RIO — As distribuidoras de gás natural do Nordeste — Potigás, Bahiagás, Algás, Cegás, Copergás, Pbgás e Sergás — enviaram, nesta quarta (2/4), uma carta conjunta ao Ministério de Minas e Energia (MME) solicitando a inclusão do gás natural e do biometano em uma política para data centers, no Norte e Nordeste.
O grupo cita a edição de um decreto que estaria sendo desenhado pelo MME, de estímulo a energias renováveis para abastecimento de data centers. Entretanto, a pasta não anunciou oficialmente a existência deste decreto.
A reivindicação foi formalizada durante reunião do Consórcio Nordeste realizada na última semana em Salvador, Bahia.
O governo, por meio dos ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Indústria e Comércio, trabalhava na construção de um marco legal com o objetivo de atrair a instalação de data centers no país.
Entre as medidas discutidas, estavam a redução de custos de investimento e operação, visto que países vizinhos como Argentina e Chile possuem custos mais baixos que o Brasil, e o aumento da segurança no fornecimento de energia e ampliação da oferta e do acesso à energia renovável, como eólica e solar.
No entanto, as distribuidoras de gás argumentam que essas fontes são intermitentes e podem comprometer a estabilidade do fornecimento energético.
Segundo Marina Melo, diretora-presidente da Potigás, o gás natural e o biometano representam uma alternativa confiável para atuar como fonte de backup, garantindo previsibilidade e segurança ao abastecimento.
“Os data centers são estruturas que necessitam de fornecimento contínuo e estável de energia. O gás natural e biometano oferecem esse suprimento constante, independentemente das condições climáticas, sem os problemas de oscilação típicos das fontes renováveis como períodos de chuvas intensas ou ausência de ventos que comprometem a geração de energia eólica e solar”, disse.
Ela chama a atenção para o fato de alguns estados do Nordeste já sofrerem com redes elétricas fragilizadas, e que podem ser ainda mais comprometidas com a integração excessiva de energia intermitente.
Em fevereiro, o Ministério da Fazenda chegou a indicar como prioridade a aprovação do marco legal para inteligência artificial e o desenho de uma política para atraçãode data centers, dentro do Plano de Transformação Ecológica.
A intenção da Fazenda é promover o “desenvolvimento responsável” da Inteligência Artificial e atração de data centers sustentáveis, aproveitando o potencial de energia renovável do país para impulsionar a produtividade econômica.
A entrada de mais gás natural na matriz energética brasileira, especialmente com a contratação obrigatória de térmicas a gás — em discussão no Congresso — é vista como um risco à atração de data centers, que buscam países com abundância em oferta de energia renováveis e com conexão ao grid.
Em fevereiro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) também anunciou R$ 500 milhões para o Programa de Sustentabilidade e Energias Renováveis para IA, como parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
O Pró-Infra IA Sustentável vai financiar projetos que promovam a implementação de data centers renováveis no Brasil.