Minas do agro

Zema defende competitividade de carros movidos a etanol frente aos elétricos

Política do governo estadual prevê que toda frota local deve fazer uso do etanol quando for possível

Governador de Minas Gerais, Romeo Zema, durante evento com produtores do setor sucroalcooleiro, em Brasília, em 2/4/2025 (Foto Divulgação Orplana/Cana Summit)
Governador de Minas Gerais, Romeo Zema (Novo), durante evento com produtores do setor sucroalcooleiro, em Brasília (Foto Divulgação Orplana/Cana Summit)

RIO e BRASÍLIA — O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), defendeu nesta quarta (2/4) que o Brasil deve apostar em carros a etanol como maneira mais acessível e competitiva de descarbonização da frota de veículos, em comparação aos veículos elétricos

A posição, contudo, vem em meio à tentativa do estado em atrair investidores para exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha — apelidado de Vale do Lítio — e de fábricas de baterias para veículos elétricos

“Enxergamos o carro a etanol como um veículo praticamente tão verde quanto o carro elétrico. Lembrando que muitos países que utilizam o veículo elétrico utilizam energia elétrica de usinas movidas a carvão mineral”, afirmou o governador a jornalistas, durante o Cana Summit, em Brasília.

Segundo ele, “o Brasil deveria olhar como mais atenção para o combustível renovável”, que possui uma rede pronta de abastecimento, ao contrário da eletrificação, que ainda não possui infraestrutura suficiente. 

“Enquanto temos infraestrutura de energia elétrica deficitária, onde a energia não chega em qualidade e em quantidade suficiente, no caso do etanol, há toda uma infraestrutura pronta”.

Além disso, Zema também destacou a vantagem dos carros a combustão serem produzidos no Brasil, enquanto os elétricos e baterias são importados. 

“[O carro movido a etanol] é um carro produzido no Brasil, que gera emprego no Brasil, com tecnologias que dominamos, e que em termos de emissão não é muito diferente dos carros elétricos”. 

“Quem compra carro elétrico é um consumidor de altíssima renda, enquanto temos carro a etanol de todos os valores no mercado e amplo estoque de carros usados”, completou.

Industrializaçao do lítio

A inciativa Vale do Lítio, lançada durante seu governo, envolve uma região é formada por 14 cidades: Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Virgem da Lapa, Teófilo Otoni e Turmalina e Rubelita e Salinas.

Já desenvolvem projetos de extração de lítio na região, empresas como Lightning Minerals, Latin Resources, Atlas Lithium e Sigma Lithium – esta última com empreendimento mais avançado e de maior escala no Brasil. 

“O lítio tem atraído milhões em investimentos, somos exportadores de lítio beneficiado, o lítio é o metal da transição”.

Contudo, o governador mineiro acredita que, além da exploração do mineral, o país “precisa ter uma fábrica de baterias de lítio”, não só para atender à indústria de veículos elétricos, como também de equipamentos para transição energética. 

Zema também destacou a iniciativa da montadora Stellantis que, no mês pasado, inaugurou o maior centro de mobilidade híbrida-flex da América Latina, em Minas Gerais. E que espera que esses modelos sejam produzidos no estado. 

“Temos o maior interesse [na atração de fábricas de veículos elétricos e bateria], tanto é que a Stellantis já inciou a produção de carros híbridos, que se produzidos em Minas Gerias terão tratamento tributário especial”, afirmou. 

Agronegócio ganha espaço da mineração

Minas Gerais é a segundo maior consumidor de etanol no Brasil, ficando atrás de São Paulo. Além disso, estado é o terceiro maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, responsável por 12,17% da produção nacional, segundo maior na produção de açúcar (13,2%), e quarto em etanol (11,4%).

O governador avalia que o agronegócio, por meio do setor sucroenergético, tem o potencial de expandir ainda mais sua participação na economia do estado, focando especialmente em novas fronteiras agrícolas a partir da recuperação de pastagens degradadas. 

“Em 304 anos de Minas Gerais, tivemos exportações do agro superiores as atividades da mineração, que é uma atividade não renovável”, disse.

“Enquanto minas vão ser exauridas com o tempo, o agro, além de ser renovável, tem um potencial que vai aumentando com novas fronteiras agrícolas, e pastagens degradadas que podem ser recuperadas. O agro vai representar cada vez uma parcela maior da economia mineira”.

O governador mineiro destacou ainda que o estado hoje é uma dos que possui a maior diferença de tributação entre o etanol e a gasolina. A alíquota do ICMS sobre a gasolina em Minas Gerais é de 31%, e sobre o etanol hidratado é de 13,08%.

“Demonstra que estamos fazendo um esforço para o que o combustível renovável tenha uma tributação menor que incentiva o seu uso”. 

E também destacou que uma das suas políticas prevê que toda a frota do estado deve fazer uso do etanol quando for possível. 

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