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Feito no Brasil: produção nacional ganha peso na onda dos carros elétricos

Expansão das vendas de eletrificados vem acompanhada de maior participação de veículos fabricados no país

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à linha de montagem de veículos da BYD. Polo Petroquímico, Camaçari (BA). Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à linha de montagem de veículos da BYD. Polo Petroquímico, Camaçari (BA). Foto: Ricardo Stuckert/PR

NESTA EDIÇÃO. Quase metade dos eletrificados emplacados em fevereiro foi produzida no Brasil.

Modelo da BYD liderou vendas no varejo.


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O mês de fevereiro marcou a primeira vez que um carro 100% elétrico ficou no topo das nas vendas de veículos no Brasil, com 4,1 mil unidades do Dolphin Mini, da BYD, emplacadas. (CNN)
 
O carro montado pela fabricante chinesa em Camaçari, na Bahia, superou marcas movidas a gasolina e etanol no varejo, indicando um novo ciclo para a tecnologia no país.
 
Dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) mostram que o ano de 2026 começou em ritmo acelerado para a eletromobilidade. 
 
Foram mais de 28,1 mil híbridos e elétricos emplacados em fevereiro, representando 15,9% do total, ante 9,3% no mesmo período de 2025.
 
Os híbridos (11,3 mil) seguem liderando a preferência dos consumidores. Enquanto os 100% a bateria e os híbridos plug-in responderam por 8,7 mil e 8,1 mil unidades vendidas, respectivamente. 
 
O percentual de “feito no Brasil” também está em uma curva ascendente. 
 
Segundo a associação, 43% dos eletrificados emplacados em fevereiro foram produzidos no país, o melhor resultado da série histórica.
 
“Nossa expectativa é que, ao longo do ano, nós continuemos tendo recorde de produção nacional dessas novas tecnologias”, disse a jornalistas, na sexta (6/3), o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet.
 
“O que temos visto acontecer é que, ao longo do ano passado, esse número foi subindo. Ficamos alguns meses com 25%, no finalzinho do ano chegamos a 35% e, agora, chegamos a 43%”, comentou.
 
Segundo o executivo, a chegada de novos modelos e início da produção de montadoras que estão se instalando no Brasil — a exemplo das chinesas — devem fazer com que esse número cresça consistentemente ao longo de 2026.



O aumento das vendas de eletrificados produzidos no Brasil ocorre em meio à antecipação em um ano e meio do cronograma de elevação tarifária para veículos elétricos e híbridos importados.
 
Atendendo, em parte, a uma pressão da Anfavea, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu, em julho de 2025, antecipar para janeiro de 2027, a cobrança da alíquota de 35% sobre importação veículos híbridos ou elétricos desmontados. 
 
A previsão anterior era julho de 2028 e o pedido da Anfavea era antecipar para 2026, protagonizando uma disputa com montadoras chinesas.
 
Já os veículos prontos seguem com a previsão de retomar a alíquota máxima de 35% em julho de 2026.

No geral, fevereiro teve a segunda melhor média de emplacamentos dos últimos 10 anos para o mês, com 10,3 mil unidades vendidas por dia. 
 
Esse número inclui todos os modelos: gasolina, etanol, flex, híbridos e 100% elétricos, mas entre as influências para o saldo positivo está o carro sustentável.
 
Lançado em julho, como parte das regras para acesso aos descontos no imposto sobre produtos industrializados previstos no Mobilidade Verde (Mover), o programa garante isenção para os carros populares de baixa emissão.
 
Pelo texto, carros com emissão inferior a 83g de CO2 por quilômetro — considerando o ciclo poço à roda —, compostos por mais de 80% de materiais recicláveis e montados no país (com etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem no país) têm IPI zerado.
 
De acordo com a Anfavea, desde o lançamento da política, as vendas desses modelos saltaram 24,3% no acumulado de julho de 2025 a fevereiro de 2026, em comparação com igual período do ano anterior. Foram 317 mil emplacamentos no total.


Guerra no Oriente Médio. O Brasil começou a registrar problemas na cadeia de comercialização de diesel devido ao choque de preços no mercado de petróleo. Produtores rurais no Rio Grande do Sul reclamam que não recebem combustível desde quinta-feira (5/3), mas a ANP confirma que não há falta de produto.

Importação de biodiesel. Enquanto isso, no CNPE convocado para quinta-feira (12), está em pauta a liberação da importação de biodiesel para cumprir o mandato de mistura, hoje em 15%. A liberação em discussão poderá atender até 20% da demanda.
 
Etanol sobe em 11 estados. Os preços médios do etanol hidratado subiram em 11 estados e no Distrito Federal, caíram em outros oito e ficaram estáveis em sete na semana encerrada no sábado (7/3). Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio caiu de R$ 4,63 para R$ 4,61 o litro (-0,43%).
 
Terras raras. O presidente Lula (PT) disse que “o Brasil não vai fazer com as terras raras e minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro”. Ele defendeu que empresas estrangeiras que quiserem explorar os minerais brasileiros terão de fazer a transformação dessas commodities em produtos com valor agregado no próprio Brasil.
 
Chamada para supridores de gás. A SCGás abriu uma chamada pública para receber propostas de suprimento de gás natural. O objetivo é mapear as condições comerciais disponíveis no mercado, para que a companhia conheça, compare e avalie diferentes alternativas comerciais disponíveis.
 
Grandes geradores de resíduos. O Conama colocou em consulta pública a proposta de resolução que estabelece critérios básicos para a regulamentação de grandes geradores de resíduos sólidos nos municípios. As contribuições podem ser feitas por meio da Plataforma Brasil Participativo, até 22 de abril.
 
R$ 2,5 milhões para conectar clima e economia. Iniciativa do HUB de Economia e Clima do iCS abriu nesta segunda (9) as inscrições para o edital de apoio a projetos de pesquisa aplicada em políticas públicas, investimentos e estratégias de desenvolvimento. Com recursos de R$ 2,5 milhões, cada projeto poderá receber até R$ 500 mil.

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