Mais que dobrou em três semanas

A conta da guerra: reconstruir infraestrutura energética no Oriente Médio exigirá US$ 58 bi, calcula Rystad

Cadeia de suprimentos global vai viver teste de estresse, indica consultoria

Trabalhadores na planta Pearl GTL, responsável pela conversão de gás em líquidos, em Doha, no Catar (Foto Mena/Divulgação)
Trabalhadores na planta Pearl GTL, responsável pela conversão de gás em líquidos, em Doha, no Catar (Foto Mena/Divulgação)

O custo para reconstruir as infraestruturas de energia afetadas pela guerra no Oriente Médio até o momento  já chega a US$ 58 bilhões, segundo a Rystad Energy

Para além dos impactos humanitários, o cálculo indica que a recuperação da capacidade produtiva da região será difícil e terá impacto global na indústria, com uma competição por suprimentos e fornecedores. 

Segundo a Rystad, o processo de reconstrução vai ser um teste de estresse para a cadeia de suprimentos mundial, pois vai exigir o redirecionamento de atividades, equipamentos e empresas que estavam comprometidos com novos projetos. 

Além disso, atividades de reparo devem tomar o lugar da execução de outros empreendimentos, já que a tendência é que os operadores priorizem a restauração da produção existente em detrimento do desenvolvimento de novas áreas.

“Os trabalhos de reparação não criam nova capacidade, mas redirecionam a capacidade existente, e isso terá impacto em atrasos nos projetos e na inflação, muito além do Oriente Médio”, afirma o analista sênior de pesquisa para a cadeia de suprimentos da Rystad, Karan Satwani.

Segundo a Rystad, o acesso a equipamentos, construtoras e logística será o principal gargalo para a retomada da indústria na região. Esses fatores são mais críticos no momento do que a disponibilidade de capital. 

O valor ainda pode aumentar, já que ainda não está claro o que vai acontecer após o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos, Israel e Irã anunciado em 8 de abril. 

A conta mais que dobrou em pouco tempo. Há três semanas, a Rystad calculava que o custo de reconstrução era de US$ 25 bilhões, mas novos ataques ampliaram a destruição entre o final de março e o começo de abril. 

O conflito teve início em 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e Israel ao Irã e a retaliação dos persas envolvendo outros países da região. 

Segmentos mais afetados

Os ativos de refino e petroquímica vão demandar a maior parte dos valores previstos para reconstrução, segundo a Rystad. 

Ao todo, serão necessários US$ 50 bilhões apenas para a indústria de petróleo e gás. Outros US$ 8 bilhões são estimados para fundições, siderúrgicas, usinas de energia e instalações de dessalinização.

Engenharia e construção representam a maior parte do desembolso total previsto, seguidas por equipamentos e materiais.

Países mais afetados

Alvo dos ataques iniciais da guerra, o Irã é o que sofreu maiores danos em infraestrutura. Os custos de reparo no país chegam a US$ 19 bilhões. 

Grandes avarias ocorreram no projeto de produção terrestre de gás South Pars e nos complexos adjacentes, além do complexo petroquímico Mahshahr. 

Também houve impactos em grandes refinarias, em ativos de armazenamento de combustíveis e na infraestrutura de exportação. 

Outro país fortemente afetado é o Catar. Segundo a Rystad, a destruição no país foi mais concentrada, mas tem uma complexidade técnica maior. 

Os danos ocorreram sobretudo na cidade industrial de Ras Laffan, com a parada de diversos trens de gás natural liquefeito (GNL), além da planta de liquefação Pearl. 

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