O custo para reconstruir as infraestruturas de energia afetadas pela guerra no Oriente Médio até o momento já chega a US$ 58 bilhões, segundo a Rystad Energy.
Para além dos impactos humanitários, o cálculo indica que a recuperação da capacidade produtiva da região será difícil e terá impacto global na indústria, com uma competição por suprimentos e fornecedores.
Segundo a Rystad, o processo de reconstrução vai ser um teste de estresse para a cadeia de suprimentos mundial, pois vai exigir o redirecionamento de atividades, equipamentos e empresas que estavam comprometidos com novos projetos.
Além disso, atividades de reparo devem tomar o lugar da execução de outros empreendimentos, já que a tendência é que os operadores priorizem a restauração da produção existente em detrimento do desenvolvimento de novas áreas.
“Os trabalhos de reparação não criam nova capacidade, mas redirecionam a capacidade existente, e isso terá impacto em atrasos nos projetos e na inflação, muito além do Oriente Médio”, afirma o analista sênior de pesquisa para a cadeia de suprimentos da Rystad, Karan Satwani.
Segundo a Rystad, o acesso a equipamentos, construtoras e logística será o principal gargalo para a retomada da indústria na região. Esses fatores são mais críticos no momento do que a disponibilidade de capital.
O valor ainda pode aumentar, já que ainda não está claro o que vai acontecer após o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos, Israel e Irã anunciado em 8 de abril.
A conta mais que dobrou em pouco tempo. Há três semanas, a Rystad calculava que o custo de reconstrução era de US$ 25 bilhões, mas novos ataques ampliaram a destruição entre o final de março e o começo de abril.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e Israel ao Irã e a retaliação dos persas envolvendo outros países da região.
Segmentos mais afetados
Os ativos de refino e petroquímica vão demandar a maior parte dos valores previstos para reconstrução, segundo a Rystad.
Ao todo, serão necessários US$ 50 bilhões apenas para a indústria de petróleo e gás. Outros US$ 8 bilhões são estimados para fundições, siderúrgicas, usinas de energia e instalações de dessalinização.
Engenharia e construção representam a maior parte do desembolso total previsto, seguidas por equipamentos e materiais.
Países mais afetados
Alvo dos ataques iniciais da guerra, o Irã é o que sofreu maiores danos em infraestrutura. Os custos de reparo no país chegam a US$ 19 bilhões.
Grandes avarias ocorreram no projeto de produção terrestre de gás South Pars e nos complexos adjacentes, além do complexo petroquímico Mahshahr.
Também houve impactos em grandes refinarias, em ativos de armazenamento de combustíveis e na infraestrutura de exportação.
Outro país fortemente afetado é o Catar. Segundo a Rystad, a destruição no país foi mais concentrada, mas tem uma complexidade técnica maior.
Os danos ocorreram sobretudo na cidade industrial de Ras Laffan, com a parada de diversos trens de gás natural liquefeito (GNL), além da planta de liquefação Pearl.
