A Petrobras realiza nesta sexta-feira (13/3) um novo leilão de diesel, após uma disparada da demanda pelo combustível.
A estatal confirmou à agência eixos que, dessa vez, a oferta será de 240 milhões de litros, para entrega durante o mês de abril em diversos polos onde atua.
O volume equivale a cerca de 5% do consumo mensal médio de diesel A no país.
Conforme antecipado pelo eixos pro, serviço exclusivo para empresas da agência eixos (teste grátis), a petroleira já havia realizado um leilão de 20 milhões de litros de diesel S500 em Canoas (RS), na quarta-feira (11/3).
Abriu, assim, a disputa por diesel em meio a corrida do mercado por estoques.
Foi um teste do quanto o mercado está disposto a pagar: a estatal conseguiu comercializar o derivado, na ocasião, a R$ 1,78 por litro acima dos preços de venda vigente no polo gaúcho.
Diferentes elos da cadeia estão demandando volumes adicionais, em meio à expectativa de aumento iminente nos preços — o que se confirmou nesta sexta (13/3), com o anúncio de reajuste de 38 centavos no preço do diesel.
- A Petrobras opera por um regime de cotas, em que as distribuidoras têm garantia de acesso a volumes de acordo com a média de retiradas.
- Em momentos de choque nos preços, como ocorre agora ou ocorreu após o início da guerra na Ucrânia, é comum o mercado demandar acima das cotas para assegurar compras antes de reajustes.
O cenário gerou problemas comerciais que levaram às reclamações de consumidores sobre dificuldades no fornecimento de combustíveis nos últimos dias. O problema não é falta de produto físico.
‘Petrobras não está retendo nada’, diz Magda
Em nota, a Petrobras esclareceu que a venda de produtos por meio de leilão é uma prática comercial prevista nos contratos firmados com as distribuidoras, “com o objetivo de complementar a oferta regular ou a captura de oportunidades através da venda de volumes adicionais, de forma competitiva, transparente e isonômica”.
Durante coletiva de imprensa sobre o reajuste dos preços do diesel, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta sexta (13/3) que a estatal tem feito esforços para colocar mais volume no mercado.
Segundo ela, medidas como a postergação de paradas programadas e aumento do fator de utilização do parque de refino têm permitido à empresa entregar 15% além das cotas.
Magda questionou também a atuação de outros agentes da cadeia que, segundo ela, têm redirecionado cargas para outros mercados.
“A Petrobras não está falhando em nada, e não está retendo nada, o que não está acontecendo com outros agentes econômicos. Mas aí esse é um ponto que não compete à Petrobras e sim a outras instituições de fiscalização e controle”.
Governo anuncia pacote de medidas
O governo anunciou na quinta-feira (12/3) um pacote de ações para conter os impactos da alta dos preços do petróleo e combustíveis causada pela guerra no Oriente Médio.
Em resumo:
- o pacote prevê R$ 10 bilhões para a isenção de impostos federais, somada a uma subvenção direta com um custo de R$ 20 bilhões.
- Para custear as medidas e estimular a produção interna de combustíveis, foi instituído um imposto sobre as exportações de diesel e derivados.
- A estimativa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), é de um alívio de R$ 0,64 no litro do diesel, sendo R$ 0,32 da subvenção direta e R$ 0,32 dos impostos. Para se aprofundar:
