O terceiro leilão do Programa Eco Invest Brasil mobilizou R$ 52,8 bilhões em investimentos em participação societária (equity), divulgou nesta quarta (28/1) o Tesouro Nacional. Deste total, R$ 34 bilhões são para transição energética.
Coordenada pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fazenda, a iniciativa tem como objetivo atrair investimentos externos em equity com recursos do Fundo Clima.
Segundo o Tesouro Nacional, a demanda alcançou potencial de mobilizar cerca de R$ 80 bilhões em investimentos em participação societária (equity) a partir de R$ 24 bilhões em recursos públicos.
Do total demandado, foram homologados R$ 15 bilhões em capital catalítico público, volume capaz de viabilizar cerca R$ 53 bilhões em investimentos em equity, estima o governo.
A alocação dos recursos tem como premissas o Plano de Transformação Ecológica desenhado pela Fazenda, onde são elencadas atividades em que o Brasil possui vantagem competitiva.
De acordo com o Tesouro, projetos de transição energética concentraram 64,5% das propostas homologadas.
Em seguida veio bioeconomia (16%), infraestrutura verde para adaptação (10,4%) e economia circular (9,1%).
No recorte por tipo de projeto, o Tesouro destaca o interesse dos investidores pelos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês) com R$ 12,2 bilhões na carteira de projetos homologados.
Houve forte apetite também pelas cadeias de baterias e veículos elétricos, que concentraram R$ 9,3 bilhões.
Já os projetos relacionados à produção de biogás e de biomassa somam R$ 5,2 bilhões, enquanto sistemas de armazenamento de energia (BESS) e microrredes mobilizaram R$ 2,8 bilhões.
A partir da homologação do leilão, as instituições financeiras têm até 24 meses para mobilizar capital externo e 60 para realizar os aportes nas investidas.
Nesta rodada, seis instituições financeiras tiveram propostas homologadas. O Itaú concentrou a maior parcela dos recursos, com previsão de responder por cerca de 50% do total aprovado, equivalente a uma carteira próxima de R$ 30 bilhões.
Em seguida aparece a Caixa Econômica Federal, com investimentos estimados em R$ 9 bilhões. Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil também foram selecionados. Veja o resultado (.pdf)
Quarto leilão em andamento
Com três leilões concluídos, o Eco Invest chega a 127 bilhões de reais mobilizados para a transição ecológica e o quarto certame já está em andamento.
Lançado durante a COP30, em 2025, o próximo leilão tem como foco projetos de bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura habilitante na Amazônia. O prazo para submissão encerra em 25 de fevereiro de 2026.
Segundo o MMA, o desenho da concorrência busca desenvolver mercados regionais e integrar comunidades, empreendedores, cooperativas, empresas-âncora e instituições financeiras, criando ambientes econômicos capazes de competir com atividades historicamente associadas à pressão ambiental.
