Combustíveis e Bioenergia

Adiar venda de refinarias seria "rasgar dinheiro", defende AGU no Supremo

José Levi defende não só a venda de refinarias, como também o sentido econômico da entrada de novos agentes no mercado de refino

Adiar venda de refinarias da Petrobras seria "rasgar dinheiro", defende AGU, José Levi, no Supremo, em 30 de setembro de 2020 (Foto AGU Divulgação)
AGU, José Levi, durante sustentação oral no STF, em 30 de setembro de 2020 (Foto AGU Divulgação)

O advogado-geral da União, ministro José Levi, defendeu não apenas a legalidade da criação de subsidiárias pela Petrobras para vender suas refinarias, como o sentido econômico da entrada de novos agentes no mercado de refino e uma urgência para o foco da companhia em ativos de maior rentabilidade.

“Nós já temos carros elétricos nas ruas. Não vender [as refinarias] agora é rasgar dinheiro”, afirmou.

O Supremo Tribunal Federal (STF) recomeçou nesta quarta (30) o julgamento da ação encabeçada pelo Senado Federal e partidos de oposição, como PT e PDT, contra a venda das refinarias. A sessão recomeça amanhã, às 14 horas, com o voto do relator Edson Fachin, que já se posicionou contra os planos da empresa.

Em discussão, está a legalidade do modelo de venda. A Petrobras decidiu criar subsidiárias para concentrar refinarias e ativos associados de logística, entendendo que não precisa de aval do Congresso Nacional, conforme julgamento do STF no ano passado – a corte decidiu que apenas a privatização das empresas públicas precisa de aprovação dos parlamentares.

Para o Senado, é um drible jurídico. A argumentação é que a venda das refinarias representa uma privatização em fases ou um “fatiamento” da empresa. A criação das subsidiárias seria uma forma da Petrobras se esquivar do Legislativo, usando ilegalmente a decisão do STF.

[sc name=”adrotate” ]

“Não se trata de arrefecer ou enaltecer se há mais ou menos Estado. A questão não é essa”, afirmou o advogado Walber de Moura Agra, representando o PDT, partido incluído como parte interessada na ação.

Walber Agra defendeu que a criação de novas empresas se justificaria, legalmente, “quando há necessidade de se desvencilhar um novo ramo [de atuação], produzir novos espaços, evoluir a atividade econômica”.

Para o advogado, a criação de subsidiárias pela Petrobras, sem o desenvolvimento de novos negócios, trata-se de “abuso de poder” do governo federal.

“A autorização para constituição de subsidiárias na lei 9478 [na Lei do Petróleo], no artigo 64, não é genérica, mas limitada ao ‘estrito cumprimento de atividades do objeto social, que integrem a indústria do petróleo’. Certamente, não permite constituição de subsidiária para o exato oposto, que é não explorar, não refinar”, sustentou o advogado-geral do Senado, Thomaz Azevedo.

O contraponto é que a venda de ativos e mudanças na estratégia de negócio são naturais de qualquer empresa e, portanto, estão alinhados com os objetivos da Petrobras.

“A Petrobras optou pelo modelo de subsidiária pra robustecer a transação, de modo a torná-la mais vantajosa para a Petrobras e, portanto, para a Fazenda Pública”, defendeu José Levi. O ponto é a criação de empresas facilita a transferência de contratos e obrigações tributárias, elevando a atratividade dos ativos.

“Ano passado, a Petrobras desinvestiu 16 bi [de reais] graças ao Supremo Tribunal, que autorizou a operação da TAG. Em 2019, a Petrobras fez outros 27 bi em investimentos (…) pode arrematar o campo de Búzios, do pré-sal, e graças a isso, teve produtividade e exportações recordes, mesmo em meio a pandemia”, diz Levi.

A produção, no caso, caiu por efeito da pandemia, de 2,34 milhões de barris de óleo por dia (b/d), no primeiro trimestre, para 2,26 milhões de b/d no segundo trimestre. Reflexo da queda na demanda por óleo e impactos operacionais. De fato, exportações, a produção de Búzios e a participação do pré-sal no resultado total da Petrobras bateram recorde.

O AGU afirma que a venda de refinarias é necessária para evitar “patologias decorrente da concentração de mercado”, em referência ao acordo proposto pela Petrobras e ratificado por maioria pelo Cade, em 2019, que levou ao plano atual de venda de aproximadamente metade da capacidade de refino da companhia. Até o momento, nenhuma alienação foi concluída.

[sc name=”adrotate” ]

Transição energética vira argumento para venda

Mudanças no perfil de consumo do combustíveis, em um cenário de substituição de combustíveis fósseis, na visão de Levi, é mais uma justificativa do por que a venda das unidades é salutar para a Petrobras.

“Nós já temos carros elétricos nas ruas! Não vender agora é rasgar dinheiro. Pedindo perdão por esse argumento metajurídico – mas eu preciso rebater outros, que me antecederam – e por todo o exposto, a União roga que seja julgada improcedente a reclamação pelo o que ela diz e pelo que ela não diz”, afirma o ministro.

“Enfim, é preciso abrir o setor de refino”, conclui.

Além do ministro José Levi, a defesa da Petrobras contou com o vice-procurador-geral da República, Humberto Medeiros, o advogado da Caixa Econômica Federal, Vicente Araújo, e Tales Macedo, advogado da companhia.

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias