Risco de energia mais cara

IA pressiona planejamento elétrico no Brasil, aponta diretor da SE Advisory Services

Brasil precisa alinhar planejamento e investimentos para que oferta de eletricidade renovável consiga acompanhar a demanda, defende executivo

Mathieu Piccin, diretor da Schneider Electric Advisory Services. Foto: Michelle Fioravanti/CNI
Mathieu Piccin, diretor da Schneider Electric Advisory Services. Foto: Michelle Fioravanti/CNI

O Brasil precisa alinhar planejamento de longo prazo e investimentos no setor de energia para que a oferta de eletricidade renovável consiga acompanhar a demanda crescente que chega com a inteligência artificial e a eletrificação, avalia Mathieu Piccin, diretor da Schneider Electric Advisory Services.

Durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta (4/3), sobre o papel da indústria na agenda do clima, o executivo alertou que há um atraso nas metas de descarbonização das empresas e que a compra de energia renovável está se tornando um desafio.

A indústria brasileira está construindo posicionamento conjunto para levar à COP31, marcada para novembro, na Turquia.

No cenário internacional, o conflito no Oriente Médio tende a alterar as prioridades de investimentos, especialmente em economias mais expostas às consequências da nova guerra.

Ao mesmo tempo, mudanças significativas no consumo de energia demandam planejamento e investimentos para garantir competitividade industrial. É o caso do Brasil.

Mesmo com uma matriz elétrica 90% renovável, o país tem gargalos a superar para garantir oferta limpa e acessível a grandes consumidores.

“Se a gente olha para as emissões provenientes do setor elétrico, a matriz brasileira é quase integralmente descarbonizada. Uma referência mundial. Mas a demanda está aumentando muito”. 

Ele aponta a necessidade de investimentos que vão desde a geração renovável e armazenamento de energia até a transformação das redes de transmissão e distribuição para que esses setores possam lidar com novos desafios, como incerteza climática e intermitência solar e eólica.

Eletrificação de frotas e do consumo industrial, maior uso de ar condicionado devido aos aumentos de temperatura, além do movimento do Brasil para atrair investimentos em data centers e inteligência artificial impulsionam a demanda por eletricidade limpa, desafiando o planejamento. 

“O que vimos em 2025, devido a incertezas regulatórias, é que não está sendo tão fácil para as indústrias assegurar o suprimento de energia a longo prazo e com preços competitivos. É um desafio”, diz.

Piccin também observa que o setor de energia ainda está se adequando a novas regras e redução de incentivos, ao mesmo tempo em que os cortes de geração (curtailment) tem desencorajado investimentos em novos projetos.

“Se não tiver essa evolução regulatória, de planejamento e investimento, junto com essa demanda alta por inteligência artificial e eletrificação pode ser que a energia fique mais cara ou até com faltas de energia para a indústria crescer”, completa o executivo.

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias