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Fora dos cálculos da subvenção, fila nos portos pode virar gargalo no abastecimento

Espera para importação adiciona ao combustível custos que não foram calculados na subvenção

Terminal de contêineres no Porto de Santos, com intensa movimentação de cargas (Foto Divulgação)
Terminal de contêineres no Porto de Santos, com intensa movimentação de cargas (Foto Divulgação)

NESTA EDIÇÃO.Custos com espera para desembarque de combustíveis ameaça efetividade da subvenção. 
 
Petrobras chega decisão final de investimento para segunda plataforma de Sergipe Águas Profundas e aprova US$ 1 bi para retomada da fábrica de fertilizantes no MS. 
 
Barril do petróleo volta a ser negociado próximo aos US$ 100. 


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O aumento de custos com combustíveis parados nas filas dos portos é mais um ponto de atenção para o abastecimento nacional em meio a disparada dos preços do diesel e da gasolina devido à guerra no Oriente Médio. 

  • É, também, mais um obstáculo para o mercado importador repassar o subsídio adicional de R$ 1,20 criado pela MP 1349, editada na terça-feira (7/4).
  • O dinheiro gasto com demurrage — a diária perdida com navios parados esperando para desembarcar — adicionam um custo oculto na importação de combustível, que não está explícito no preço do frete.
  • Cerca de 30% do mercado nacional é abastecido por produtos importados. 

Na semana passada, o Porto de Santos anunciou que vai priorizar o trânsito de navios de combustível.

  • A decisão partiu de um pedido da ANP, que está fazendo um monitoramento diário do abastecimento e identificou um descompasso entre as importações e os estoques de gasolina em São Paulo, devido à fila de navios em Santos. 
  • O problema, a princípio, foi identificado apenas em Santos, maior porto do país. 

No caso do diesel, o tempo de desembarque das cargas importadas pode dificultar a chegada do combustível ao Centro-Oeste — uma preocupação adicional para o agronegócio. 

  • Nos primeiros dias após o início do conflito foi justamente o agro que sentiu os primeiros problemas: produtores do Rio Grande do Sul tiveram dificuldades em obter diesel. 
  • Na ocasião, no entanto, não havia falta de produto, mas sim um descompasso na cadeia de comercialização. Relembre:

No momento, o cenário de produção e estoques para a segunda metade de abril indica que o mercado brasileiro segue bem abastecido, sem risco de falta de produto

  • Entretanto, agentes do setor em diferentes elos da cadeia ouvidos pela agência eixos apontam preocupações para maio.
  • A Petrobras já indicou que não deve importar diesel no próximo mês.


Autossuficiência em pauta. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou na segunda (13/4) que o Brasil pode ser autossuficiente em diesel nos próximos cinco anos, caso os investimentos em refino atualmente em curso sejam mantidos. 

  • O tema deve ganhar espaço na campanha eleitoral de 2026. 

Menor dependência também nos fertilizantes. O conselho de administração da Petrobras aprovou o investimento de cerca de US$ 1 bilhão para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), localizada em Três Lagoas (MS).

  • A previsão é de entrada em operação comercial em 2029. 

Decisão final em SEAP. A Petrobras aprovou a decisão final de investimento da segunda plataforma de Sergipe Águas Profundas (SEAP I). Com isso, o projeto entra na carteira em implantação base da estatal. A previsão é de assinatura dos contratos em maio

Descoberta na Bacia de Campos. A estatal anunciou ainda uma nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos, em um poço exploratório perfurado no bloco C-M-477.

  • A Petrobras é a operadora do bloco, com 70% de participação, em parceria com a bp, que detém os outros 30%. 

Demanda de petróleo. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reafirmou sua previsão para o crescimento da demanda global pela commodity este ano, em 1,4 milhão de barris/dia. Se confirmada a projeção, o consumo global chegará a 106,53 milhões de barris/dia em 2026, segundo relatório mensal divulgado na segunda (13).

Enquanto isso, guerra continua. As Forças Armadas do Irã ameaçaram realizar retaliações contra portos no Golfo Pérsico e no Mar do Omã caso a segurança dos portos iranianos seja colocada em risco.

  • O anúncio foi realizado após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que vai bloquear a passagem de navios na saída do Estreito de Ormuz. 
  • O cenário levou o petróleo a fechar em alta na segunda-feira (13). O Brent para junho avançou 4,36% (US$ 4,16), a US$ 99,36 o barril.

Resiliência das renováveis. Apesar dos ataques regulatórios e narrativos de Trump à indústria de energia renovável, o setor segue ampliando participação no mercado e tende a sair fortalecido da guerra, mostra uma análise da BloombergNEF. Saiba mais na diálogos da transição.

Opinião: Debate agora não é mais sobre financiamentos ou mandatos, mas sobre como organizar mecanismos para garantir descarbonização efetiva com soluções locais, escreve Stefania Relva, a diretora de Transformação Industrial do Instituto E+ Transição Energética.

Preço do etanol. A cotação média do etanol hidratado subiu em 11 estados e no Distrito Federal, caíram em dez e ficaram estáveis em quatro na semana encerrada no dia 11 de abril. Os dados são da ANP, compilados pelo AE-Taxas.

  • Na média do país, o preço do etanol caiu na comparação com a semana anterior, de R$ 4,70 para R$ 4,69 o litro

Opinião: Classificação equivocada entre cortes energéticos e por confiabilidade pode distorcer sinais econômicos, desincentivar investimentos eficientes e penalizar renováveis, escreve Bernardo Bezerra, o diretor de Regulação e Inovação da Serena. 

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