A missão oficial do governo federal ao Panamá encerrou na quarta-feira (28/1) com um acordo que prevê estudos para a criação de um corredor verde entre o Brasil e o Canal do Panamá, rota que movimenta uma média de 5,8 milhões de toneladas de cargas por ano.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor), o objetivo é incentivar o uso de combustíveis sustentáveis na navegação, alinhando a eficiência logística às metas globais de redução de emissões.
Globalmente, o transporte marítimo é responsável por cerca de 3% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e estabeleceu como meta atingir emissões zero até ou próximo a 2050.
Ainda de acordo com o MPor, o documento assinado entre os dois países estabelece quatro pilares de cooperação: aumento da competitividade via novas rotas, descarbonização, modernização tecnológica (com uso de inteligência artificial e big data) e capacitação profissional.
Hub para navios verdes
O movimento de substituição de combustíveis fósseis por alternativas de baixo carbono no transporte marítimo tem desencadeado acordos ao redor do mundo para preparar a infraestrutura portuária para receber embarcações sustentáveis.
Em 2022, Panamá, Uruguai e Noruega se juntaram aos Emirados Árabes Unidos e Canadá na iniciativa global Clean Energy Marine Hub Initiative (CEM-Hubs), para acelerar o fornecimento de combustíveis limpos e apoiar a transição energética do setor.
A iniciativa, que é co-liderada por uma força-tarefa de CEOs, tem como foco produção, exportação e importação de combustíveis de baixo carbono em todo o mundo.
O Brasil também está de olho nas novas tecnologias e combustíveis — os hubs de hidrogênio e corredores verdes são exemplos. Enquanto o país trabalha em um marco legal para entrar na rota dos combustíveis sustentáveis de navegação, alguns portos já começaram a oferecer incentivos para embarcações sustentáveis.
Mapeamento da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostra que ao menos cinco portos brasileiros oferecem incentivos para navios com menor pegada de carbono: Itaqui (MA), Terminal de Uso Privado do Pecém (CE), Paranaguá (PR), Santos (SP) e o Terminal de Uso Privado do Açu (RJ).
