Uma missão enviada pela Petrobras à Venezuela durante a gestão de Jean Paul Prates concluiu que havia risco em investir no país vizinho, afirmou o ex-CEO da estatal durante a live de agência eixos na segunda-feira (5/1) sobre a invasão do território venezuelano pelos EUA.
Confira a entrevista na íntegra acima.
Prates disse que considerou o negócio arriscado pela possibilidade de a companhia ser associada ao regime chavista.
Ele recordou que, à época, o cenário venezuelano passava por mudança. Durante o governo de Joe Biden houve a negociação de autorizações, por parte dos Estados Unidos, para que empresas norte-americanas e outras companhias internacionais pudessem ingressar no mercado do país.
“Era uma concessão do próprio regime de Nicolás Maduro, porque ele precisava reorganizar aquela indústria. Então, foi muito oportuno que a gente mandasse os nossos especialistas. Eles fizeram incursões pelas áreas mais tradicionais e as mais recentes. Então, fizeram um raio-x importante sobre a situação”, disse.
Novos investimentos no radar
No horizonte de médio a longo prazo, o ex-presidente da Petrobras avaliou que investimentos na região podem “duplicar ou triplicar”.
Na visão dele, a Venezuela tem reservas e estrutura para isso, embora reconheça que a produção não deve continuar por mais muito tempo.
“Inclusive, a gente foi visitar por isso, essa questão do onshore sertanejo e lacustre, que representa algumas oportunidades de óleo leve, de operações que qualquer empresa dessas médias ou pequenas consegue operar. Nós já temos no Nordeste brasileiro empresas operando em terra ou águas rasas que podem perfeitamente fazer bonito lá“, afirmou.
Uma eventual participação da Petrobras no país, Prates classificou como “mais difícil”. Ele mencionou desafios logísticos e dificuldade com o suprimento de diluentes.
Também vê como algum ceticismo a entrada de outras empresas dos EUA, como Exxon e ConocoPhillips.
“Eu acredito que eles vão estar mais interessados em defender o que eles já estão produzindo ali na Guiana“.
Minerais críticos
Outra frente a ser explorada pelos EUA, segundo Prates, é a de minerais críticos. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem adotado discurso acompanhado de ameaças a países que têm reservas desses materiais e utilizou o acesso a esses recursos como moeda de troca na guerra tarifária que promoveu em 2025.
“Vai entrar um investimento fortíssimo na mineração crítica, enquanto que, no petróleo, vai demorar um pouco”, acredita.
Ele cita grandes reservas de cobalto, de columbita, tantalita, nióbio, casterita e bauxita, essenciais para a transição energética.
“Nós estamos falando de uma indústria muito parecida com a do petróleo, aliás, onde alguns investidores, inclusive, são em comum”, reforçou.
Outros pontos tratados pelo ex-presidente da Petrobras:
- Impactos para o mercado chinês em eventual restrição de acesso ao petróleo venezuelano;
- Asfixia do suprimento chinês como real motivação dos EUA para a operação contra Maduro;
- Análise da intervenção sob a ótica do direito internacional;
- Possibilidade de continuar a ofensiva na América do Sul;
- Impacto da política externa de Trump nas eleições de meio de mandado, marcadas para novembro;
- Impactos da escalada das tensões nas eleições brasileiras.
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