RIO e BRASÍLIA — O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), defendeu nesta quarta (2/4) que o Brasil deve apostar em carros a etanol como maneira mais acessível e competitiva de descarbonização da frota de veículos, em comparação aos veículos elétricos.
A posição, contudo, vem em meio à tentativa do estado em atrair investidores para exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha — apelidado de Vale do Lítio — e de fábricas de baterias para veículos elétricos.
“Enxergamos o carro a etanol como um veículo praticamente tão verde quanto o carro elétrico. Lembrando que muitos países que utilizam o veículo elétrico utilizam energia elétrica de usinas movidas a carvão mineral”, afirmou o governador a jornalistas, durante o Cana Summit, em Brasília.
Segundo ele, “o Brasil deveria olhar como mais atenção para o combustível renovável”, que possui uma rede pronta de abastecimento, ao contrário da eletrificação, que ainda não possui infraestrutura suficiente.
“Enquanto temos infraestrutura de energia elétrica deficitária, onde a energia não chega em qualidade e em quantidade suficiente, no caso do etanol, há toda uma infraestrutura pronta”.
Além disso, Zema também destacou a vantagem dos carros a combustão serem produzidos no Brasil, enquanto os elétricos e baterias são importados.
“[O carro movido a etanol] é um carro produzido no Brasil, que gera emprego no Brasil, com tecnologias que dominamos, e que em termos de emissão não é muito diferente dos carros elétricos”.
“Quem compra carro elétrico é um consumidor de altíssima renda, enquanto temos carro a etanol de todos os valores no mercado e amplo estoque de carros usados”, completou.
Industrializaçao do lítio
A inciativa Vale do Lítio, lançada durante seu governo, envolve uma região é formada por 14 cidades: Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta, Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Virgem da Lapa, Teófilo Otoni e Turmalina e Rubelita e Salinas.
Já desenvolvem projetos de extração de lítio na região, empresas como Lightning Minerals, Latin Resources, Atlas Lithium e Sigma Lithium – esta última com empreendimento mais avançado e de maior escala no Brasil.
“O lítio tem atraído milhões em investimentos, somos exportadores de lítio beneficiado, o lítio é o metal da transição”.
Contudo, o governador mineiro acredita que, além da exploração do mineral, o país “precisa ter uma fábrica de baterias de lítio”, não só para atender à indústria de veículos elétricos, como também de equipamentos para transição energética.
Zema também destacou a iniciativa da montadora Stellantis que, no mês pasado, inaugurou o maior centro de mobilidade híbrida-flex da América Latina, em Minas Gerais. E que espera que esses modelos sejam produzidos no estado.
“Temos o maior interesse [na atração de fábricas de veículos elétricos e bateria], tanto é que a Stellantis já inciou a produção de carros híbridos, que se produzidos em Minas Gerias terão tratamento tributário especial”, afirmou.
Agronegócio ganha espaço da mineração
Minas Gerais é a segundo maior consumidor de etanol no Brasil, ficando atrás de São Paulo. Além disso, estado é o terceiro maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, responsável por 12,17% da produção nacional, segundo maior na produção de açúcar (13,2%), e quarto em etanol (11,4%).
O governador avalia que o agronegócio, por meio do setor sucroenergético, tem o potencial de expandir ainda mais sua participação na economia do estado, focando especialmente em novas fronteiras agrícolas a partir da recuperação de pastagens degradadas.
“Em 304 anos de Minas Gerais, tivemos exportações do agro superiores as atividades da mineração, que é uma atividade não renovável”, disse.
“Enquanto minas vão ser exauridas com o tempo, o agro, além de ser renovável, tem um potencial que vai aumentando com novas fronteiras agrícolas, e pastagens degradadas que podem ser recuperadas. O agro vai representar cada vez uma parcela maior da economia mineira”.
O governador mineiro destacou ainda que o estado hoje é uma dos que possui a maior diferença de tributação entre o etanol e a gasolina. A alíquota do ICMS sobre a gasolina em Minas Gerais é de 31%, e sobre o etanol hidratado é de 13,08%.
“Demonstra que estamos fazendo um esforço para o que o combustível renovável tenha uma tributação menor que incentiva o seu uso”.
E também destacou que uma das suas políticas prevê que toda a frota do estado deve fazer uso do etanol quando for possível.