Preço dos combustíveis

Aumento de GLP pela Petrobras ameaça Gás do Povo, dizem revendedoras

Aumento dos preços do gás de cozinha após resultado do leilão da Petrobras e reajuste anunciado por Mataripe intensificam pressão por atualização dos valores de referência adotados pelo programa

Margem líquida de distribuidoras de GLP superou em quatro vezes a inflação, mostram dados da EPE. Na imagem: Homem transporta botijão de gás de cozinha em distribuidora de GLP (Foto Pedro Ventura/Agência Brasília)
Botijões de gás de cozinha em distribuidora de GLP | Foto Pedro Ventura/Agência Brasília

Diante do aumento dos preços do gás liquefeito de petróleo (GLP) no leilão realizado ontem (31/3) pela Petrobras, a Associação Brasileira das Entidades de Classe das Revendas de Gás (Abragás) afirma que revendedores avaliam deixar o programa Gás do Povo.

O programa substituiu o Vale-Gás e começou a ser implementado em novembro do ano passado. É destinado a famílias com renda per capita de até meio salário-mínimo, garantindo carga 100% gratuita do botijão de 13 kg, retirada diretamente em revendas credenciadas.

Em nota, o presidente da Abragás, Jose Luiz Rocha, afirma que há uma insatisfação por parte do setor, que já considerava os valores de referência adotados pelo programa muito abaixo do praticado nos mercados regionais.

Diante do resultado do leilão da Petrobras, a perspectiva é de que o cenário se agrave. “Se o governo não adotar medidas urgentes para estancar essa situação de descontentamento das revendas, o programa corre risco de uma debandada dos
credenciados”, diz Luiz Rocha.

No certame realizado ontem, a Petrobras comercializou 70 mil toneladas de GLP com preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal, os chamados “preços em linha”.

O aumento mais expressivo registrado foi em Duque de Caxias (RJ), onde o preço do botijão de 13 kg sai por R$ 33,37 de acordo com a tabela da Petrobras — e foi comercializado por R$ 72,77 no leilão.

O resultado provocou desdobramentos dentro da própria companhia, com o afastamento do gerente da área de Comercialização pela presidente, Magda Chambriard.

No mesmo dia do leilão, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, confirmou o reajuste de 15,3% do GLP para as distribuidoras a partir de 1º de abril.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) cobrou do Ministério de Minas e Energia a atualização da dos preços de referência vigentes do programa (veja os valores por Unidade da Federação).

Em ofício endereçado à pasta, a organização reforçou o alerta de que a ampliação dos custos logísticos sem contrapartida pode resultar em uma fuga massiva das revendas do Gás do Povo, comprometendo a manutenção e a ampliação do programa.

Ontem, o MME informou que estuda outras ações para mitigar os efeitos econômicos da recente escalada do preço do petróleo – citando o GLP como um dos “mercados mais sensíveis”.

Procurado, o Sindigás afirmou que não se manifesta sobre preços, projeções de preços ou qualquer tipo de estimativa relacionada ao mercado. Veja a íntegra da nota:

O Sindigás, Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP, informa que não se manifesta sobre preços, projeções de preços ou qualquer tipo de estimativa relacionada ao mercado.

A entidade ressalta que é de conhecimento público que os preços do petróleo e de seus derivados vêm sofrendo forte pressão, em grande parte decorrente de conflitos com impacto relevante sobre a cadeia global do petróleo, o que pode influenciar os custos do GLP e promover eventuais mudanças nas condições econômicas e de mercado na cadeia do produto.

O Sindigás esclarece, ainda, que não tem acesso e não interfere em estratégias comerciais e políticas de preços das empresas associadas. O acompanhamento do comportamento do mercado que a entidade realiza dá-se com base em informações públicas divulgadas por órgãos oficiais, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Ministério de Minas e Energia (MME) e outras entidades governamentais, e acredita que possíveis medidas para conter os efeitos da disparada do petróleo no exterior por conta do cenário de guerra serão tratadas de forma técnica pelas autoridades competentes, e devem ser capazes de capturar com maior rapidez os efeitos de mudanças abruptas de mercado.

Neste momento, o cenário segue sendo monitorado pelo setor.

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