Mercado livre de energia

Com fim dos subsídios, janelas de oportunidade no mercado livre passam a depender mais do preço, diz Armor

Consumidores de média e alta tensão terão que aproveitar janelas de oportunidade para migração

Fred Menezes é diretor-executivo da Armor Energia (Foto Divulgação)
Fred Menezes é diretor-executivo da Armor Energia (Foto Divulgação)

Com o fim dos subsídios do mercado livre de energia, as janelas de oportunidade de migração dependerão mais dos preços oferecidos aos consumidores, na visão do diretor de comercialização da Armor Energia, Fred Menezes.

No mercado livre de energia, o consumidor pode escolher o fornecedor, por meio da negociação direta com um gerador ou com uma comercializadora.

Nesses contratos, os preços negociados têm como base o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que reflete a expectativa do custo da energia no futuro e depende, dentre outros fatores, de condições do sistema, como os riscos de escassez hídrica.

Para Menezes, as janelas de oportunidade para ampliar as migrações para o mercado livre de agora em diante vão depender cada vez mais das projeções para o PLD.

Até o fim de 2025, a grande vantagem da migração para o mercado livre eram os descontos nas tarifas de transmissão e distribuição (TUSD/TUST) para novos consumidores.

O subsídio foi encerrado com a sanção da Lei 15.269/2025, que moderniza o marco regulatório do setor elétrico.

“O consumidor se beneficiava muito desse desconto da energia incentivada (gerada por fontes renováveis) a 50% e 100% porque era em cima da TUST. (…) O mercado livre de energia começa a competir com o mercado cativo sem esse desconto”, afirmou Menezes.

Com o fim dos descontos, os preços de tarifas, encargos e impostos dos mercados regulado e livre estão mais próximos, e a vantagem que o mercado livre pode oferecer ao consumidor é na projeção do PLD.

Hoje, o mercado livre no Brasil está aberto apenas a consumidores de média e alta tensão. A abertura para os demais consumidores está prevista para começar apenas em 2027.

Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), em novembro de 2025, 95% de toda a eletricidade consumida pelas indústrias brasileiras foi contratada no ambiente livre. No caso do comércio, o percentual foi de 47%.

Previsão de preços mais elevados em 2026

Menezes projeta que o PDL em 2026 será maior que em 2025, com os reservatórios da hidrelétricas mais vazios do que no ano anterior.

O período úmido vai até março e vai definir as condições de operação das hidrelétricas para o restante do ano.

De acordo com o Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), na semana encerrada em 30 de janeiro o preço médio da negociação de energia nos contratos para o segundo semestre do ano foi de R$ 340,91. O preço teve uma alta de 1,76% em relação à semana imediatamente anterior.

Fim da onda de migração dos consumidores de média e alta tensão

As migrações para o mercado livre de energia caíram 19,1% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O número de novos consumidores foi de 21,7 mil no ano passado, ante 26,8 mil em 2024.

Na visão de Menezes, a queda pode ter sido influenciada pelo aumento dos preços, assim como pelo fim da grande onda migratória dos consumidores de média e alta tensão após a abertura total para a média e alta tensão em janeiro de 2024.

“Tem uma questão de que sim, realmente, o fim do desconto atrapalha, mas tem uma questão também de que comercialmente esses consumidores já foram muito explorados. Então, você também tem um decréscimo natural, o market share que sobrou é menor também”, disse o diretor.

Menezes lembra, entretanto, que acontecerá uma nova aceleração com a abertura do mercado livre para consumidores de baixa tensão, prevista na lei 15.269/2025.

A expectativa é que a migração esteja liberada para todos os consumidores, incluindo residenciais, até novembro de 2028.

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