diálogos da transição

Coalizão de biocombustíveis lança proposta para mapa do caminho

Agro quer posicionar bioenergia no centro de políticas de transição energética e industrial

Coalizão propõe mapa do caminho com biocombustíveis como "a rota mais curta" (Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)
Seminário: Mapa do Caminho – Biocombustíveis a rota mais curta. Dep. Arnaldo Jardim (CIDADANIA/SP) e Embaixador e Presidente da COP30 - COP30, André Corrêa do Lago. Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

NESTA EDIÇÃO. Proposta recebe contribuições até 3 de março.

Iniciativa do agro quer posicionar bioenergia no eixo das políticas energética e industrial.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Formada no início de fevereiro, a Coalizão pelos Biocombustíveis divulgou nesta quarta (25/2) uma proposta de contribuição para o mapa do caminho brasileiro para a transição dos combustíveis fósseis.
 
Entre as ambições está a “consolidação da bioenergia como eixo central da política energética e industrial brasileira”.
 
A proposta também fala em redução gradual da dependência de importações de combustíveis fósseis e estabelecimento de hubs regionais integrados de biocombustíveis.
 
O grupo é formado por associações dos setores de biodiesel, etanol, biometano e hidrogênio, e frentes parlamentares da Agropecuária (FPA), do Biodiesel (FPBio), do Etanol (FPEtanol) e da Economia Verde.
 
O documento (.pdf) foi lançado nesta tarde durante um seminário na Comissão Especial de Transição Energética da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), que também está na liderança da coalizão e foi relator da lei do Combustível do Futuro. 
 
A minuta ficará em consulta pública até 3 de março no site da comissão
 
Embora seja focada no contexto nacional, a proposta será entregue, no dia 9 de março, ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, como contribuições do setor para a proposta brasileira.
 
Vale dizer: Corrêa do Lago está trabalhando em um roteiro internacional, enquanto o governo brasileiro desenha o seu mapa nacional.
 
Segundo o presidente da FPBio, deputado Alceu Moreira (MDB/RS), a intenção é que esse documento seja apresentado às embaixadas para angariar apoio também à iniciativa da COP30 para quadruplicar a oferta de combustíveis sustentáveis até 2030.



O Brasil, que já tem uma indústria consolidada de etanol e biodiesel, está enxergando na agenda global de transição energética uma oportunidade para se posicionar como um fornecedor de soluções, aproveitando seu potencial agroenergético.

Internamente, a indústria tem conseguido avançar com leis que garantem mercado e incentivos para alavancar a produção, a exemplo da lei do Combustível do Futuro, que expande mandatos para etanol e biodiesel e cria novos para biometanodiesel verde e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês).

A expectativa é que essas políticas ajudem a deslocar o consumo de 1 milhão de barris de derivados de petróleo por dia (bpd), mas ainda assim insuficiente para reduzir a demanda fóssil, observa o diretor da ANP Pietro Mendes.

Citando estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mendes lembrou que ainda não se enxerga o pico da demanda de petróleo no Brasil e esse deve ser o foco da transição.

“Precisamos acelerar a utilização de biocombustíveis porque o cenário hoje é sair de 2,33 milhões de barris de derivados de petróleo por dia para, no melhor cenário, 3 milhões de bpd de derivados em 2050. Ou seja, todo esse esforço ainda não será suficiente para diminuir a demanda”, comentou durante o seminário na Câmara.

Mas assim como no cenário internacional há uma série de obstáculos a superar, internamente é preciso vencer também algumas batalhas.

judicialização do RenovaBio é um exemplo. A indefinição em torno dos aumentos da mistura de biodiesel é outro.

O setor aguardava o avanço do mandato de adição de biocombustível no diesel para 16% (B16) no início de março de 2026, mas ainda não há qualquer sinalização neste sentido.

“O setor está pronto para o B16. O Brasil também. A decisão precisa ser tomada com celeridade. É um passo natural dentro do que já foi estabelecido pela Lei do Combustível do Futuro. Implementar o B16 significa reforçar a produção nacional, assegurar previsibilidade aos investimentos e acelerar a descarbonização no país”, defende o CEO da Binatural, André Lavor.


Redata no limbo. Após passar por votação na Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira (25/2), o PL do Redata (278/2026) chegou ao Senado, mas a votação prevista para ocorrer ainda hoje foi adiada. A MP que o texto substitui vence hoje.

  • A agência eixos apurou que a relatoria deve ficar com Eduardo Gomes (PL/TO), que também relatou o projeto de regulamentação da inteligência artificial (PL 2338/2023), mas o gabinete do governo não confirmou a indicação.

Agenda para 2026. A Frente Parlamentar de Recursos Naturais e Energia realizou a primeira reunião do ano nesta quarta (25/2), para discutir a agenda prioritária (.pdf) de 2026. 

  • Presidida pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB/PB), a frente tem entre os projetos prioritários o PLP 164/2022 (devedor contumaz), PL 7401/2017 (conteúdo local), PL 8455/2017 (furto e roubo de combustíveis), PL 1564/2019 (bomba branca) e PL 1935/2019 (proibição do fracking), entre outros. 

gas week outlook. A CEO da Energisa Gás, Débora Oliver, defende o biometano como parte da solução para resíduos agroindustriais, um tema que pode ganhar peso com a abertura comercial entre Mercosul e União Europeia. Ela participou da gas week outlook 2026, em São Paulo, na terça-feira (24/2).

  • Também no evento, a diretora Comercial da Origem Energia, Flávia Barros, avaliou que o desenho final das regras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) não é “uma solução perfeita”, mas tem o mérito de destravar o certame.

CEOs pessimistas. Quase um quarto dos CEOs dos setores de energia e serviços de utilidade pública brasileiros projetam desaceleração econômica para os próximos 12 meses, apontou pesquisa da PwC. O pessimismo para o Brasil é maior do que a média global. Na pesquisa internacional, 13% dos CEOs responderam que esperam desaceleração econômica este ano.

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