O plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de assumir o controle da indústria petrolífera da Venezuela e pedir a empresas americanas que a revitalizem após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pode enfrentar dificuldades e pode levar anos e grandes investimentos até que a produção possa aumentar drasticamente.
“Embora muitos estejam relatando que a infraestrutura petrolífera da Venezuela não foi afetada pelas ações militares dos EUA, ela vem se deteriorando há muitos anos e levará tempo para ser reconstruída”, avalia Patrick De Haan, analista-chefe de petróleo da GasBuddy, empresa que monitora os preços da gasolina.
Por outro lado, a incerteza se concentra na posição das companhias petrolíferas americanas, já que elas devem buscar um regime estável no país antes de estarem dispostas a investir de maneira significativa. No sábado, o cenário político se mostrou incerto: Trump afirmou que os EUA estão no comando da Venezuela, enquanto a atual vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, disse que Maduro deveria ser restaurado ao poder.
Mais de 24 horas após a ofensiva de Washington em território sul-americana, as principais empresas americanas do setor não se pronunciaram sobre a situação. Segundo o britânico The Guardian, a ExxonMobil recusou pedidos de comentários, enquanto a ConocoPhillips mencionou que “é prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais ou investimentos futuros”. A Chevron, única empresa americana que segue operando na Venezuela, mencionou que “continua focada na segurança e no bem-estar de seus funcionários, bem como na integridade de seus ativos”.
Na avaliação do analista sênior de mercado do Price Futures Group, Phil Flynn, caso os EUA demonstrem que conseguirão colocar em prática seu plano para a Venezuela, pode haver “muito otimismo” de que as empresas de energia americanas entrem e revitalizem a indústria petrolífera venezuelana rapidamente.
“Se a Venezuela conseguir se tornar uma potência na produção de petróleo, isso pode consolidar preços mais baixos a longo prazo e pressionar ainda mais a Rússia”, ponderou.
(Com informações da AP)