Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, o empresariado da Bélgica terá representação da Câmara de Comércio Belgo-Luxemburguesa Brasileira (Belgalux) no Rio de Janeiro, de olho em novos negócios em energia, infraestrutura portuária e logística marítima.
“As notícias deste início do ano mostram que ele será, certamente, repleto de desafios. E que, para os enfrentar, precisaremos de aliados e parceiros sólidos, inclusive no domínio econômico e comercial”, afirma a cônsul-geral no Rio, Caroline Mouchart.
Segundo ela, a Belgalux cumpre o papel de conectar as empresas entre si e estimular as relações comerciais entre os países, em um momento político que exige presença de longo prazo e a construção de alianças sólidas.
“Estamos muito felizes que um núcleo de empresas belgas, dinâmicas, baseadas no Rio e que fazem parte da Belgalux, queiram reforçar essa presença com foco em setores-chave da cidade e do estado do Rio, que são a energia, infraestrutura, atividades marítimas e portuárias”.
A cônsul também conectou a iniciativa à agenda mais ampla de diversificação de parceiros comerciais, em um momento de avanços e incertezas no acordo entre Mercosul-União Europeia.
“Vivemos em um mundo em constante mudança onde precisamos diversificar os nossos parceiros comerciais. Falamos muito sobre isso o acordo União Europeia-Mercosul, que se concretiza apesar das adversidades passadas e futuras. Este é um acordo muito importante para as nossas empresas”.
No ano passado, o Porto do Açu e o Porto de Antuérpia-Bruges assinaram uma carta de intenções para a criação de um corredor marítimo verde entre Brasil e Europa, sendo uma rota de exportação de e-combustíveis.
Portos e transição energética
Segundo o responsável da Belgalux no Rio, Nicolas Keutgen, a atuação da Câmara será concentrada especialmente na energia e portos. “Focaremos em tudo que é energia, porque no Rio a transição energética não é um discurso, já é um negócio”.
A avaliação foi reforçada por Dieter Poleyn, representante da Hub.brussels, agência de apoio às empresas da região de Bruxelas.
Para ele, a nova representação no Rio ocorre em um contexto “particularmente interessante com o fortalecimento da parceria União Europeia-Mercosul”.
E inaugurando, assim, “uma nova etapa de cooperação econômica baseada em comércio aberto, desenvolvimento sustentável e investimentos responsáveis”.
Nesse quadro, o Rio surge como peça central da estratégia belga. “O Rio e toda a região Sudeste constituem uma plataforma-chave de exportação logística e também de transição energética”, afirmou. No radar, estão os mercados de energia, petróleo e gás, renováveis e hidrogênio verde.
“A experiência belga em engenharia, gestão de projetos, tecnologia, pode complementar a escala e o dinamismo do mercado brasileiro”.
Para Claudia Rolim, da Flanders Investment & Trade, agência do governo da região Norte da Bélgica, “entre os muitos setores estratégicos que a região de Flanders trabalha atualmente, três em especial tem grande relevância e grande sinergia com o Brasil: justamente os setores de energia, infraestrutura e portos”.
