Preço do barril

Petróleo tomba 10% com sinalizações de Trump sobre guerra e Brent fica abaixo dos US$ 100

Brent para junho cai 9,86%, a US$ 95,52 o barril, com Trump anunciando que não vai mais atacar a infraestrutura do Irã

Trump recebe atualização do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre plano de paz dos EUA para Gaza, no Salão Oval, em 3 de outubro de 2025 (Foto Molly Riley/Casa Branca)
Trump recebe atualizações sobre plano de paz dos EUA para Gaza, no Salão Oval, em 3 de outubro de 2025 (Foto Molly Riley/Casa Branca)

Os contratos futuros de petróleo tombaram mais de 10% nesta segunda-feira (23/3), em uma sessão marcada pelas sinalizações do governo norte-americano sobre a guerra com o Irã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que não irá mais atacar a infraestrutura do país, enquanto abriu espaço para chegar a um acordo com Teerã para o fim do conflito, cogitando reabrir em breve o Estreito de Ormuz.

Desta forma, o Brent perdeu a marca de US$ 100 o barril. Por outro lado, o Irã negou que esteja em negociação com Washington, acusando os EUA de manipular o mercado e mantendo dúvidas sobre a duração do conflito e seus efeitos.

Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o Brent para junho recuou 9,86% (US$ 10,49), a US$ 95,92 o barril.

Já o petróleo WTI para maio fechou em queda de 10,28% (US$ 10,10), a US$ 88,13 o barril, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Em análise ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), gerente de Pesquisa Macroeconômica do Inter, André Valério, comenta que, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, haverá um impacto duradouro na oferta de petróleo do Oriente Médio, já que levará algum tempo para normalizar.

Ele, entretanto, observa que “o aumento dos preços foi menor do que o esperado, o que sugere que o mercado global parte de uma situação de relativa sobreoferta, com níveis elevados de estoques que vêm sendo usados para amortecer o choque”.

Mas, a depender da duração do conflito, a situação pode se agravar. Segundo ele, estima-se que entre 10 e 12 milhões de barris por dia estão potencialmente em risco, o que implica uma redução significativa dos estoques ao longo do tempo.

O Rabobank aumentou a previsão para os preços do petróleo, argumentando que a intensidade da guerra vai primeiro aumentar para depois diminuir.

O banco afirma que o conflito deve durar até meados de abril, mas ressalta que aumentou “acentuadamente” o risco de cenários extremos — entre eles o de prolongamento da guerra.

O Rabobank prevê que o preço do barril de petróleo tipo Brent alcançará US$ 107 no segundo trimestre, US$ 96 no terceiro trimestre e US$ 90 no quarto trimestre.

O Goldman Sachs elevou a previsão para o barril do Brent em 2026 de US$ 77 para US$ 85, enquanto, para o WTI, a previsão subiu de US$ 72 para US$ 79.

Por Matheus Andrade

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