A Petrobras tem “processos bem avançados” para ampliar a sua presença na exploração de óleo e gás na costa africana, via leilão ou compra de participação em ativos, disse nesta quarta-feira (8/4) a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos.
Dentre os países que despertam o interesse da companhia, Anjos citou São Tomé e Príncipe, Namíbia, Gana, Costa do Marfim e África do Sul.
Fora da África, ela afirmou que a Petrobras monitorou oportunidades na Índia, mas que, a princípio, não se mostraram atrativas para o portfólio da empresa.
“O que a gente acha é que, para um país muito distante, a gente precisa ter grandes acumulações. A gente viu que tem potencial, sim, mas para a gente investir muito para tirar essas diferenças todas, teriam que ser grandes acumulações. E nós não mapeamos dessa forma ainda”
“De qualquer forma, a nossa semelhança aqui com as nossas bacias da costa africana sempre tem se mostrado mais atrativa”, disse a executiva, a jornalistas, durante participação na Latam Energy Week 2026, no Rio de Janeiro.
Petrobras está de volta à Namíbia
Em fevereiro, a Petrobras anunciou a aquisição de uma fatia de 42,5% do bloco 2613, localizado no offshore da Namíbia.
A transação marca o retorno da estatal brasileira ao país africano, que concentra uma das atividades exploratórias mais aquecidas da indústria de óleo e gás no mundo e que possui uma evolução geológica similar à da costa sul-americana.
O sucesso exploratório na Namíbia, aliás, foi um dos fatores que motivaram a Petrobras a retomar o interesse na exploração da Bacia de Pelotas, no Sul do Brasil.
A volta à Namíbia é parte de um movimento de reposicionamento da Petrobras no exterior, dentro de uma estratégia de diversificação de portfólio.
Desde 2023, a companhia fez aquisições em São Tomé e Príncipe e África do Sul, numa retomada dos investimentos da estatal brasileira no continente africano, de onde a empresa saiu em 2020 ao vender a PetroÁfrica por US$ 1,45 bilhão.
Na época, a Petrobras encerrou um ciclo de quatro décadas no continente, período no qual a petroleira brasileira passou por dez países africanos diferentes, na maioria deles sem sucesso.
Quando sacramentou o desinvestimento, a Petrobras produzia, na Nigéria, cerca de 35 mil barris diários de petróleo — menos do que a companhia produz, em alguns casos, num só poço do pré-sal.
Um histórico da Petrobras na África
O primeiro destino da Petrobras na África foi Angola, em 1979, ainda durante o regime militar, num contexto de uma década marcada pela independência do país africano e pelo segundo choque do petróleo — o que estimulou as petroleiras a buscarem a diversificação de reservas.
A segunda investida na África só ocorreu duas décadas depois, em 1998, já no governo FHC, quando a petroleira brasileira entrou na Nigéria — justamente onde a empresa teve o seu maior sucesso no continente.
A internacionalização da Petrobras, na década de 1990, se deu num contexto bem diferente do atual: a companhia ainda não havia descoberto os grandes recursos do pré-sal e, sem expectativas de contar com suficientes reservas de óleo e gás no Brasil, se lançou rumo à África e Bolívia, por exemplo.
Foi com Lula (PT), nos anos 2000, e no início do governo de Dilma Rousseff (PT), contudo, que a presença da Petrobras na África se acentuou, acompanhando os passos da política externa, sobretudo de Lula — que diversificou as relações internacionais do Brasil e pregava a cooperação Sul-Sul.
Entre 2004 e 2011, a companhia entrou na atividade de exploração de óleo e gás na Tanzânia, Líbia, Moçambique, Guiné Equatorial, Senegal, Namíbia, Gabão e Benin. A empresa, no entanto, jamais produziu nos demais países.
Com o pré-sal no centro de sua estratégia, a Petrobras foi aos poucos tirando a África de seu radar. Foi nesse contexto que, em 2013, a Petrobras formou uma joint venture com o BTG, para investir, junto com um parceiro, e não mais sozinha, na Nigéria. A operação foi, inclusive, objeto das investigações da Lava-Jato.
Não foi só a presença na África que foi revista pela Petrobras desde a crise pela qual a companhia passou a partir de meados da última década. Desde 2015, a estatal saiu de países como Chile, Paraguai, Uruguai e Japão.
