Guerra no Oriente Médio

Petrobras minimiza imposto sobre exportação de petróleo: 'é cenário de guerra', diz Magda

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, diz que alta do preço do petróleo compensa imposto temporário

Diretores da Petrobras durante coletiva sobre os resultados financeiros de 2025, no Edifício Senado, no Rio, em 6 de março de 2026 (Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Diretores da Petrobras durante coletiva sobre os resultados financeiros de 2025, no Edifício Senado, no Rio, em 6 de março de 2026 (Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta (13/3) que as exportações permanecem vantajosas, mesmo com a criação de um imposto temporário de 12% sobre as vendas do petróleo bruto no mercado internacional.

Segundo ela, a alta recente dos preços do barril, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, mais do que compensa a nova taxação.

“É cenário de guerra. Tenho um produto que eu estava exportando a US$ 60 [o barril] e agora está a US$ 100. Posso reclamar de um imposto temporário de 12%? A cotação compensa o imposto em muito”, disse a executiva.

O imposto ainda depende de regulamentação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que deve definir detalhes sobre sua incidência e duração.

“Em cenário de guerra, com um aumento tão drástico assim, esse imposto de exportação, que esperamos que seja temporário, não deve impactar muito o ‘a receber’ pelas companhias, face a quão drástico foi esse aumento no mercado internacional”, complementou Magda, durante coletiva de imprensa.

A taxa de exportação foi criada como fonte de recursos para financiar a subvenção aos preços do diesel no mercado doméstico.

E repete uma iniciativa do governo Lula (PT) de 2023, quando uma série de petroleiras recorreu à Justiça e conseguiu decisões para reaver o dinheiro, sob uma tese-chave de que se trata de um imposto regulatório e que, como tal, não pode ser usado na compensação para fins orçamentários. A judicialização do caso ainda não teve um desfecho

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) reclamou que suas associadas não foram chamadas pelo governo para discutir as medidas anunciadas e informou que “está avaliando os possíveis efeitos no setor”.

Impacto quase nulo do reajuste do diesel

A estatal convocou jornalistas para explicar o reajuste do diesel, um dia após o governo federal anunciar medidas para conter o impacto do pico dos preços internacionais do petróleo sobre o consumidor.

A companhia informou que, a partir de sábado (14/3), elevará o preço do diesel A vendido às distribuidoras em R$ 0,38 por litro.

A Petrobras avalia que, com o pacote de medidas anunciado pelo governo, o saldo para o consumidor tende a ser praticamente nulo, de R$ 0,06 por litro — sem considerar eventuais ajustes nos custos do biodiesel misturado ao diesel e como o restante da cadeia (distribuidoras e postos revendedores) repassará ou não os ajustes.

“No final das contas o aumento do diesel para a sociedade é absolutamente residual”, comentou Magda.

Pressão para redução do ICMS

A presidente da Petrobras também defendeu que os estados reduzam o ICMS sobre combustíveis para ampliar o efeito das medidas adotadas pelo governo federal.

“O governo federal fez sua parte, zerou o PIS-Cofins do diesel, mitigou o aumento necessário, mas o grande tributo sobre combustível é o ICMS”, disse.

Segundo Magda, a alta do preço internacional do petróleo aumenta automaticamente a arrecadação dos estados, já que o imposto é cobrado como percentual sobre o valor do combustível. 

“Se eu tenho, por exemplo, 18% de ICMS, e se esse diesel sai de uma referência de US$ 60 para US$ 100, esse valor do ICMS traz um valor nominal para o estado que pode ser da ordem de mais de 60% de ganho”, afirmou.

“Da mesma forma que o governo federal fez a sua parte zerando o PIS-Cofins, os estados pelo menos reduzam um pouco em benefício da sociedade brasileira”, completou.

O pacote de R$ 30 bilhões do governo

O pacote de medidas do governo federal prevê cerca de R$ 30 bilhões:

  • são R$ 10 bilhões para a isenção de impostos federais;
  • mais um custo de R$ 20 bilhões para subvenção direta do diesel. 

Parte dos recursos será financiada por um imposto temporário sobre exportações de petróleo e derivados.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a expectativa é que o conjunto de medidas gere um alívio potencial de R$ 0,64 por litro no diesel — metade proveniente da subvenção e metade da redução de tributos federais.

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