A decisão da Petrobras, de devolver uma parte dos valores pagos por distribuidores de gás de cozinha nas compras realizadas por meio do leilão de 31 de março, refletiu nos repasses dos preços ao elo final da cadeia. Revendedoras afirmam que distribuidoras notificaram que haverá uma redução de preços, porém igualmente parcial.
A Associação Brasileira das Entidades Representativas das Revendas de Gás LP (Abragás) afirma que, após o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado pela Petrobras, quando o combustível atingiu preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal, as distribuidoras comunicaram o aumento de R$ 7 no preço do botijão de 13 Kg (P-13).
Na semana seguinte, a Petrobras anunciou que faria o reembolso parcial dos valores cobrados acima dos preços de paridade de importação (PPI) do GLP.
A companhia também informou que ainda analisava se iria aderir ao programa de subvenção governamental ao GLP importado, instituído pela MP 1349. Caso decida pela adesão, também vai devolver aos clientes os valores subsidiados, de 85 centavos por kg ou R$ 11,05 por botijão de 13 kg.
As revendedoras afirmam que após os anúncios da Petrobras e da edição da MP 1349, foram comunicadas pelas distribuidoras que seriam aplicadas reduções de R$ 1,35 a R$ 1,47 nos valores dos botijões de 13Kg — cerca de 20% do que foi repassado em razão do leilão de GLP.
No mesmo dia do leilão, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, confirmou o reajuste de 15,3% do GLP para as distribuidoras a partir de 1º de abril.
“Pagamos R$ 7,00 a mais e temos promessas de receber de R$ 1,35 a R$ 1,47 de retorno sobre o que foi comprado com os aumentos, mas de acordo com as distribuidoras nas novas compras serão mantido o aumento proporcional”, disse em nota o presidente da Abragás, Jose Luiz Rocha.
“Os valores da devolução da Petrobras por conta dos leilões e a subvenção proposta pelo Governo Federal, apenas engordarão a rentabilidade das distribuidoras, (…) [que] não cumprirão as tratativas sobre a redução de preços, seja ele de qual natureza for”, completou.
Procurado, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) informou que não se manifesta sobre preços, projeções de preços ou qualquer tipo de estimativa relacionada ao mercado.
Reajuste no Gás do Povo
Na terça-feira (14/4), o governo anunciou mais um pacote de medidas para lidar com os impactos da guerra no Oriente Médio nos preços dos combustíveis no Brasil. Entre elas, o reajuste da tabela do Gás do Povo (preços de referência), com custo adicional de R$ 300 milhões. (veja os valores por Unidade da Federação).
Segundo o anúncio, as revendas poderão receber até R$ 10 a mais por botijão vendido. O objetivo é aumentar a rede de revendas credenciadas ao programa, após a ameaça de uma debandada diante dos efeitos do leilão da Petrobras. A medida ainda não foi publicada.
O Gás do Povo substituiu o Vale-Gás e começou a ser implementado em novembro do ano passado. É destinado a famílias com renda per capita de até meio salário-mínimo, garantindo carga 100% gratuita do botijão de 13 kg, retirada diretamente em revendas credenciadas.
