Política energética

Tentativa de avançar com Redata acaba em ruído e programa para data center segue sem acordo

Líder do governo tentou emplacar solução para assegurar recursos no Senado, mas não houve acordo

Líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT/AP). Foto: Pedro
Líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT/AP). Foto: Pedro

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT/AP), precisou esclarecer nesta quarta (25/3) que a solução para liberar os recursos já previstos no orçamento para desonerar a instalação de data centers não passou no Senado Federal. A informação circulou na imprensa e entre agentes no mercado, mas não era verdade.

Sem conseguir aprovar o texto de criação do Redata, em si, na medida provisória que caducou, governo federal apresentou um projeto de lei (PLP 74/2026), na Câmara dos Deputados, para assegurar a destinação dos R$ 5,2 bilhões reservados para o programa no orçamento de 2026.

Randolfe tentou negociar para antecipar esta etapa no Senado Federal, em outro texto (PLP 77/2026) que trata de outras questões, como a mudança na licença-paternidade.

“No entanto, durante a discussão [no Senado], não houve acordo, não entrando portanto no texto que foi aprovado. Na Câmara, o PLP 74/2026, apresentado pelo deputado José Guimarães, trata, entre outros temas, do Redata”, esclareceu o senador.

Resolvida esta questão — destinar o dinheiro reservado para o Redata — ainda é preciso criar o programa. A MP caducou em fevereiro, e ciente que isso aconteceria, o governo apresentou, por meio do líder José Guimarães (PT/CE), um novo texto (PL 278/2026), aprovado na Câmara, mas que também travou no Senado Federal.

Nesta quarta (25/3), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB) pautou o PLP 77/2026 (do Senado, sem Redata), mas não o PLP 74/2026 (da Câmara, com Redata).

Agentes do mercado se mobilizam para incluir o dispositivo no texto do Senado, mas o próprio governo teme a alteração. Se for alterado, teria que retornar para votação pelos senadores, comprometendo o objetivo original da proposta: uma alteração da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) para viabilizar um estímulo a reciclagem, que precisa passar até o próximo dia 30.

Gás natural como pano de fundo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), decidiu adiar a análise, alegando falta de articulação política e criticando o que classificou como condução “a toque de caixa” da proposta.

Nos bastidores, a decisão expôs o desalinhamento entre governo, Congresso e setor privado.

Além do impasse fiscal, o Redata também enfrenta divergências estruturais sobre seus critérios de elegibilidade, especialmente pela exclusão, a princípio, do papel do gás natural na política.

O governo defende que os incentivos sejam restritos a data centers abastecidos exclusivamente por “fontes renováveis e limpas”, o que, na prática, excluiria o gás natural.

A exclusão do gás se tornou um dos principais pontos de tensão, mobilizando não somente representantes da indústria, como estados produtores — e potenciais produtores, como o Amapá — pela sua inclusão na política.

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