Agronegócio

Farsul: diesel mais caro deve gerar custo extra de R$ 612 milhões ao agro do RS

Alta de 21,1% no diesel desde o início da guerra já atinge operações de arroz, soja, milho e trigo. Em cenário mais adverso, com combustível a R$ 9, prejuízo pode chegar a R$ 1,47 bi

Maquinário e caminhões em atividade agrícola (Foto Mirko Fabian/Pixabay)
Maquinário e caminhões em atividade agrícola (Foto Mirko Fabian/Pixabay)

O aumento de 21,1% no preço do diesel S10 no Rio Grande do Sul desde o início do conflito no Oriente Médio deve implicar custo adicional direto de R$ 612,2 milhões nas operações mecânicas das principais lavouras do Estado, segundo estudo técnico divulgado pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O diesel S10 passou de R$ 5,97 por litro em 27 de fevereiro para R$ 7,23 por litro em 10 de abril, período em que o barril de petróleo Brent subiu de US$ 70,99 para cerca de US$ 97,30, alta de 37%.

O estudo avalia que o movimento vai além de uma oscilação pontual. “O diesel deixou de ser apenas um insumo operacional e passou a configurar um dos principais vetores de risco econômico para o agronegócio gaúcho em 2026″, afirma a Farsul no relatório.

O choque coincide com a colheita da safra de verão 2025/26 e com a definição do plantio de inverno, período de elevada demanda por operações mecanizadas, o que amplifica seus efeitos sobre as decisões produtivas.

O impacto varia de forma significativa entre as culturas. O arroz apresenta o maior custo adicional por hectare, de R$ 185,72, o equivalente a 2,95 sacos por hectare. O relatório alerta que “o valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra.” 

A soja registra o menor impacto individual, de R$ 48,74 por hectare, ou 0,41 saco por hectare, mas concentra o maior prejuízo agregado ao estado, de R$ 331,2 milhões, em razão da ampla área cultivada. O milho apresenta acréscimo de R$ 69,01 por hectare, equivalente a 1,21 saco por hectare, e o trigo, de R$ 43,68 por hectare, ou 0,73 saco por hectare.

Para a soja, o estudo chama atenção para o contexto de margens operacionais estreitas e endividamento elevado no campo gaúcho.

A perda de meio saco por hectare pode ser a diferença entre honrar compromissos financeiros ou não“, aponta o relatório.

O milho e o trigo combinam aumento de custos com margens já pressionadas, reduzindo a capacidade de absorção do choque.

A dispersão dos preços dentro do Estado adiciona outra camada de complexidade. 

Na amostra de 35 municípios levantada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S10 variava de R$ 7,05 por litro em Porto Alegre a R$ 7,95 por litro em Bagé, amplitude de R$ 0,90 por litro. Vinte e oito municípios já registravam valores acima de R$ 7,20 por litro e 24 acima de R$ 7,30 por litro, indicando que a faixa superior de preços não é pontual.

Os cenários de estresse mostram a sensibilidade do setor a novos aumentos. Se o diesel se estabilizar em R$ 8,00 por litro, o impacto no agronegócio gaúcho subiria para R$ 986,3 milhões. No cenário mais adverso, com o combustível a R$ 9,00 por litro, o prejuízo alcançaria R$ 1,47 bilhão.

O estudo é crítico em relação à eficácia de desonerações fiscais amplas como resposta ao choque. Na avaliação da Farsul, o benefício tende a se diluir por toda a economia, com baixa efetividade para o setor produtivo que já incorporou a alta nos custos.

Além disso, a renúncia fiscal poderia comprometer as contas públicas, dificultar o controle da inflação pelo Banco Central e postergar a queda da taxa Selic, agravando o custo financeiro para o produtor.

Por Gabriel Azevedo

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