Conta de luz

ONS: Atraso no LRCAP vai deixar energia mais cara

Órgão lista possíveis medidas mitigadoras para 2026 e alerta para risco de atendimento à demanda em 2028 caso o leilão não seja realizado

Na imagem: Pôr do sol ao fundo de torres com linhas de transmissão de energia, com alguns postes com luzes acesas (Foto: Inna/Pixabay)
Para o 2028, o cenário sem a realização de LRCAP é de risco de atendimento à demanda (Foto: Inna/Pixabay)

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avalia que se o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) não for realizado, as soluções no horizonte para 2026 vão deixar a energia mais cara.

Diante dos dados apresentados pelo órgão sobre a oferta de potência, a perspectiva de apagão em 2028 entra no radar.

Em ofício encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) na sexta-feira (13/3), o ONS lista as possíveis medidas mitigadoras para a continuidade do fornecimento de energia elétrica em 2026:

  • Despacho de usinas termelétricas a GNL sem a necessidade de antecedência de 60 dias;
  • Garantir a disponibilidade de usinas termelétricas merchant;
  • Importação de energia da Argentina, considerando as disponibilidades totais das conversoras Garabi I e Garabi II, e do Uruguai;
  • Implementação do horário de verão em 2026 – esta tendo um caráter mais firme em comparação às alternativas  anteriores, uma vez que proporciona ganhos que se limitam aos meses de outubro, novembro e dezembro.

Todas as alternativas listadas deixam a energia mais cara e reduzem a integridade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

“Um possível atraso no cronograma vigente do LRCAP 2026 expõe o SIN a uma operação desequilibrada estruturalmente em termos de garantia de suprimento de potência”, afirma o órgão. 

“Nesta condição, uma vez que não havendo contratação estrutural, há uma maior exposição às situações conjunturais do sistema, podendo comprometer o atendimento à ponta de carga noturna, especialmente em dias de demanda elevada, baixa realização da contribuição eólica e hidrologia desfavorável, em particular nos meses de setembro a dezembro quando ocorre a transição do período seco para o período úmido”, completa.

Para o 2028, ano em que entram as térmicas novas a serem contratadas pelo leilão, o cenário sem a realização de LRCAP é de risco de atendimento à demanda — ou seja, de apagão.

“Neste contexto, e considerando os tempos típicos necessários para implementação das usinas, incluindo etapas de licenciamento e implementação física, entendemos que eventual atraso no LRCAP 2026 impactaria o cumprimento dos prazos previstos para entrada em operação, de forma a garantir o atendimento no ano de 2028”.

A manifestação do ONS veio em resposta à representação da AudElétrica do TCU, após a elevação dos preços-teto do leilão.

O caso está sob a relatoria do ministro Jorge Oliveira, e foi discutido em reunião nesta segunda-feira (16/3) entre representantes da corte de contas e do Ministério de Minas e Energia. O leilão está previsto para ser realizado na quarta (18/3).

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