Política energética

Relatório do Paten inclui grandes hidrelétricas no Fundo Verde

Inclusão atende a pleito da Abrage, que visa participar do leilão de potência

Marisete Pereira, secretária-executiva do Ministério de Minas e Energia, no lançamento da Frente da Energia Limpa, em 15 de setembro de 2019 (Foto Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
Marisete Pereira, então secretária-executiva do MME, no lançamento da Frente da Energia Limpa, em 15 de setembro de 2019 (Foto Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

BRASÍLIA – A geração de energia hidroelétrica sem limite de potência e a modernização de parques energéticos de matriz sustentável foram contempladas no terceiro relatório do Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), apresentado nesta terça (22/10) pelo relator do projeto no Senado, Laércio Oliveira (PP/SE). O novo texto também considerou as obras de modernização como projetos de desenvolvimento sustentável, com mais oportunidades de financiamento.

O texto que veio da Câmara dos Deputados incluía hidrelétricas, mas limitada à geração de 50 MW. A expansão e modernização sem limite contempla o aumento da potência existente, com a instalação de turbinas nos poços vazios, e a repotenciação, que atende ao conceito de modernização.

A inclusão das emendas ao relatório representa uma vitória para o setor, que está de olho no leilão de potência. A presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Marisete Pereira (acima), classificou a inclusão das hidrelétricas no Paten como “mais um passo para valorizar os requisitos que as hidroelétricas disponibilizam para o sistema”.

Ela vinha defendendo, no Senado, que as usinas têm longa vida útil, podendo passar de 100 anos atendendo ao sistema. Também reforçou que hidrelétricas são fontes firmes, flexíveis e não intermitentes.

“As hidrelétricas são fundamentais para garantir uma transição energética sustentável, assegurando geração de energia renovável e de baixo carbono no Brasil. Com sua capacidade de armazenamento, flexibilidade operativa e custos módicos, as hidrelétricas proporcionam condições vantajosas para a expansão renovável da matriz, fortalecendo a segurança e a eficiência do sistema elétrico”, comentou Pereira.

Potencial em hidrelétricas existentes 

Segundo a Abrage, apenas nos chamados “poços vazios”, há potencial para adicionar 7,5 GW no sistema. São hidrelétricas com quedas d’água sem turbina, em que bastaria instalar os motores.

Com a repotenciação das unidades geradoras existentes, investimentos em modernização de UHEs, outros 11 GW estariam disponíveis. A entidade defende também as hidrelétricas reversíveis, em que a água é bombeada novamente nos reservatórios. 

De um lado, são iniciativas que poderiam elevar a capacidade das usinas, sem a necessidade de construção de novos reservatórios.

O setor conta com a participação das hidrelétricas no próximo leilão de reserva de capacidade.

Visados pelo segmento termelétrico, a proposta colocada em consulta pública em abril pelo Ministério de Minas e Energia (MME) abriu a possibilidade de inclusão de hidrelétricas existentes, com expansão de capacidade.

Originalmente previsto para agosto, a concorrência está sem data e aguarda uma definição do ministério.

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