Baixa no alto escalão

Petrobras demite diretor responsável por leilões de diesel e gás de cozinha

Claudio Schlosser foi substituído por Angelica Laureano, executiva de confiança de Magda Chambriard

Centro-Oeste pode justificar novos dutos, pelo aumento da demanda e potencial fornecimento para biorrefino, diz diretor da Petrobras. Na imagem: Diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, concede entrevista ao estúdio epbr durante a Rio Pipeline 2023 (Foto Victor Cury/epbr)
Diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, vê potencial para investimentos em dutos no Centro-Oeste no futuro (Foto Victor Cury/epbr)

O conselho de administração da Petrobras demitiu nesta segunda (6/4) o diretor executivo Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser, com efeitos imediatos. O executivo comandava a área responsável pelos leilões de gás de cozinha, diesel e gasolina — estes últimos, cancelados.

Nos leilões, a Petrobras vende combustível com valores acima das tabelas de preços, com valores próximos ou superiores a paridade de importação.

A demissão de Schlosser ocorre após o presidente Lula determinar publicamente o cancelamento de leilões de gás liquefeito de petróleo (GLP) em que cargas totalizando 70 mil toneladas chegaram a ser vendidas por mais que o dobro dos preços da tabela.

O cancelamento não foi confirmado pela Petrobras e cargas já estão sendo retiradas desde a semana passada com base nos preços mais elevados. Distribuidoras já informam os clientes do repasse dos valores, da ordem de R$ 7 por botijão, podendo ser maiores em alguns casos, como mostrou a eixos.

Executiva próxima de Magda Chambriard assume venda de combustível

Claudio Schlosser é funcionário de carreira, com 40 anos de Petrobras. Foi vice-presidente da Petrobras América e Gerente Executivo de Refino, Petroquímica e Fertilizantes, entre outras funções executivas, segundo o seu currículo no Linkedin. Assumiu a Logística, Comercialização e Mercados em 2023, na gestão do ex-presidente Jean Paul Prates.

Ele foi substituído por Angélica Laureano, com efeito a partir de amanhã (6/7) e mandato até abril de 2027. Funcionária de carreira, Laureano é particularmente próxima da presidente da Petrobras, Magda Chambiard, e vem assumindo posições-chave desde a sua posse, em 2024.

Laureano assumiu o comando da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) em dezembro de 2024, seis meses após a posse de Chambriard. Passados outros oito meses, substitui Maurício Tolmasquim na direção da holding.

A executiva é uma interlocutora de confiança de Magda Chambriard quando o assunto é gás natural, estando a frente de negociações envolvendo projetos de lei e planos do governo federal para alterar regras no mercado, a exemplo da proposta de desconcentração da oferta por meio de um programa de gas release.

O gás natural fica, por enquanto, sem comando definitivo: diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, William França, passa a exercer, de forma temporária e cumulativa as atividades de diretor de Transição Energética e Sustentabilidade.

Leilões de GLP da Petrobras disparam repasses na cadeia

Após o presidente Lula determinar o cancelamento do leilão de gás de cozinha da Petrobras desta semana, tanto o Ministério de Minas e Energia (MME) quanto a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acionaram os novos mecanismos legais de fiscalização de preços abusivos criados pela MP 1340.

O leilão do gás liquefeito de petróleo (GLP) da Petrobras, com ágios que superam os 100% do preço normalmente praticado nos contratos de fornecimento com as distribuidoras, disparou os repasses ao longo da cadeia.

agência eixos recebeu diferentes notificações de distribuidoras aos clientes comunicando repasses da ordem de R$ 7 nos preços dos botijões de 13 kg. 

A carga de 70 mil toneladas de GLP colocada pela estatal no mercado via leilão representa algo em torno de 12% da demanda mensal.

A determinação de Lula partiu, no entanto, com uma semana de atraso. Embora o presidente da República tenha afirmado que o “leilão foi realizado à revelia da diretoria da companhia”, a concorrência era de conhecimento no mercado.

Programado inicialmente para o dia 27 de março, o leilão já era noticiado pelo menos desde o dia 24 e ainda foi adiado, posteriormente, para terça (31/3) – dando ainda mais tempo para um eventual recuo.

Semanas antes, leilões de diesel da Petrobras levaram a venda do combustível até 75% mais caro, com “prêmio” chegando a R$ 2,65 por litro em polos do Norte e Nordeste. O “prêmio” é o jargão do mercado para o valor cobrado acima do preço de tabela nas bases e refinarias.
 
Assim, mesmo com reajustes abaixo das cotações internacionais, a companhia acaba repassando a uma parcela do mercado interno a pressão inflacionária gerada pela guerra no Oriente Médio.
 
Os leilões foram programados antes do reajuste de 14 de março, quando o diesel A da Petrobras subiu de R$ 3,10 para R$ 3,65 por litro — mais 38 centavos, dos quais 32 centavos são transmitidos na cadeia em razão da mistura de 15% de biodiesel.
 
Ao todo, a companhia ofertou 190 milhões de litros desde o leilão de Canoas (RS), no Rio Grande Sul, realizado após produtores rurais se queixarem da falta de combustível. Um leilão de lote adicional de 40 milhões e outros lotes de gasolina estavam programados para venda a partir de 16 de março, mas foram todos cancelados.

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