cenário tem muitas incertezas
  • No mês passado, mesmo após o início da guerra, a IEA ainda projetava um aumento de 730 mil barris/dia no consumo global. 
  • O cenário é muito diferente do começo do ano, quando a expectativa era de uma sobreoferta de petróleo

A redução no consumo tende a se espalhar caso a oferta não se recupere e os preços sigam altos, ressalta a IEA. 

  • Apenas em março, a oferta global caiu em 10,1 milhões de barris/dia devido aos ataques à infraestrutura no Oriente Médio e às dificuldades de exportação pelo Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico. 
  • A retomada do fluxo pelo estreito continua como o fator mais importante para aliviar a pressão sobre o mercado. 

Até o momento, os combustíveis com maior queda na demanda foram a nafta, o gás liquefeito de petróleo (GLP) e o combustível de aviação (QAV), sobretudo no Oriente Médio e na Ásia. 

  • Ainda não está claro se a retração no consumo será duradoura — pela substituição por outros combustíveis — ou se vai se recuperar quando houver um alívio nos preços.  
  • Até agora, a maior parte da queda é atribuída à redução das taxas de operação da indústria petroquímica na Ásia, além do cancelamento de voos no Oriente Médio, em partes da Ásia e na Europa.
  • Além disso, o consumo de GLP também está caindo em residências e empresas. Como é usado para cocção, é um sinal ruim para a pobreza energética e um alerta para um possível aumento no uso de lenha. 

Diversos países adotaram medidas para proteger os consumidores dos impactos do aumento dos preços, o que pode adiar parte dos efeitos na demanda. 



Preço do barril. O petróleo fechou em queda na terça-feira (14/4), diante da continuidade das negociações EUA-Irã. O governo estadunidense sinalizou que uma segunda rodada de tratativas de paz poderia acontecer nesta semana, após o presidente Donald Trump anunciar um bloqueio ao Estreito de Ormuz. 

  • O Brent para junho recuou 4,6%, a US$ 94,79 o barril.
  • Em paralelo, um levantamento publicado pelo Wall Street Journal indicou que o Irã tem capacidade de suportar bloqueio dos EUA em Ormuz “por semanas ou meses”. O país persa  exportou 1,84 milhão de barris por dia no último mês, com a China como o principal destino. 

Mudanças no mercado. A petroleira britânica bp será reorganizada em uma empresa voltada para a produção de petróleo e gás, e outra que cobrirá o refino, a distribuição e o varejo. É um retorno à estrutura que a gigante petrolífera britânica mantinha antes de seu esforço, em 2020, para se transformar num grupo de energia verde. (Financial Times/Valor)

Imposto de exportação. O governo confia que a Justiça vai derrubar a liminar contra a taxa de exportação de petróleo, segundo o ministro Bruno Moretti. A decisão que suspendeu o tributo teve como base trechos inexistentes da MP 1340/2025. 

  • Moretti classificou a fundamentação como “perplexa” e disse que a equipe jurídica está mobilizada para reverter a medida.
  • O imposto foi uma das primeiras ações anunciadas pelo governo brasileiro para  lidar com os impactos da guerra. 

Estatais. O presidente Lula (PT) afirmou que sonha com a criação de empresas públicas de distribuição de gás e de combustível e de transmissão de energia. Lula disse que considera que seria útil neste momento ter a BR Distribuidora nas mãos do Estado.

Em Itaipu, tarifa menor… A usina binacional busca reduzir preço e unificar tarifa para Brasil e Paraguai a partir de 2027, segundo o diretor-geral Enio Verri. Hoje, brasileiros pagam US$ 16,71/kW por mês e paraguaios, US$ 19,28/kW. 

  • Verri diz que as negociações partem do patamar brasileiro e que novo valor deve sair até dezembro. 

… E agenda de soberania. Itaipu Binacional reinaugurou na segunda (13/4) o centro dedicado a pesquisas para novos combustíveis a partir do biogás. O espaço, que passou a se chamar Unidade de Demonstração Biocombustíveis e quer atrair universidades e empresas para testar novas tecnologias.

  • A mudança de nome é simbólica. Antes focada no biogás e biometano, a instalação se propôs a expandir horizontes, alcançando mercados como a aviação — de olho na soberania. Saiba mais na diálogos da transição.  

Caducidade. A Aneel notificou, na segunda-feira (13), a Enel SP a prestar esclarecimentos sobre o processo de caducidade. A companhia tem 30 dias para apresentar sua defesa. 

Opinião: Bio-GNL se destaca como alternativa madura para descarbonizar transporte marítimo, aproveitar infraestrutura existente e diversificar oferta em meio à guerra no Golfo Pérsico, escreve Leonardo Campos Filho, o sócio-diretor da Siglasul Consultoria.

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