A Cabo Verde Mineração anunciou nesta sexta (30/1) a identificação de um novo alvo de detalhe para elementos de terras raras (ETR), denominado Alvo Botelhos, e o início da sondagem por trado mecânico na área, localizada na borda do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais.
Em novembro de 2024, a companhia divulgou a descoberta de ETR na região.
A abertura do Alvo Botelhos ocorre em paralelo à continuidade da sondagem de detalhe em malha regular no Alvo Caconde 1, também situado na periferia do complexo alcalino.
O novo anúncio amplia o escopo do projeto com potencial superior a 500 milhões de toneladas de argilas iônicas mineralizadas, com escala para posicionar o empreendimento entre os maiores projetos de terras raras em desenvolvimento no Brasil.
“A escala do projeto, com mais de 91 mil hectares, distribuídos em 57 direitos minerários e os resultados que temos até o momento, indicam o potencial de um projeto de classe mundial, corroborando a posição do Brasil no ranking de 2ª maiores reservas globais de terras raras”, afirmou Túlio Rivadávia Amaral, CEO da Cabo Verde Mineração.
Os dois alvos integram um programa de pesquisa conduzido em um bloco contínuo de aproximadamente 91 mil hectares, abrangendo quatro municípios da região.
Segundo a companhia, os dados obtidos até o momento confirmam a presença de um sistema de terras raras do tipo argilas iônicas, que atendem critérios do mercado internacional, com elevada recuperação metalúrgica, menor complexidade operacional e aderência às cadeias industriais da transição energética.
De acordo com a geóloga Maria do Carmo Schumacher, responsável técnica pelo projeto, o início da sondagem em Botelhos reforça a interpretação de um distrito mineral de grande escala.
“Os resultados regionais e as sondagens iniciais em Caconde 1 mostraram elevada consistência geológica, com teores contínuos e excelente resposta metalúrgica. O início dos trabalhos no Alvo Botelhos amplia essa interpretação e reforça o potencial de um sistema de terras raras do tipo argilas iônicas com características de classe mundial”, afirmou.
Retomada de projeto da Mina Catumbi
Paralelamente ao avanço no projeto de terras raras, a Cabo Verde Mineração informou a retomada do projeto de minério de ferro da Mina Catumbi, localizada nos municípios de Cabo Verde e Muzambinho (MG), que conta com capacidade instalada e licença ambiental vigente para produção de até 600 mil toneladas por ano.
Segundo o geólogo e consultor técnico, Oscar Yokoi, os resultados obtidos até o momento reforçam o caráter singular do projeto.
“Trata-se de um sistema com manto de intemperismo espesso, que quebra o paradigma de que as terras raras estariam restritas apenas ao centro do Complexo de Poços de Caldas ou a terrenos geologicamente mais jovens”, afirma.
As reservas brasileiras de terras raras ocupam posição central na agenda geopolítica global, por serem insumos críticos para a transição energética e defesa, sendo alvo de interesse de grandes blocos econômicos, como a União Europeia, e dos Estados Unidos, em especial da administração de Donald Trump.
Este movimento vem como maneira de diversificar fornecedores e fazer frente à China, que concentra a maior parte do refino global de terras raras.
Nesse contexto, a Cabo Verde Mineração informou que vem negociando acordos com players internacionais para o desenvolvimento conjunto da pesquisa mineral e da rota tecnológica de aproveitamento, incluindo etapas de processamento e agregação de valor.
Estratégia Nacional de Terras Raras
No último dia 22, o Ministério de Minas e Energia (MME) deu início aos trabalhos técnicos que vão embasar a formulação da Estratégia Nacional de Terras Raras.
A iniciativa visa organizar o desenvolvimento da cadeia desses minerais estratégicos no Brasil, em conexão com a política industrial e a agenda de transição energética.
Segundo o ministério, a reunião marcou o início do estudo que irá formular diretrizes, metas e instrumentos que orientem o desenvolvimento organizado da cadeia de terras raras no Brasil.
A pasta também promete a publicação da Política Nacional de Minerais Críticos há mais de dois anos, enquanto o setor privado pressiona por medidas que reduzam a desindustrialização e fortaleçam as cadeias produtivas locais, incluindo maior nacionalização de equipamentos de mineração e metalurgia.
Em novembro do ano passado, um grupo de empresas anunciou a criação da Associação de Minerais Críticos (AMC), reunindo companhias da cadeia de insumos como lítio, níquel, grafite, cobre e terras raras.
