Mercado de carbono

MPTCU quer investigar esquema de créditos de carbono envolvendo a família Vorcaro, do Banco Master

Subprocurador pede que TCU analise impacto da fraude na credibilidade do mercado de carbono

Área de desmatamento na floresta amazônica (Foto Divulgação Polícia Federal)
Área de desmatamento na floresta amazônica (Foto Divulgação Polícia Federal)

O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), Lucas Furtado, quer que a corte de contas apure as irregularidades relacionadas ao esquema de créditos de carbono envolvendo a família de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master. O caso foi revelado pela Folha de S. Paulo.

De acordo com a reportagem, o pai e a irmã de Daniel Vorcaro são os controladores da empresa Alliance, responsável por um projeto ambiental de créditos de carbono que inflou fundos do banco Master de maneira irregular.

O projeto era desenvolvido em uma fazenda localizada em Apuí, no Amazonas, que na verdade é uma área pública pertencente à União.

Segundo a reportagem, em 2023 foi firmado um acordo em que a Alliance passou a deter 80% das unidades de carbono associadas à fazenda, que foram para as empresas Golden Green (que tem como investidor o fundo Jade) e a Global Carbon (cujo investidor é o fundo New Jade 2).

Os dois fundos por trás das empresas são administrados pela Reag e investigados desde a Operação Carbono Oculto.

Ainda em 2023, um relatório da Unesp traçou uma estimativa sobre o estoque de carbono da propriedade: 168,8 milhões de toneladas de CO₂. Porém, para chegar ao número foi utilizado um método que não é aplicado no mercado.

Assim, a Golden Green e a Global Carbon sofreram uma valorização inédita e passaram a valer R$ 14,5 bilhões e R$ 31 bilhões, respectivamente, mesmo sem vender um único crédito de carbono.

Ou seja, sem lastro real no mercado ou na realidade fundiária da propriedade, os recursos ajudavam a inflar um patrimônio fictício e a girar as operações atreladas às suas cadeias de fundos.

Impacto na credibilidade do mercado de carbono

Na representação apresentada nesta terça-feira (20/1), Lucas Furtado pede que a corte investigue a empresa Alliance e os fundos administrados pela Reag, “com especial atenção à utilização de terras públicas e à emissão de créditos de carbono sem lastro real”.

O subprocurador ainda quer que seja feita uma análise sobre os impactos das transações na credibilidade do mercado de carbono, e a conformidade das operações com os dispositivos da lei que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Lei 15.042/2024), especialmente no que diz respeito à certificação dos créditos de carbono e à comprovação de redução de emissões.

“As transações financeiras realizadas com base nesses créditos fictícios foram utilizadas para inflar o patrimônio de empresas e fundos, permitindo a realização de operações financeiras fraudulentas que, segundo investigações da Polícia Federal, podem estar relacionadas à lavagem de dinheiro e ao financiamento de organizações criminosas, como o PCC”, afirma o subprocurador do MPTCU.

A representação ainda aguarda designação de relator.

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