NESTA EDIÇÃO. Negociação de combustíveis em leilões vai levar a preços mais caros na ponta.
IEA indica que pode liberar mais estoques em meio à guerra no Oriente Médio. Líderes europeus reagem a pedido de ajuda dos EUA para liberar Estreito de Ormuz.
ONS diz ao TCU que atraso no leilão de reserva de capacidade pode deixar energia mais cara.
Brasil e Bolívia fecham acordo para interconexão elétrica.
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Petrobras amplia vendas de combustíveis em leilões, a preços acima da tabela
Os leilões de diesel da Petrobras levaram a venda do combustível até 75% mais caro, com “prêmio” chegando a R$ 2,65 por litro em polos do Norte e Nordeste. O “prêmio” é o jargão do mercado para o valor cobrado acima do preço de tabela nas bases e refinarias.
Assim, mesmo com reajustes abaixo das cotações internacionais, a companhia acaba repassando a uma parcela do mercado interno a pressão inflacionária gerada pela guerra no Oriente Médio.
Os leilões foram programados antes do reajuste de sábado (14/3), quando o diesel A da Petrobras subiu de R$ 3,10 para R$ 3,65 por litro – mais 38 centavos, dos quais 32 centavos são transmitidos na cadeia em razão da mistura de 15% de biodiesel.
Ao todo, a companhia ofertou 190 milhões de litros desde o leilão de Canoas (RS), no Rio Grande Sul, realizado após produtores rurais se queixarem da falta de combustível. Um leilão de lote adicional de 40 milhões de litros programado para segunda (16) foi adiado.
- Os maiores preços foram registrados na oferta para as regiões Norte e Nordeste, onde 80 milhões de litros foram vendidos com adicional de até R$ 2,650 por litro. O lance inicial era de R$ 2,05 por litro.
- É um ágio de cerca de 75% em comparação com valores de importantes polos da região, como Ipojuca (PE), onde fica a refinaria Abreu e Lima; e Pecém (CE) e São Luís (MA), portos de entrada dos combustíveis na região.
- No Sudeste, os volumes para Paulínia atingiram prêmios de até R$ 2,41/litro, enquanto em bases para atendimento à Região Metropolitana de São Paulo alcançaram R$ 2,23/litro. São ágios da ordem de 60%.
Os preços são próximos da paridade internacional, repassada parcialmente pelos leilões para o mercado interno, enquanto a maior parte do fornecimento segue os valores da tabela reajustada no sábado.
- Os cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que mesmo após o aumento o litro de diesel nas refinarias da estatal ainda estava 60% abaixo do internacional na segunda, com espaço para um aumento de R$ 2,18. Na gasolina a diferença era de 50% ou R$ 1,26 por litro.
Em nota, a estatal afirma que “a venda de produtos por meio de leilão é uma prática comercial prevista nos contratos firmados com as distribuidoras, com o objetivo de complementar a oferta regular ou a captura de oportunidades através da venda de volumes adicionais, de forma competitiva, transparente e isonômica”.
Preço de referência. O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt, disse que a “prioridade máxima” da agência é definir o preço de referência do diesel no âmbito da Medida Provisória 1340, que viabilizou a subvenção do preço do diesel diante da alta do produto no mercado internacional.
Barril em queda. O petróleo fechou em queda na segunda-feira (16/3), em sessão marcada por volatilidade e com o Brent ainda acima dos US$ 100 o barril, conforme investidores monitoram o conflito no Oriente Médio e pressão dos EUA para o escoamento da commodity pelo Estreito de Ormuz.
- O Brent para maio recuou 2,84% (US$ 2,93), a US$ 100,21 o barril.
- Líderes europeus reagiram ao apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para formar uma coalizão internacional destinada a garantir a segurança do estreito.
- O Reino Unido afirmou que trabalha com aliados em um plano para restabelecer a navegação, mas “não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla”, afirmou o primeiro-ministro Keir Starmer.
Liberação de estoques. O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, afirmou que os países-membros poderão liberar mais petróleo no mercado futuramente “conforme e se necessário”, após já terem concordado com a maior liberação de reservas de todos os tempos.
- De acordo com Birol, restaram mais de 1,4 bilhão de barris nas reservas de emergência dos membros.
Choque do petróleo. Até o momento, não há evidências de risco de desabastecimento de produtos químicos no Brasil em razão do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, segundo a Abiquim. Os impactos mais relevantes, explica a associação, ocorrem especialmente nos mercados de energia, fertilizantes e logística marítima internacional.
Tartaruga Verde e Espadarte. A Petrobras informou que quer comprar os 50% de participação da Petronas no campo Tartaruga Verde e no módulo 3 do campo de Espadarte, ambos na Bacia de Campos. Os ativos já são operados pela Petrobras e, caso a operação seja concluída, a estatal voltará a deter 100% de participação nesses campos.
- A companhia exerceu o direito de preferência para aquisição das participações da Petronas, anulando a aquisição pela Brava, anunciada em janeiro.
Risco de apagão. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avalia que se o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) não for realizado, as soluções no horizonte para 2026 vão deixar a energia mais cara.
- Diante dos dados apresentados pelo órgão sobre a oferta de potência, a perspectiva de apagão em 2028 entra no radar.
Gás argentino. A Galp obteve autorização da ANP para importar até 20 milhões de m³/dia de gás natural da Argentina, por dois anos, via Bolívia. A Galp mira como mercado potencial os segmentos termelétrico, distribuidoras e consumidores livres.
Acordo Brasil-Bolívia. O presidente Lula e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, assinaram um acordo na segunda (16/3) para viabilizar a interconexão elétrica entre os dois países.
- Os pontos de conexão serão na província de Germán Busch, do Departamento de Santa Cruz, na Bolívia, e no município de Corumbá (MS), no Brasil.
R$ 1 bi para distribuição. O grupo Energisa captou R$ 1,05 bilhão em debêntures do BNDES para investimentos em suas distribuidoras no Acre, em Mato Grosso e no Tocantins.
- Os recursos serão direcionados para substituição de equipamentos e conexão de novas unidades consumidoras à rede elétrica, entre outras demandas.
Plano Clima. Publicado na sexta (13/3), o caderno de mitigação do Plano Clima manteve o roteiro apresentado para consulta pública no final de julho de 2025, como a meta de 800 MW de baterias até 2035 e o foco na redução de emissões do óleo e gás — sem perspectivas de limitar a produção.
- O plano reforça a visão predominante no governo federal de que o “vilão” a ser combatido são as emissões e não o petróleo. Saiba mais na diálogos da transição.
Teste com B100. Volkswagen Caminhões e Ônibus e Amaggi iniciaram os testes com biodiesel puro (B100) em estradas do Centro-Oeste e do Norte do país. As empresas farão os testes em um caminhão por 12 meses, na rota típica de transporte de grãos realizada pela produtora, que conecta Sinop (MT) a Matupá (MT), e segue até Miritituba (PA).

