NESTA EDIÇÃO. Preço do barril oscila com tensões no Irã e Venezuela.
Produção da Petrobras tem alta de 11% em 2025.
CMSE recomenda plano de ação para baixo volume de chuvas.
Reino Unido contrata 8,4 GW em eólicas offshore no maior leilão da Europa.
Justiça suspende licença para projeto de hidrogênio da Solatio no Piauí.
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Oscilações do petróleo com tensões geopolíticas geram incertezas para preços dos combustíveis
Os preços do barril do petróleo voltaram a ter grandes oscilações nas primeiras semanas de janeiro, devido às tensões geopolíticas em países importantes para esse mercado, como a Venezuela e o Irã.
O cenário gera incertezas sobre os reajustes nos preços dos combustíveis no Brasil, tema sensível sobretudo no começo de um ano eleitoral.
- Depois de cinco dias consecutivos de alta, na quinta (15/1) o Brent recuou 4,14%, a US$ 63,76 o barril. Já o WTI encerrou o dia a US$ 59,19 o barril, queda de 4,56% .
- A recente sequência de alta vinha sendo sustentada pelas incertezas sobre o Irã, um dos maiores produtores do mundo. O país enfrenta uma onda de protestos contra o atual governo.
- Os preços voltaram a cair depois da sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não vai atacar o país. Trump vinha apoiando as manifestações nos últimos dias.
Outro sinal de alívio para o mercado global foi a indicação da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, de que fará reformas para atrair investimentos para a produção de petróleo no país.
- Segundo Rodrígues, a Venezuela produziu 1,2 milhão de barris/dia em dezembro.
Com o arrefecimento das tensões entre EUA e Irã e a perspectiva de aumento na oferta venezuelana, o mercado global retoma as perspectivas de sobreoferta da commodity que vinham se desenhando para 2026 e apontavam para uma queda nos preços.
- A commodity vivia uma trajetória de queda antes das crises geopolíticas.
Com isso, há incertezas sobre quando a Petrobras fará mudanças nos preços dos combustíveis para o mercado interno. A estatal tem buscado manter uma política de “movimentos graduais”, sem acompanhar as oscilações de curto prazo.
- Os preços do diesel estão inalterados desde maio. No caso da gasolina, o reajuste mais recente foi em outubro.
Nas últimas semanas, os preços dos combustíveis da Petrobras ficaram acima das cotações no mercado internacional em diversas ocasiões e abriram espaço para a atuação dos importadores, segundo a Abicom.
- A entidade estima que o litro da gasolina vendida pela estatal chegou a ficar R$ 0,34 mais cara que os preços internacionais no dia 7 de janeiro. Nesse mesmo dia, o diesel estava R$ 0,17 acima da paridade
- Na quinta (15), a Abicom estimou que a gasolina seguia R$ 0,22 acima dos preços globais, com espaço para uma redução de 8%. O diesel, no entanto, estava R$ 0,13 abaixo da paridade internacional, com uma diferença de 4%.
- Ao definir o preço nas refinarias, a estatal não se baseia apenas na cotação do Brent ou na paridade de exportação, mas também na evolução do câmbio e na participação do mercado.
O tópico é sensível para a população, que já vem sentindo no bolso o aumento dos impostos estaduais, que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026.
- A alta no ICMS tem impactos na inflação do diesel, gasolina e gás de cozinha (GLP).
- Leia no site: Aumento no ICMS deixa combustível mais caro em 2026
Apreensão de petroleiros. Os Estados Unidos apreenderam, na quinta-feira (15), mais um petroleiro ligado à Venezuela no mar do Caribe. A operação foi revelada pela agência de notícias Reuters e os EUA confirmaram. Este é o sexto petroleiro apreendido.
- O petroleiro Veronica navegava com a bandeira da Guiana, segundo o site de monitoramento marítimo Marine Traffic.
Venda do óleo. Os EUA começaram a vender o petróleo recebido da Venezuela, avaliado em US$ 500 milhões. Na semana passada, as autoridades venezuelanas concordaram em entregar aos EUA até 50 milhões de barris de petróleo de estoques existentes. (CNN)
Produção da Petrobras. A estatal produziu 2,4 milhões de barris/dia de petróleo em 2025, aumento de 11% na comparação anual. O volume superou a meta prevista para o ano passado, segundo comunicado divulgado na quinta (15) à noite.
- Também superando a meta, a produção total de óleo e gás natural ficou em 2,99 milhões de barris/dia de óleo equivalente, um aumento de 11% em relação à produção de 2024.
Leilão do óleo de Bacalhau. O lote do primeiro leilão de petróleo da União no campo de Bacalhau foi arrematado pela Equinor. O volume adquirido foi de um milhão de barris, com carregamento previsto para o final de março de 2026.
- A segunda etapa do leilão está marcada para 11 de março e vai vender duas ou três cargas restantes, com um milhão de barris cada.
Expansão da oferta de gás. O conselho de administração da NTS aprovou a decisão final de investimento para os dois projetos críticos da expansão da oferta de gás natural produzido no pré-sal: a Estação de Compressão em Japeri (Corredor Pré-sal) e o Ponto de Recebimento de Raia, em Macaé, ambos no Rio de Janeiro.
Escassez de chuvas. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) recomendou, na reunião de quarta-feira (14), a elaboração de um plano de ação para tratar das reduções de vazão mínima na bacia do Paraná.
- O CMSE sinalizou que, a depender da evolução das condições hidrológicas no mês de fevereiro, poderá haver novas reduções na vazão mínima a partir de março, após o período de piracema.
- O sistema Cantareira completou uma semana com o volume útil reservado abaixo dos 20%. A situação, se mantida até o fim de janeiro, limita a retirada de água de uma das principais fontes de abastecimento de São Paulo e da região metropolitana (Folha de São Paulo)
Ressarcimentos no setor elétrico. A diretoria da Aneel votará, na próxima terça-feira (20), uma medida cautelar para suspender por 90 dias os ressarcimentos que os geradores elétricos devem fazer para os consumidores quando não geram a energia esperada.
- A suspensão é necessária por uma imposição legal, devido à lei que aprovou o ressarcimento para os geradores afetados por cortes de geração. Na prática, haverá um encontro de contas.
Retração da solar. O mercado de energia solar fotovoltaica no Brasil reduziu em 29% a potência adicionada em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo levantamento da Absolar. O setor adicionou 10,6 GW em 2025, ante 15 GW em 2024.
- A associação afirma que a queda na expansão foi influenciada pelos cortes de geração, além do alto custo de capital para crédito e a elevação do imposto de importação de equipamentos.
Leilão de eólicas offshore. O governo do Reino Unido realizou, na quarta (14), o maior leilão de eólicas offshore já feito na Europa, com a contratação de 8,4 GW de nova capacidade instalada. A expectativa é que o leilão destrave cerca de £ 22 bilhões (R$ 158 bilhões) em investimento privado.
- O governo ressaltou que acelerar o investimento em energia limpa produzida no país reduz a exposição do Reino Unido a mercados globais voláteis de combustíveis fósseis, que registraram disparadas de preços em 2025.
Buenos Aires sem luz. Um apagão deixou sem eletricidade pelo menos quatro milhões de pessoas na cidade de Buenos Aires e na sua região metropolitana na quinta (15). A interrupção no fornecimento de energia foi provocada por uma falha numa subestação da distribuidora Edenor (La Nación/Valor Econômico)
Projeto de hidrogênio suspenso. A Justiça Federal da 1ª Região determinou a suspensão do projeto de hidrogênio verde e amônia verde da Solatio no litoral do Piauí, após acatar pedido do Ministério Público Federal (MPF).
- O projeto, batizado de Solatio H2V Piauí, vinha sendo apresentado pelo governo piauiense como um dos maiores investimentos privados já anunciados no estado, com aporte inicial estimado em R$ 27 bilhões.
Descarbonização do transporte marítimo. A Petrobras fechou um contrato para fornecer combustível marítimo com uma parcela de biodiesel ao armador norueguês Odfjell, com a entrega de até 12 mil toneladas ao longo de 2026.
- O acordo prevê o fornecimento do chamado Very Low Sulfur (VLS) B24, um combustível com baixo teor de enxofre composto por 24% de biodiesel e 76% de óleo mineral oriundo de refinarias da estatal.
Financiamento de biocombustíveis. O BNDES aprovou R$ 6,4 bilhões em crédito para produção de biocombustíveis em 2025, superando o recorde anterior, de R$ 4,8 bilhões, registrado em 2010.
- Nos últimos três anos, já foram aprovados R$ 13,3 bilhões, cifra 204% maior que a alcançada entre 2019 e 2022.
Comercializadora de etanol. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou sem restrições a aquisição de ações da Evolua Etanol, detidas pela Vibra Energia, pela Copersucar.
- A parceria entre as empresas foi firmada em 2021, e a partir de agora a Copersucar assume a totalidade da Evolua; a Vibra detinha 49,99% das ações.
Recurso contra venda da Emae. O conselheiro do Cade José Levi, relator do recurso da Phoenix Água e Energia contra a aquisição do controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) pela Sabesp, votou pela rejeição do recurso e aprovação da operação.
- A compra custou R$ 1,131 bilhão e foi aprovada sem restrições em dezembro pela Superintendência-Geral do órgão antitruste. O caso está em votação até a próxima segunda-feira (19) no circuito deliberativo do órgão.
Opinião: O Brasil Equatorial não pode aceitar que a ineficiência de planejamento do sistema elétrico se transforme em uma regra de exclusão econômica, escreve o diretor–presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos.

