LRCAP

Brasil vai precisar de mais 19 GW de térmicas flexíveis até 2035, prevê EPE

Planejamento inclui desde novas usinas à modernização de térmicas existentes, mas pode ter de ser recalibrado

Instalações da UTE Termopernambuco, térmica à gás natural da Neoenergia em Ipojuca/PE (Foto Divulgação)
UTE Termopernambuco, térmica à gás da Neoenergia em Ipojuca | Foto Divulgação

O sistema elétrico brasileiro vai precisar de uma expansão da ordem de 19 GW de termelétricas flexíveis até 2035, indica o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), colocado em consulta pública nesta quinta-feira (12/2).

O planejamento inclui desde novas usinas à modernização de térmicas existentes em fim de contrato – e que, segundo o estudo, devem contribuir com 7,3 GW nos próximos dez anos.

O PDE, que é usado para orientar políticas públicas, indica, ainda, a expansão de 9,6 GW de térmicas flexíveis até 2031, horizonte de contratação dos próximos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs).

A efetiva necessidade de contratação nos próximos certames, porém, ainda não foi publicada. 

Marcados para março, os LRCAPs de 2026 voltaram à prancheta do Ministério de Minas e Energia (MME) esta semana. A pasta está refazendo os cálculos dos preços-teto, após a reação do mercado aos valores inicialmente definidos.

Demanda por térmicas pode ser recalibrada

O cenário de contratação de capacidade para atendimento à demanda por potência, no entanto, pode mudar. 

Tudo vai depender da definição, no Congresso Nacional, sobre a continuidade ou não dos leilões das térmicas a gás natural locacionais – chamadas assim porque a lei de privatização da Eletrobras (14.182/2021) exigia a contratação dessas usinas em regiões pré-determinadas, dentro de uma política de expansão da infraestrutura de gasodutos.

O PDE projeta a contratação de mais 7,2 GW de térmicas a gás inflexíveis.

Com a aprovação da MP 1304/2025, no fim do ano passado, no entanto, o governo chegou a emplacar uma emenda que permite ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) limitar a contratação dessas térmicas “à necessidade identificada pelo planejamento setorial, a partir de critérios técnicos e econômicos”.

O futuro das térmicas locacionais está, hoje, pendente da análise de vetos à lei das eólicas offshore. A ver como vai se desenrolar a contratação dessas usinas — o que, de certa forma, pode influenciar na calibragem da demanda por potência.

EPE projeta ganhos com resposta da demanda

Além da contratação de térmicas flexíveis, o PDE 2035 contabiliza, pela primeira vez, os ganhos do mecanismo de resposta da demanda como solução para atendimento dos requisitos de capacidade.

A previsão da EPE é que o instrumento alcance um potencial de 3,3 GW ao final do horizonte decenal.

O estudo cita ainda, como opções viáveis para prover os requisitos de operação do sistema, as tecnologias de armazenamento – em especial hidrelétricas reversíveis e baterias de íons de lítio.

A EPE projeta que o armazenamento possa contribuir, em 2028, com uma expansão de pouco mais de 600 MW, chegando a 6,6 GW em 2035.

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