NESTA EDIÇÃO. Índia aprova atualização da NDC até 2035 com foco em intensidade de emissões — não volume.
Alemanha aposta na expansão eólica e veículos elétricos para cumprir a meta de 65% de redução de emissões até 2030. Mas o caminho é longo e o tempo, curto.
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Terceira maior emissora global de gases de efeito estufa, a Índia aprovou na quarta (25/3) a atualização das suas contribuições nacionalmente determinadas ao Acordo de Paris (NDC, em inglês), com metas para reduzir a intensidade de carbono na economia — assim como a China.
A Índia manteve a lógica de seu plano climático anterior, sem uma ambição específica para cortar as emissões totais. Ao invés disso, a NDC até 2035 sinaliza a intenção de alcançar uma intensidade de carbono 47% menor em comparação aos níveis de 2005.
Na prática, essa abordagem deixa espaço para aumentar o volume de emissões enquanto a economia cresce, embora o país esteja conquistando resultados positivos na sua descarbonização.
Análise do Carbon Brief mostra que as emissões de CO2 da Índia cresceram 0,5% no segundo semestre de 2025 e apenas 0,7% no ano como um todo, a taxa mais lenta em mais de duas décadas — as emissões do setor elétrico caíram 3,8%.
Segundo os analistas, os dados revelam uma desaceleração acentuada em relação ao crescimento de 4 a 11% nos quatro anos anteriores e a menor taxa desde 2001, excluindo o impacto da Covid em 2020.
As metas para energia também são conservadoras.
No ano passado, a Índia adicionou 47 GW de capacidade solar, 6,3 GW de eólica, 4 GW de hidrelétrica e 0,6 GW de nuclear, o que levou a geração a carvão a cair pela primeira vez (fora do período da Covid-19) desde 1973.
Apesar desse ritmo, o compromisso climático é aumentar a participação da capacidade instalada de energia limpa para 60% na próxima década, ante os atuais 52,6%, abaixo das projeções do próprio governo.
Na semana passada, a Autoridade Central de Eletricidade, órgão consultivo do Ministério da Energia da Índia, publicou um relatório estimando que o aumento da capacidade de geração de energia solar e eólica elevará a participação de renováveis para 70% até 2035. (Reuters)
Alemanha: 8 bilhões de euros em 67 medidas
Também na quarta, a Alemanha divulgou um aguardado plano com 67 medidas para cumprir as metas climáticas de 2030, que deve custar 8 bilhões de euros.
Expandir em 12 GW as instalações eólicas onshore, incentivar o uso de biocombustíveis, veículos elétricos e transporte público, além de apoiar a eletrificação da indústria são algumas das medidas listadas para ajudar o país a evitar a emissão de 27,1 milhões de toneladas adicionais de CO2 até 2030. (DW)
Um dos focos do plano é reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, especialmente óleo e gás. E chega em um momento crítico para a Europa (e o resto do mundo), com o preço do petróleo superando os US$ 100 dólares em resposta à guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
“[O programa é] um novo impulso para a proteção climática que nos tornará menos dependentes das importações caras e pouco confiáveis de petróleo e gás”, disse o ministro do Meio Ambiente alemão, Carsten Schneider.
Até 2030, a maior economia da Europa é legalmente obrigada a reduzir as emissões de CO2 em pelo menos 65% em comparação com os níveis de 1990 e alcançar neutralidade até 2045. Mas o país está atualmente muito aquém dessa meta.
Até o momento, a redução é de cerca de 48%, e especialistas afirmam que as políticas existentes são insuficientes. (Reuters)
Cobrimos por aqui
Curtas
Em crise, EUA abraçam etanol. Os Estados Unidos suavizaram exigências ambientais e abraçaram o etanol para ajudar a lidar com a exposição aos choques nos preços da gasolina.
- Em um esforço para reduzir o impacto da alta nos preços dos combustíveis para os consumidores devido à guerra no Oriente Médio, o país decidiu flexibilizar as restrições à venda de gasolina com maior teor de etanol.
Minerais críticos na mira. O governo dos Estados Unidos está empenhado em fazer o que estiver ao seu alcance para eliminar as vulnerabilidades do país no setor de minerais críticos, seja internamente, seja em outros países, disse nesta quinta-feira (26/3) o vice-secretário de Energia do Departamento de Energia dos EUA, James Danly, durante a CERAWeek 2026, em Houston.
Diplomacia energética. A escalada de tensões no Oriente Médio tem reforçado o papel da diplomacia energética entre países ibero-americanos, avalia o CEO do EVEx, Caio Cavalcanti, em entrevista ao estúdio eixos. Para ele, o cenário amplia a importância da cooperação entre Brasil, Portugal e Espanha para reduzir dependências externas.
Especificação do QAV. A ANP publicou nesta quinta-feira (26/3) a resolução 997/2026 sobre as especificações dos querosenes de aviação, assim como o controle da qualidade desses combustíveis. O regulamento alinha a terminologia da mistura entre querosene de aviação fóssil e dos componentes sintéticos de mistura para seguir padrões internacionais.
Pesquisa sobre CGOB. A ANP também recebe, até 25 de abril, contribuições ao estudo sobre a fungibilidade do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). O objetivo é identificar instrumentos com potencial de equivalência.
Estágio na Axia. A Axia Energia lançou o segundo ciclo do programa de estágio para estudantes de níveis superior e técnico, com oportunidades em todas as regiões do país. As inscrições vão até 13 de abril. O programa oferece 100 vagas, sendo 85 para nível superior e 15 de nível técnico.

