Preço do barril

Petróleo fecha em baixa, com negociações diplomáticas entre EUA e Irã em foco

Brent recua 0,35%, a US$ 68,80, com investidores ponderando perspectivas para os preços nos próximos anos

Receitas de países dependentes de petróleo podem ter queda pela metade em cenário de transição energética acelerada, diz Carbon Tracker Initiative. Na imagem: Cavalos-de-pau para a produção onshore de petróleo, em Oklahoma (EUA), com turbinas eólicas ao fundo (Foto: Mike/RJA1988/Pixabay)
Em um cenário de aquecimento limitado a 1,8°C, a Petrobras está entre as empresas com queda da produção pela metade (Foto: Mike/RJA1988/Pixabay)

O petróleo fechou em baixa nesta terça-feira (10/2), e devolveu parte dos ganhos da véspera, em sessão marcada por volatilidade enquanto as tratativas entre Estados Unidos e Irã continuam e investidores ponderam perspectivas para os preços nos próximos anos.

Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 0,35% (US$ 0,24), a US$ 68,80 o barril, enquanto o petróleo WTI para março, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em baixa de 0,62% (US$ 0,40) a US$ 63,96 o barril.

As conversas indiretas entre representantes dos EUA e do Irã em Omã foram vistas de forma positiva por ambos os lados e novas negociações foram prometidas, mas nenhum resultado significativo foi anunciado.

O prosseguimento de negociações diplomáticas, incluindo potenciais conversas sobre o programa nuclear de Teerã, vem reduzindo os prêmios de risco nas cotações da commodity, que haviam subido com o acirramento das disputas no início do ano, segundo o Commerzbank.

Em entrevista à Axios, contudo, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou nesta terça mandar um segundo porta-aviões para o Oriente Médio, caso não consiga um acordo com o Irã, voltando a sinalizar possibilidade de um ataque.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, em inglês) elevou sua projeção para o preço médio do petróleo Brent em 2026 de US$ 56 para US$ 58 por barril, mas cortou a estimativa do valor médio no próximo ano a US$ 53.

Na visão do Bank of America, os preços do Brent têm apresentado queda constante desde que atingiram US$ 128 em 2022 e podem sofrer ainda mais pressão de baixa este ano e no próximo, visto que a oferta continua a superar a demanda.

Mesmo com o petróleo retido no mar devido às sanções, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) gerenciou proativamente a produção para evitar um grande excesso de oferta, avalia.

Contudo, riscos relacionados à demanda, ao alívio das sanções, ao forte crescimento de países não pertencentes à Opep+ ou ao aumento dos volumes do cartel podem inclinar a balança para baixo nos preços.

“Assim, mantemos nossa previsão de que o Brent terá uma média de US$ 60 este ano, abaixo dos US$ 68 em 2025 e dos US$ 62 em 2027”, conclui o BofA.

Por Matheus Andrade

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