A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou, nesta segunda-feira (26/1), a Refinaria Riograndense a comercializar o bioGLP produzido em suas instalações. É a primeira autorização do tipo no país, como parte dos investimentos na conversão da matriz da planta em Rio Grande (RS).
A decisão foi tomada em duas frentes: a agência autorizou uma unidade de Craqueamento Catalítico Fluido (FCC, na sigla em inglês) para processamento de matéria-prima renovável e produção de gás liquefeito de origem renovável. O despacho foi publicado nesta segunda, no Diário Oficial da União (DOU).
Antes, a diretoria colegiada da ANP já havia homologado testes com diferentes óleo de origem vegetal, atestando que o produto tem as mesmas características do gás liquefeito de petróleo (GLP) — portanto, de origem fóssil —, mas é obtido a partir de carga 100% de origem renovável.
A Riograndense é operada pelo grupo Ultra, dono da distribuidora Ipiranga, em sociedade com a Petrobras e Braskem. A estatal licenciou tecnologias de processamento de óleo vegetal para a refinaria gaúcha.
Desde 2006, a Petrobras já produz diesel coprocessado com óleo vegetal em suas unidades, tendo obtido misturas comerciais com até 10% de participação do combustível produzido a partir de biomassa. É comercializado sob a marca “Diesel R”.
Na Riograndense, Ultra e as sócias ainda pretendem investir em equipamentos para produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Esta etapa ainda precisará passar pelo aval da ANP.
Novos combustíveis, novos termos
O termo bioGLP já está consolidado no mercado. Porém, como ainda não há definição estabelecida pela ANP para a o gás liquefeito de origem renovável, a Superintendência de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos (SBQ) sugere que seja utilizado o termo “Bio-GL”, como consta na publicação do DOU desta segunda.
O gás liquefeito de origem renovável tem a mesma especificação estabelecida para GLP, e é obtido a partir do processamento de carga vegetal na unidade de FCC da refinaria.
“Cabe ressaltar o pioneirismo da presente solicitação de produção nacional de Bio-GL, que vai ao encontro do desenvolvimento de combustíveis de origem renovável no país, de forma alinhada às políticas públicas, com ganhos ambientais, de segurança energética e de abastecimento”, disse o relator, diretor Fernando Moura.
A diretoria já havia aprovado a execução de testes industriais de coprocessamento com até 10% de bio-óleo e até 65% de óleo técnico de milho e de óleo de soja — ambos realizados no ano passado.
Os testes validaram, em escala industrial, a aplicação da tecnologia desenvolvida pelo Cenpes, da Petrobras, que em 2023 firmou termo de cooperação com a Riograndense para este projeto.
Em circuito deliberativo, os diretores também aprovaram neste mês a comercialização dos combustíveis produzidos durante os referidos testes. A primeira carga comercial de bioGLP produzida na Refinaria Riograndense foi adquirida pela Ultragaz, do mesmo grupo.
