A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai realizar, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, uma auditoria para avaliar a conformidade do Sistema de Gerenciamento de Integridade de Poços (SGIP) no bloco exploratório FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
A fiscalização será realizada após a Petrobras registrar um incidente com a sonda ODN II (NS-42), que resultou na descarga de 18.440 litros de fluido sintético de perfuração no dia 4 de janeiro. São 23 dias desde o incidente que paralisou a perfuração do primeiro poço do projeto em águas profundas do Amapá.
A autoria será remota, e é uma etapa necessária para que a agência autorize a retomada das atividades no poço.
Além da ANP, o caso também vem sendo acompanhado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ao órgão ambiental, a Petrobras afirmou na semana passada que ainda investiga as causas do vazamento.
A estatal também descartou quaisquer problemas com a sonda ou com o poço, e afirma que ambos “permanecem em total condição de segurança”. A companhia pretende retomar a atividade após a conclusão dos trabalhos de reparo — que ainda não tem data.
A agência determinou que Petrobras apresente até o dia 6 de fevereiro um diagnóstico inicial das falhas identificadas.
Após o incidente, no dia 9 de janeiro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), chegou a afirmar a jornalistas que a perfuração no poço exploratório deveria ser retomada em até 30 dias.
“A informação que tive é de que não tem nada que possa ter impacto, que comprometa. É uma questão menos relevante. Mas, é claro, com todo o cuidado que requer a parte ambiental, que a Petrobras está fazendo um ‘checklist’ para poder dar continuidade à atividade. Vai levar 30 dias no máximo”, disse Silveira.
Vazamento no poço Morpho
O vazamento no dia 4 de janeiro ocorreu na linha de booster, durante as atividades de perfuração do poço Morpho. Um robô subaquático foi acionado para inspeção da coluna de riser e constatou a descarga do fluido de perfuração para o mar, a aproximadamente 2.700 metros de profundidade.
Após identificar a falha, as operações foram interrompidas imediatamente e a ANP foi notificada no mesmo dia.
Na mesma semana, equipes da Petrobras e da Superintendência de Segurança Operacional (SSO) da ANP se reuniram por videoconferência para discutir o episódio.
A despeito da Petrobras informar que o fluido vazado está dentro dos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, o incidente foi classificado pela agência reguladora como risco de dano à saúde humana e dano ao meio ambiente.
