A produção em Pão de Açúcar, descoberta no BM-C-33, pré-sal da Bacia de Campos e operado pela Equinor Brasil (35%), terá um sistema inédito de tratamento de gás natural instalado no topside da própria plataforma de produção.
Foi a solução encontrada para lidar com o grande potencial de produção de gás natural associado no ativo.
“Essa solução, de fazer o processamento do gás natural em cima da plataforma, é inédita e inovadora do ponto de vista tecnológico. E sua aplicação foi muito importante para dar robustez econômica para o nosso projeto”, explicou Verônica Coelho, presidente da Equinor Brasil.
O gás do projeto estará disponível ao mercado entre o final de 2026 e o início de 2027.
O presidente da Repsol Sinopec Brasil, Mariano Ferrari, reforçou que o objetivo é desenvolver o grande potencial de oferta de gás nacional.
“É mais uma de uma série de inovações que estamos aplicando nesse desenvolvimento, que busca levar gás produzido no Brasil para o mercado do país”, afirmou.
Valéria e Mariano participaram do painel Lei do Gás: novo mercado nos estados, da gas week 2021.
A Repsol Sinopec Brasil (RSB) é sócia da Equinor no projeto (35%), junto com a Petrobras (30%).
Ano passado, Equinor e RSB fecharam um acordo para comercializar de forma conjunta o gás do BM-C-33.
A RSB foi responsável pela campanha de exploração no BM-C-33, que confirmou as descobertas de Pão de Açúcar, Gávea e Seat. Após mudanças no consórcio, a Equinor assumiu a operação.
O tempo entre a descoberta, feita entre 2010 e 2012, e a entrada em operação é reflexo da complexidade técnica e econômica desse tipo de projeto.
“Na próxima descoberta não podemos mais levar todo este tempo, teremos de acelerar. Por isso estou seguro de que a inovação que estamos aplicando agora será útil para tornar outros desenvolvimentos mais acessíveis, sustentáveis e eficientes”, diz Mariano.
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Equinor vai escoar gás de Pão de Açúcar para Macaé
O FPSO que será contratado para Pão de Açúcar será projetado para produzir 16 milhões de m³/dia de gás natural e a ideia é interligar o futuro campo ao Terminal de Cabiúnas, em Macaé, região Norte do Rio de Janeiro.
Pelo cronograma, a Equinor será até o fim da década, operadora de dois campos gigantes no offshore brasileiro.
No início do passado, a empresa oficializou a contratação da primeira plataforma de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos.
O início da produção está previsto ocorrer entre 2023 e 2024.
A plataforma terá capacidade para produzir até 220 mil barris de petróleo por dia e 15 milhões de m³/dia de gás natural.
Veja a transmissão completa do painel na gas week 2021
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Inovação aplicada ao desenvolvimento do campo
A plataforma de Pão de Açúcar ainda precisa ser contratada.
Com o tratamento do gás produzido em Pão de Açúcar na própria plataforma, o projeto “antecipa” uma etapa da cadeia de gás. Em geral, os FPSOs fazem a compressão e separação do gás, que é escoado por gasodutos para UPGNs em terra.
Atualmente, todas as rotas offshore são da Petrobras e de sócios nos campos. As Rota 1, 2 e 3 (em construção) conectam vários campos do pré-sal e pós-sal às UPGNs de Caraguatatuba (SP), Cabiúnas (RJ) e Itaboraí (RJ), respectivamente.
A nova Lei do Gás garantiu o acesso à infraestrutura essencial de gás para todos os produtores, o que passa por novas regulações e acordos comerciais.
“É importante ressaltar que o gás do BM-C-33 possibilitou isso, porque se trata de um gás relativamente seco, o que permitiu essa aplicação. É uma solução muito específica e muito interessante para viabilizar a produção”, explicou a executiva.
Mariano Ferrari, da RSB, reforçou que a inovação é única para o projeto, mas a iniciativa faz parte de um esforço de P&D no Brasil, com impactos positivos nas operações das empresas.
“Se há algo a falar do Brasil é seu nível de pesquisa e desenvolvimento, feito continuamente por toda a indústria de óleo e gás. Essa inovação foi fundamental para garantir robustez técnica, econômica e ambiental do projeto”, diz.
“É mais uma de uma série de inovações que estamos aplicando nesse desenvolvimento, que busca levar gás produzido no Brasil para o mercado do país. É um gás de pré-sal, com baixo nível de CO2 e, portanto, muito favorável ao mercado”.
Por exemplo, um novo projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) vai testar a viabilidade de produzir hidrocarbonetos a partir da captura de CO2 e fontes renováveis de energia, para produção de produtos de hidrocarbonetos sintéticos.
Batizado de CO2CHEM, o projeto será desenvolvido pela RSB, em parceira com o RCGI, centro de pesquisa da USP; Senai Cetiq; e da Hytron, criada a partir de pesquisas na Unicamp e voltada para soluções para produção de hidrogênio.
A ideia é processar combustíveis e outros produtos sintéticos derivados de cadeias de carbono (hidrocarbonetos).
A estratégia de descarbonização, por sua vez, vem dos insumos – monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H2) – obtidos a partir da captura de dióxido de carbono (CO2), um gás do efeito estufa, e da eletrólise da água usando energia gerada a partir de fontes renováveis.
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Edição por Gustavo Gaudarde ([email protected])