2ª reunião do Fonte

Fórum de transição energética define câmaras temáticas, mas deixa mapa do caminho de fora

Organizações cobram participação do Fonte nas diretrizes para o mapa do caminho da transição dos combustíveis fósseis

Manifestantes pedem fim dos combustíveis fósseis em frente à Blue Zone, em 14 de novembro de 2025, em Belém/PA (Foto Diego Herculano/UNFCCC)
Manifestantes pedem fim dos combustíveis fósseis em frente à Blue Zone, em Belém/PA (Foto Diego Herculano/UNFCCC)

O Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte) aprovou nesta sexta (30/1) o regimento interno que irá nortear as atividades do colegiado criado para apoiar a implementação da Política Nacional de Transição Energética (PNTE).

A reunião plenária desta manhã foi o segundo encontro do grupo. O primeiro ocorreu em novembro, às vésperas da COP30, mas não conseguiu avançar na agenda por falta de quórum.

A pauta de hoje, no entanto, ficou restrita à aprovação do texto base do regimento interno e estruturação de câmaras temáticas, segundo fontes consultadas pela eixos.

Serão três câmaras dedicadas a aprofundar debates em seus respectivos temas: Segurança e Resiliência do Sistema Energético; Justiça Energética, Climática e Ambiental; e Energia Competitiva para uma Economia de Baixo Carbono.

A composição desses colegiados ainda será decidida.

Mapa do caminho fora da pauta

A reunião do fórum presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) ocorre em meio às expectativas de apresentação, na próxima semana, das diretrizes encomendadas pelo presidente Lula (PT) para o mapa do caminho brasileiro para redução da dependência dos combustíveis fósseis.

As diretrizes devem ser elaboradas por MME, e ministérios do Meio Ambiente, Fazenda e Casa Civil e submetidas ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), num prazo que vence em 8 de fevereiro — mas nada impede que seja prorrogado.

O despacho presidencial também trouxe a demanda por mecanismos de financiamento, como a criação do Fundo para a Transição Energética com lucros do petróleo, questão que esbarra na lei de diretrizes orçamentárias (LDO).

O mapa do caminho, no entanto, não entrou na pauta da reunião. Organizações da sociedade civil chegaram a apresentar um pedido de moção para inserir o Fonte oficialmente na construção das diretrizes, mas o documento (.pdf) não foi apreciado.

A justificativa de “falta de tempo” para discutir o tema foi criticada por ambientalistas.

“Lamentamos que não tenha havido tempo para discutir o mapa do caminho e esperamos que o governo faça uma consulta ao Fonte antes de considerar o processo encerrado”, disse à eixos a diretora do Instituto Arayara, Nicole Oliveira, membro titular do plenário do fórum.

Na moção, 12 organizações pedem que seja aberto prazo para contribuições pelos membros do Fonte à minuta de resolução interministerial, além de manifestarem preocupação com a ausência de previsão de participação do fórum no despacho presidencial.

John Wurdig, membro suplente no Fonte pela Instituição Fé, Paz e Clima, observa que o Fonte seria um mecanismo para participação pública na construção das diretrizes e há uma urgência em avançar com a questão, já que o prazo para apresentação do mapa do caminho vence em breve.

“Nossa preocupação é essas diretrizes serem encaminhadas para o CNPE só pelos ministérios incluídos no despacho do presidente Lula, de 8 de dezembro. Por isso as entidades apresentaram essa moção. Queríamos que fosse aprovada hoje, já que o prazo acaba em 8 de fevereiro”, explica.

O MME não respondeu aos pedidos de comentários até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto.

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