NESTA EDIÇÃO. Ember calcula que importadores de petróleo podem economizar US$ 600 bilhões por ano ao acelerar eletrificação da frota.
No Brasil, biocombustíveis também apontam deslocamento da demanda por derivados como um argumento para avançar com misturas.
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O avanço dos veículos elétricos e do uso dos biocombustíveis está deslocando a demanda global de petróleo, o que, além de ser positivo para o clima, pode ajudar a blindar consumidores dos efeitos dos conflitos globais, como o que o mundo enfrenta agora com a guerra dos EUA no Irã.
Estudo divulgado nesta quarta (18/3) pelo Ember mostra que, em 2025, frota global de veículos elétricos evitou o consumo de 1,7 milhão de barris de petróleo por dia em todo o mundo em 2025, valor próximo aos 2,4 milhões de barris exportados pelo Irã através do Estreito de Ormuz.
O think tank sediado em Londres analisa que o petróleo continua sendo a maior vulnerabilidade na economia baseada em combustíveis fósseis, enquanto os veículos elétricos oferecem uma alavanca para reduzir as contas de importação.
O óleo fechou em alta acima de 4% nesta noite, à medida que crescem dúvidas acerca da navegabilidade no Estreito de Ormuz com a continuidade do conflito no Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca montar uma coalizão internacional para escoltar navios petroleiros no trecho, sem sucesso até agora. (CNN)
Enquanto isso, o preço do barril tem flutuado na casa dos US$ 100. Nesta quarta, a cotação estava US$ 107,38 o barril.
E a maior parte do mundo está exposta a essa flutuação.
De acordo com o Ember, 79% da população mundial vive em países importadores de petróleo.
O relatório calcula que para cada aumento de US$ 10 por barril no preço do petróleo, a conta líquida global de importações aumenta em cerca de US$ 160 bilhões por ano.
Mas substituir o petróleo importado usado no transporte por veículos elétricos poderia reduzir as importações globais de combustíveis fósseis em um terço, economizando cerca de US$ 600 bilhões por ano.
Em economias emergentes da Ásia essa transição já começou: no ano passado, o Vietnã (38%) superou a UE (26%) na participação de eletrificados nas vendas de veículos.
Já a Tailândia (21%) e a Indonésia (15%) superaram os EUA (10%), enquanto a Índia (4%) e o Brasil (9%) registraram participações maiores que o Japão (3%).
A China, que atingiu mais de 50% de participação de elétricos nas vendas de veículos pela primeira vez em 2025, economiza mais de US$ 28 bilhões por ano em importações evitadas (considerando o petróleo a US$ 80 por barril).
Agro tenta emplacar B17 no Brasil
No Brasil, em meio à escalada no preço de derivados de petróleo, o setor de biocombustíveis se articula para mostrar as vantagens do renovável frente ao fóssil.
Na semana passada, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e um grupo de 43 entidades representativas do agronegócio e da agroindústria entregaram ao governo federal uma carta aberta pedindo a “imediata elevação do percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 17%“, que hoje está em 15%.
O argumento é que o produto feito a partir de óleos vegetais e gorduras é uma ferramenta para ajudar o país a lidar com as oscilações bruscas nas cotações do petróleo.
Ao adicionar 15% de biodiesel no diesel, o país deixa de consumir cerca de 10 bilhões de litros ano do derivado de petróleo.
A proposta foi descartada pelo governo, no entanto, que vê limitações na distribuição das usinas — concentradas no Sul e Centro-Oeste —, e na validação do uso de percentuais superiores na frota pesada nacional.
Aqui, a solução foi subsidiar o diesel na tentativa de conter os preços, que impactam a inflação, e fiscalizar os postos.
Etanol promete amortecer impactos
O setor bioenergético brasileiro deve iniciar a safra 2026/27 com produção recorde de etanol, adicionando quase 4 bilhões de litros ao mercado doméstico, volume próximo ao total de gasolina importado pelo país em 2025.
A avaliação consta em nota conjunta de Bioenergia Brasil, Unem e Unica, onde afirmam que a ampliação da produção ajuda a proteger o consumidor brasileiro diante de oscilações do petróleo, sem necessidade de subsídios.
Embora as associações da indústria não falem abertamente sobre aumentar a participação do etanol misturado à gasolina, hoje em 30%, o eixos pro (serviço de assinatura exclusivo para empresas) apurou que há uma articulação da FPA neste sentido.
Cobrimos por aqui
Curtas
19 GW em térmicas. O 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado nesta quarta-feira (18/3), contratou 18,977 GW de disponibilidade de potência, com um deságio de 5,52%. Ao todo, 100 empreendimentos saíram vencedores do certame.
- As usinas somam potência instalada de 29 GW — mas apenas uma parte foi efetivamente contratada.
Hidrogênio quer decretos. Com marcos legais aprovados desde 2024, a indústria brasileira de hidrogênio cobra regulamentação para poder definir seus investimentos. Na terça (17/3), a ABIHV lançou, na Câmara dos Deputados, a Agenda Estratégica 2026 do setor. A prioridade é a publicação dos decretos que regulamentam as leis 14.948 e 14.990.
Petrobras descobre gás na Colômbia. A Petrobras anunciou uma nova descoberta de acumulação de gás no poço exploratório Copoazu-1, no bloco GUA-OFF-0, em águas profundas na Colômbia. A estatal atua como operadora do bloco com uma participação de 44,44%. A parceira é a Ecopetrol, com 55,56%.
Baterias para o mercado brasileiro. Huawei e Powersafe assinaram um contrato para a comercialização de sistemas de baterias (BESS, em inglês) no mercado brasileiro. O objetivo do acordo é ampliar o portfólio de soluções energéticas inteligentes no país, de olho na crescente demanda por armazenamento.
‘Cultura do petróleo’. Conhecida como a Capital do Petróleo, Macaé, no Norte Fluminense, tem recebido empresas de olho no potencial de desenvolvimento do setor de eólicas offshore. Segundo o secretário de Políticas Energéticas, Vicente Cardoso, o município possui vocação para atividades de apoio logístico offshore. Confira a entrevista ao estúdio eixos na Macaé Energy 2026.
Reajuste de tarifa. A Aneel informou que a tarifa média da Light será ajustada de 8,59% para 16,69% a partir desta quarta-feira (18/3), após uma decisão judicial em primeira instância. Há uma divisão por grupos de consumidores, com impactos que variam de 21,35% e 14,74%.
Bolsa verde. Pesquisa com participação do Inpe indica que programa, gerido pelo MMA, evitou a perda de 22,6 mil hectares de floresta e a emissão de 8,3 milhões de toneladas de CO₂. Os dados apontam que o desmatamento em assentamentos e unidades de conservação que receberam o auxílio caiu cerca de 30% entre 2012 e 2015.
Chamada para inovação. A Light anuncia a abertura de nova chamada pública para seleção de projetos de PDI que contribuam para a modernização e a eficiência do setor elétrico. Podem participar instituições públicas e privadas, como universidades, centros de pesquisa, startups, empresas de base tecnológica, consultorias e fabricantes de equipamentos. Inscrições até 19 de abril de 2026.

