O presidente Lula (PT) defendeu, nesta quarta (28/1), maior integração entre os países da América Latina e Caribe, citando recursos energéticos e minerais como estratégicos para reposicionar a região na economia internacional.
“Com projetos de geração de energia renovável, inovação e conexão digital, podemos reposicionar a América Latina e Caribe na economia internacional. Centros de dados, beneficiamento de minerais críticos, indústria verde e bioeconomia podem contribuir para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e inclusivo”.
Ao ler seu discurso na abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026 (Celac), na Cidade do Panamá, o presidente brasileiro reconheceu a dificuldade de integração regional diante de um mundo cada vez mais fragmentado e em crises.
“A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, apontou, em uma crítica à recente ação dos Estados Unidos sobre à Venezuela.
Para Lula, embora a formação de um bloco nos moldes da União Europeia seja inviável no contexto latino-americano, os recursos da região podem ser utilizados como um ponto de partida para maior integração dessas economias.
A lista inclui reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis, e energia nuclear, eólica e solar; além de condições de solo e clima e avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos.
Lula também citou a Amazônia, reservas de água doce do mundo e minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital.
Em meio a uma corrida global por recursos energéticos, a América Latina entrou na mira de grandes países industrializados.
A região desponta como potencial fornecedora de hidrogênio renovável, combustíveis sustentáveis e minerais críticos para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, sobretudo na Europa.
O presidente lembrou ainda que, juntos, os países da Celac formam um mercado consumidor com mais de 660 milhões de pessoas, e que, predominantemente, todos governo foram eleitos democraticamente, além de não haver conflitos graves entre os membros do fórum.
Essas condições favoreceriam uma integração “guiada pelo pragmatismo” para estabelecer condições de negociação com as grandes potências mais favoráveis ao desenvolvimento local.
“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver os problemas. Nós já temos 525 anos de história, já fomos colonizados, recolonizados, já fizemos independência e continuamos colonizados. (…) precisamos mudar de comportamento. E precisamos criar um bloco. Um bloco econômico, um bloco que possa dizer que a gente vai acabar com a fome neste país”, concluiu o presidente.
