O presidente Lula disse que o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), já realizado pela Petrobras na terça-feira (31/3) e que resultou em preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal, será anulado. Em entrevista à TV Record da Bahia nesta quinta-feira (2/4), Lula disse que o leilão foi realizado à revelia da diretoria da companhia.
“Não vamos aumentar GLP, não vamos aumentar. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras e vamos rever esse leilão. Nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará em hipótese alguma o preço dessa guerra”.
O leilão foi anunciado na semana passada, inicialmente previsto para o dia 27/3 e adiado para 31/3.
O aumento mais expressivo registrado foi em Duque de Caxias (RJ), onde o preço do botijão de 13 kg sai por R$ 33,37 de acordo com a tabela da Petrobras — e foi comercializado por R$ 72,77 no leilão.
O resultado do leilão provocou desdobramentos dentro da companhia, com o afastamento do gerente da área de Comercialização pela presidente, Magda Chambriard.
Lula afirmou que a realização do leilão foi uma “bandidagem”. “A pessoa sabia da orientação do governo, da orientação da Petrobras”, disse o presidente.
“Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37,00, ele não pode chegar a R$ 160,00 na casa do povo. Alguém está roubando. Ah, mas a pessoa está gastando dinheiro para entregar. Tudo bem, mas é muita diferença entre R$ 37,00 para R$ 140,00 para R$ 150,00. E agora fizeram um leilão que teve ágio de 100%. Como é que você vai permitir que o povo arque com essa responsabilidade?”
A anulação do leilão, porém, é encarada com dúvidas pelo mercado, pois o novo preço já foi praticado junto aos distribuidores que adquiriram as cargas de GLP.
Ontem, a Associação Brasileira das Entidades de Classe das Revendas de Gás (Abragás) afirmou que e revendedores avaliam deixar o programa Gás do Povo em razão do cenário.
“Se o governo não adotar medidas urgentes para estancar essa situação de descontentamento das revendas, o programa corre risco de uma debandada dos
credenciados”, disse o presidente da entidade, Luiz Rocha.
O alerta também foi feito pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) ao Ministério de Minas e Energia (MME), e cobrou atualização da dos preços de referência vigentes do programa.
Na terça-feira, a pasta informou que estuda outras ações para mitigar os efeitos econômicos da recente escalada do preço do petróleo – citando o GLP como um dos “mercados mais sensíveis”.
