Termelétricas a gás

Edge mira Leilão de Reserva para aumentar vendas de gás do TRSP

CEO da Compass, Antônio Simões, disse também estar confiante numa conciliação entre ANP e Arsesp sobre Subida da Serra

Terminal de Regaseificação de São Paulo, da Edge (Foto Divulgação)
Terminal de Regaseificação de São Paulo, da Edge

A Edge, comercializadora de gás natural da Compass, mira o Leilão de Reserva de Capacidade, marcado para junho, como uma oportunidade para ampliar suas vendas a partir do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP).

O CEO da Compass, Antônio Simões, afirmou nesta quarta (26/2) que o certame traz uma série de “projetos e possibilidades” para a companhia – que quer se posicionar como supridora de gás para termelétricas

A comercializadora aposta, para isso, na flexibilidade de seu portfólio para atender à demanda das usinas 100% flexíveis requeridas no leilão. 

O gás natural liquefeito (GNL) importado pelo TRSP é a principal fonte de gás da Edge, mas a companhia vem recorrendo também ao gás boliviano e pré-sal para ampliar sua carteira.

“A gente chegou no passado, em anos anteriores, a considerar investimento em projetos de térmicas. Não é o que a gente está olhando agora. A gente está, de fato, com a materialização do mercado livre, da flexibilidade do terminal, a gente está se colocando como um supridor viável com uma série de vantagens competitivas”, disse o executivo, ao participar de teleconferência com analistas e investidores.

Simões conta que a empresa vem discutindo com uma série de potenciais parceiros interessados em participar do leilão.

O Leilão de Reserva promete ser um leilão bastante diverso, com muitos projetos em jogo e com diferentes fontes de gás: Argentina, Bolívia, mas também gás nacional (do pré-sal ao biometano) e GNL importado.

Otimismo com Subida da Serra

Simões comentou também sobre o imbróglio envolvendo o gasoduto Subida da Serra, da Comgás, e disse estar confiante num acordo entre a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre a disputa pela regulação do ativo.

“A confiança é grande tanto no caso quanto na possibilidade de um acordo entre as partes. Um acordo que não prejudique o Estado de São Paulo, a estratégia do Estado de São Paulo, o consumidor paulista, nem as concessionárias envolvidas, mas que também atenda a alguns requisitos que a ANP tem trazido”, afirmou, ao comentar sobre o andamento da comissão de conciliação aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Edson Fachin. 

A pedido da ANP e Arsesp, o prazo da negociação foi adiado para 19 de março. O regulador federal se comprometeu a não tomar medidas restritivas à operação do gasoduto durante as tratativas.

Simões disse, ainda, que a discussão no STF não tem prejudicado o andamento da Revisão Tarifária da Comgás.

Na segunda (24/2), ao participar do aquecimento gas week 2025, evento organizado pela agência eixos no escritório Mattos Filho, na Faria Lima, o diretor-presidente da Arsesp, Thiago Nunes, já havia afirmado que a revisão tarifária seguirá seu cronograma independente das negociações sobre a disputa pela regulação do gasoduto.

E citou que um eventual revés do estado de São Paulo no STF pode exigir, no futuro, ajustes compensatórios aos consumidores locais. A revisão está prevista para ser concluída em junho.

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