NESTA EDIÇÃO. Comissão Europeia apresentou nesta quarta (4) a Lei do Acelerador Industrial visando reduzir dependência da China.
Política quer fomentar demanda por tecnologias de baixo carbono produzidas no bloco.
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A Comissão Europeia publicou nesta quarta (4/3) sua proposta para alavancar a demanda por tecnologias de baixo carbono fabricados no bloco, a chamada Lei do Acelerador Industrial (IAA, em inglês).
É uma resposta direta à concorrência chinesa, que já domina mercados como o de painéis fotovoltaicos e carros elétricos, e tem avançado também sobre os eletrolisadores para produção de hidrogênio renovável.
O novo regulamento ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento e pelo Conselho da União Europeia antes de entrar em vigor.
O braço executivo da UE está propondo requisitos específicos para compras públicas e subsídios nos setores de aço, cimento, alumínio e automóveis, além das tecnologias de emissões líquidas zero.
Segundo a Comissão, esse quadro poderá ser ampliado futuramente para incluir outras indústrias com “elevada intensidade energética”, como indústria química.
A intenção é que, quando houver financiamento público na fabricação ou compra de carros elétricos e turbinas eólicas, por exemplo, uma parcela mínima seja destinada à produção na Europa.
“A IAA visa aumentar a criação de valor na UE, fortalecendo nossa base industrial em um contexto de crescente concorrência global desleal e dependência cada vez maior de fornecedores de fora da UE em setores estratégicos”, diz uma nota da Comissão.
Dados do governo europeu apontam que em 2024, o setor manufatureiro representou 14,3% do PIB do bloco, o que reforça a necessidade de resiliência e inovação.
A nova lei tem como meta aumentar a participação industrial no PIB para 20% até 2035.
Requisitos variam
Cada tecnologia ou commodity terá um requisito específico, que varia de acordo com o objetivo.
Carros elétricos são um mercado em que a UE quer superar a concorrência com a China. Por isso, a exigência é que, para participar de licitações de compras públicas, os fabricantes devem garantir a montagem e fabricação de 70% dos componentes, excluindo a bateria, no bloco.
Já o aço está isento de conteúdo local, mas precisará ser 25% menos intensivo em carbono.
Para o think tank alemão Agora Energiewende, a proposta chega em um momento oportuno, potencializado pelo conflito que estourou no Oriente Médio esta semana.
“Com a atual turbulência no Médio Oriente a alimentar, mais uma vez, receios de um novo choque energético relacionado com os combustíveis fósseis, a necessidade de uma ação decisiva é evidente”, comenta Frauke Thies, diretora para a Europa da Agora Energiewende.
Ela defende que a nova lei seja parte de um esforço mais amplo da Europa para estabelecer cadeias de valor industriais resilientes e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
“No que diz respeito às tecnologias emergentes neutras em carbono, a UE deve equilibrar cuidadosamente a força do seu mercado interno com a cooperação global, a fim de reforçar a autonomia estratégica, acelerar a implementação e salvaguardar a competitividade”, completa.
Cobrimos por aqui
Curtas
Por falar em China… A estratégia chinesa para o hidrogênio verde pode redefinir o padrão global de competitividade do setor, na avaliação da Abihv, que vê no chamado “modelo chinês” um potencial divisor de águas para a nova economia do hidrogênio.
- Em documento publicado recentemente, a entidade descreve a China como um caso emblemático de “capitalismo de Estado adaptativo”, com diretrizes estratégicas centralizadas, mas execução descentralizada, conduzida por províncias.
Guerra impacta frete. O conflito no Oriente Médio segue impactando o mercado global de petróleo. Um dos principais alertas do setor agora é sobre o preço do frete, que teve forte alta nos últimos dias.
- Segundo a Argus, o valor para contratar um navio do Oriente Médio para o Leste Asiático chega a US$ 12,26 por barril, o dobro do registrado antes do conflito — que já era o maior patamar em seis anos.
Em defesa do B16. Três frentes parlamentares do agronegócio assinam um manifesto divulgado nesta quarta-feira (4/3), defendendo a elevação da mistura para 16% de biodiesel no diesel (B16) com o objetivo de diminuir a importação de combustíveis e reduzir a exposição cambial. A medida é necessária diante do cenário de instabilidade global, de acordo com o comunicado.
Risco de energia mais cara. O Brasil precisa alinhar planejamento de longo prazo e investimentos no setor de energia para que a oferta renovável consiga acompanhar a demanda crescente que chega com a inteligência artificial e a eletrificação, avalia Mathieu Piccin, diretor da Schneider Electric Advisory Services.
- Durante evento promovido pela CNI, nesta quarta (4/3), o executivo alertou que há um atraso nas metas de descarbonização das empresas e que a compra de energia renovável está se tornando um desafio.
SAF de biogás. A brasileira Geo bio gas&carbon assinou memorando de entendimento (MoU) com a norte-americana Syzygy Plasmonics para desenvolver projetos de combustível sustentável de aviação a partir de biogás no Brasil. O acordo prevê uso de biogás gerado a partir de resíduos da cadeia da cana-de-açúcar.
Chamada para restauração. O Fundo Casa Socioambiental abriu uma chamada de cerca de R$ 2,5 milhões para apoiar soluções de conservação e regeneração. O edital Mata Atlântica Viva tem inscrições abertas até 25 de março de 2026. Serão selecionados até 42 projetos comunitários, com valores de até R$ 60 mil cada, voltados à geração de renda, incidência em políticas públicas e prevenção de desastres climáticos.

