Influência geopolítica

Petróleo fecha dia em queda, mas salta mais de 13% no mês frente a tensões entre EUA e Irã

Brent para abril recuou 0,39%, a US$ 69,32 o barril, com possibilidade de ação militar dos Estados Unidos contra Irã

Bombas cavalos-de-pau (pumpjacks) para exploração onshore de petróleo, com céu azul ao fundo (Foto Brigitte Werner/Pixabay)
Bombas cavalos-de-pau (pumpjacks) para exploração onshore de petróleo (Foto Brigitte Werner/Pixabay)

Os contratos futuros de petróleo fecharam a sexta-feira (30/1), em baixa, em um sessão marcada por forte volatilidade, com investidores ajustando posições após a recente valorização.

O mercado permaneceu sensível às tensões no Oriente Médio, especialmente à possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, o que ajudou a limitar perdas mais acentuadas, apesar de fatores macroeconômicos menos favoráveis.

Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 0,39% (US$ 0,27), a US$ 69,32 o barril, enquanto o petróleo WTI para março, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em queda 0,32% (US$ 0,21), a US$ 65,21 o barril.

Na semana, houve valorização de 5,22% e 6,78%, respectivamente. No mês, os preços saltaram 13,9% e 13,6%, nesta ordem.

Analistas do MUFG observam que movimentos de realização de lucros ganharam força ao longo da sessão, impondo pressão sobre os contratos.

Segundo o banco, o fortalecimento do dólar e a migração pontual para ativos de menor risco contribuíram para o ajuste, embora o risco de um confronto mais direto no Oriente Médio siga oferecendo suporte aos preços no curto prazo, superando as preocupações com uma oferta global relativamente confortável.

Na mesma linha, o chefe de Análise Geopolítica da Rystad Energy, Jorge Leon, afirma que o mercado vem reprecificando rapidamente o risco geopolítico, diante da crescente percepção de que uma ação militar americana contra o Irã deixou de ser um cenário distante.

Para o analista, o tom mais duro do presidente Donald Trump e o histórico recente do governo em cumprir ameaças militares mantêm os agentes em alerta, mesmo em sessões de correção.

Já a Gelber & Associates avalia que o recuo reflete um ajuste técnico após o movimento recente de alta, com parte dos investidores reduzindo posições em meio à elevada volatilidade.

A consultoria destaca que o volume permanece elevado, sugerindo redistribuição de posições, enquanto o mercado testa se consegue se estabilizar nos níveis atuais ou se haverá espaço para novas rodadas de realização de lucros.

Na sessão desta sexta (30/1), investidores também ponderaram a escolha do ex-diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Kevin Warsh para a presidência do BC americano.

Visto como “mais seguro” entre os candidatos para substituir Jerome Powell, segundo a Capital Economics, a nomeação e números de inflação ao produtor dos EUA deram impulso adicional ao dólar, em detrimento de commodities.

Por Pedro Lima, com informações da Dow Jones Newswires

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