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EUA flexibilizam regras contra poluição e abraçam etanol para enfrentar alta dos combustíveis

Estados Unidos vão flexibilizar restrições ambientais e permitir venda de gasolina com maior teor de etanol

Lee Zeldin, chefe da EPA, agência ambiental dos EUA (Foto Gage Skidmore/Wiki Commons)
Lee Zeldin, chefe da EPA, agência ambiental dos EUA (Foto Gage Skidmore/Wiki Commons)

NESTA EDIÇÃO. Governo Trump reduz restrições ambientais à venda de gasolina com 15% de etanol para lidar com alta nos combustíveis.

Municípios no Sul do Brasil relatam escassez de diesel.

ExxonMobil envia time para monitorar Venezuela e mantém Brasil no radar.

Brasília terá primeiro ônibus comercial do Brasil a hidrogênio.


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Os Estados Unidos suavizaram exigências ambientais e abraçaram o etanol para ajudar a lidar com a exposição aos choques nos preços da gasolina. 

Em um esforço para reduzir o impacto da alta nos preços dos combustíveis para os consumidores devido à guerra no Oriente Médio, o país decidiu flexibilizar as restrições à venda de gasolina com maior teor de etanol. 

  • A Agência de Proteção Ambiental (EPA) anunciou a medida durante a CERAWeek, em Houston, evento que reúne executivos sobretudo do setor de petróleo. Veja abaixo mais detalhes sobre os destaques do terceiro dia do evento
  • Segundo a EPA, a intenção é “dar aos consumidores mais opções de combustíveis”. 

Sob o argumento da “independência energética” e de emergência com a alta dos preços, o governo de Donald Trump permitiu um waiver a partir de 1º de maio nas limitações regulatórias à venda da gasolina com 15% de etanol (E15) durante o verão, período anual de pico da demanda.

  • As restrições ao E15 nos meses mais quentes do ano buscam evitar a formação de neblina e a poluição atmosférica. A política que será flexibilizada tem, portanto, caráter ambiental. 
  • A limitação na venda do E15 está prevista na Lei do Ar Puro. Após anunciar as flexibilizações, o chefe da agência ambiental, Lee Zeldin, defendeu uma desregulamentação das medidas para conter a poluição
  • “A EPA está trabalhando com os parceiros federais para reduzir custos desnecessários e a incerteza para garantir que os preços da gasolina permaneçam acessíveis para os americanos”, disse. 

No Brasil, as discussões vão no caminho oposto: o aumento da mistura na gasolina, hoje em 30%, e no diesel, de 15%, ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. 

  • Mas por aqui o agronegócio também pressiona o governo federal a aumentar o mandato de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, como resposta à inflação do diesel, e pede antecipação dos testes de viabilidade para a elevação. 
  • No momento, no entanto, a discussão sobre mandatos dos biocombustíveis está interditada.
  • Por ora, o governo descarta o B17 como medida para mitigar os efeitos da guerra sobre os preços do diesel, justamente, porque entende que ainda são necessários estudos técnicos e da evolução da oferta.

A principal resposta do governo brasileiro à alta nos combustíveis, até o momento, foi o pacote de R$ 30 bilhões para conter a alta do diesel. A medida inclui a subvenção de até 32 centavos no diesel e a desoneração do PIS/Cofins do derivado.

  • A regulamentação da subvenção, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ainda está pendente.

O governo federal também tenta arrastar os estados para a desoneração — a carga tributária sobre os combustíveis é mais pesada, justamente, nos estados, que rejeitaram a primeira proposta feita pela União na semana passada.

  • O governo federal propôs, inicialmente, o reembolso em até 50% de uma desoneração temporária do ICMS de importação de diesel.
  • A Fazenda insiste e apresentou outra sugestão esta semana, para criar um programa de subvenção adicional para os importadores de diesel no valor de R$ 1,20 por litro (o equivalente ao ICMS), sendo a metade a cargo dos estados e o restante da União.

Assim, o governo foge das amarras da Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Em paralelo, a Fazenda cogita reduzir o PIS/Cofins sobre o biodiesel, a exemplo do que foi feito com o diesel no decreto 12.875/2026.



Escassez de diesel. Subiu para 166 o número de municípios do Rio Grande do Sul que relatam problemas relacionados à escassez no abastecimento do combustível, de acordo com boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), ao qual a Agência Brasil teve acesso na quarta-feira (25/3).

  • Dois municípios, Formigueiro e Tupanciretã, mantêm estado de emergência.

Nova parceira em Orca. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) aprovou a aquisição, pela Energy Development Company, estatal do Kuwait, de 20% dos ativos de produção atualmente detidos pela Shell nas áreas de desenvolvimento de Orca e Sul de Orca, um campo de petróleo e gás natural do pré-sal da Bacia de Santos.

Preço do barril. O petróleo fechou em queda de 2% na quarta-feira (25), à medida que os investidores reagem aos relatos de negociações de um cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

  • O governo norte-americano afirma que Teerã deseja um acordo, embora a mídia internacional aponte que ainda não há uma resposta do país persa.
  • O Brent para junho caiu 2,96% (US$ 2,97), a US$ 97,26 o barril.
  • Em tempo, os estoques de petróleo nos Estados Unidos subiram 6,926 milhões de barris, a 456,185 milhões de barris na semana encerrada em 20 de março, informou o Departamento de Energia. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal projetavam queda de 200 mil barris na semana.

Investimento na Venezuela. A ExxonMobil enviou esta semana uma equipe à Venezuela, para monitorar oportunidades de investimento no país. Durante participação na CERAWeek 2026, em Houston, o presidente da divisão de Upstream da companhia, Dan Ammann, disse que vê progressos sendo feitos no marco legal venezuelano e que também mantém o Brasil e Guiana no radar, na América Latina.

Infraestrutura de gás. Também no evento, o diretor da ANP, Pietro Mendes, afirmou que a agência trabalha para reduzir os custos da infraestrutura de gás natural, com respeito aos contratos e metodologias internacionais.

  • Ele reconheceu que o custo da infraestrutura tem um impacto negativo no desenvolvimento da indústria de gás e lembrou que essas discussões envolvem conversas com a PPSA sobre o acesso de terceiros às infraestruturas existentes e a redução das tarifas de transporte.

Lições de guerra. O armazenamento — seja de energia, seja de recursos como gás natural e equipamentos críticos — emerge como peça-chave para políticas de segurança energética no contexto de acirramentos das tensões geopolíticas, que tem levado à destruição de infraestrutura ao redor do mundo.

  • Essa é uma das lições aprendidas da guerra entre Rússia e Ucrânia, compartilhadas por autoridades e representantes das empresas de energia da Ucrânia durante a CERAWeek 2026, em Houston, na quarta-feira (25/3).

Redata sem acordo. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT/AP), precisou esclarecer na quarta (25) que a solução para liberar os recursos já previstos no orçamento para desonerar a instalação de data centers não passou no Senado Federal. A informação circulou na imprensa e entre agentes no mercado, mas não era verdade.

  • Sem conseguir aprovar o texto de criação do Redata, em si, na medida provisória que caducou, o governo federal apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados para assegurar a destinação dos R$ 5,2 bilhões reservados para o programa no orçamento de 2026.

Nuclear para data centers. A estratégia dos EUA de quadruplicar sua capacidade de geração nuclear para 400 GW até 2050, passa por segurança energética e data centers, reforçou a estrategista sênior para inovação nuclear no Departamento de Estado, Kirsten Cutler, durante evento do setor no Rio de Janeiro.

Curtailment. A busca por soluções estruturais para os cortes de geração de energia está no topo da lista de prioridades da Apine em 2026. Lançada na terça (24/3), a agenda legislativa do setor traz uma série de recomendações para lidar com um problema cujos custos para o setor, no ano passado, foi estimado em R$ 6 bilhões.

Combustíveis marítimos. O MME publicou o relatório com as diretrizes para políticas de combustíveis sustentáveis para navegação. Parte das recomendações para a futura política mira um eventual mandato no Brasil para substituir o combustível fóssil nas embarcações.

Ônibus a hidrogênio. Neoenergia, TEVX e Governo do Distrito Federal (GDF) firmaram uma parceria para colocar em operação o primeiro ônibus comercial do Brasil movido a hidrogênio verde. Ele será abastecido em Taguatinga, onde a Neoenergia tem um ponto de abastecimento e uma planta de eletrólise com 90% de tecnologia nacional.

Opinião: SEAP deve ser visto como um projeto com alcance muito mais amplo do que o de um empreendimento convencional de upstream, escrevem o senador Laércio Oliveira (PP/SE) e Marcelo Menezes, o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Sergipe.

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