A Petrobras anunciou, nesta sexta-feira (6/2), a aquisição de uma fatia de 42,5% do bloco 2613, localizado no offshore da Namíbia.
A transação marca o retorno da estatal brasileira ao país africano, que concentra uma das atividades exploratórias mais aquecidas da indústria de óleo e gás no mundo e que possui uma evolução geológica similar à da costa sul-americana.
O sucesso exploratório na Namíbia, aliás, foi um dos fatores que motivaram a Petrobras a retomar o interesse na exploração da Bacia de Pelotas, no Sul do Brasil.
“Temos bastante conhecimento geológico da região, em grande parte análoga às nossas bacias sedimentares. Olhamos com atenção a costa oeste Africana e as boas oportunidades na África. Foi assim em São Tomé e Príncipe, África do Sul e, agora, Namíbia”, afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em nota.
Petrobras será parceira da TotalEnergies
A volta à Namíbia se dá em parceria com a TotalEnergies, que também adquiriu 42,5% e será a operadora do bloco.
A petroleira francesa é um dos players mais ativos na exploração de óleo e gás na Namíbia.
Petrobras e TotalEnergies compraram fatias da Eight Offshore Investment, que manteve 5% no bloco, e da Maravilla Oil & Gas, que encerra a participação no ativo.
A Namcor Exploration and Production (PTY), empresa estatal da Namíbia, detém os demais 10% do bloco, localizado na Bacia de Lüderitz e que cobre uma área de cerca de 11 mil km² na costa da Namíbia.
“Temos avaliado com muito cuidado áreas que têm mostrado boas perspectivas, tanto no Brasil como em outras partes do do mundo. A atuação com parceiros nesse novo bloco marca a volta da Petrobras à Namíbia e será muito importante dentro da estratégia de busca de novas fronteiras pela companhia”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em nota.
A conclusão da transação ainda depende de aprovações governamentais e regulatórias aplicáveis.
Petrobras retoma presença na África
A volta à Namíbia é parte de um movimento de reposicionamento da Petrobras no exterior, dentro de uma estratégia de diversificação de portfólio.
Desde 2023, a companhia fez aquisições em São Tomé e Príncipe e África do Sul, numa retomada dos investimentos da estatal brasileira no continente africano, de onde a empresa saiu em 2020 ao vender a PetroÁfrica por US$ 1,45 bilhão.
Na época, a Petrobras encerrou um ciclo de quatro décadas no continente, período no qual a petroleira brasileira passou por dez países africanos diferentes, na maioria deles sem sucesso.
Quando sacramentou o desinvestimento, a Petrobras produzia, na Nigéria, cerca de 35 mil barris diários de petróleo – menos do que a companhia produz, em alguns casos, num só poço do pré-sal.
Um histórico da Petrobras na África
O primeiro destino da Petrobras na África foi Angola, em 1979, ainda durante o regime militar, num contexto de uma década marcada pela independência do país africano e pelo segundo choque do petróleo – o que estimulou as petroleiras a buscarem a diversificação de reservas.
A segunda investida na África só ocorreu duas décadas depois, em 1998, já no governo FHC, quando a petroleira brasileira entrou na Nigéria – justamente onde a empresa teve o seu maior sucesso no continente.
A internacionalização da Petrobras, na década de 1990, se deu num contexto bem diferente do atual: a companhia ainda não havia descoberto os grandes recursos do pré-sal e, sem expectativas de contar com suficientes reservas de óleo e gás no Brasil, se lançou rumo à África e Bolívia, por exemplo.
Foi com Lula, nos anos 2000, e no início do governo de Dilma Rousseff, contudo, que a presença da Petrobras na África se acentuou, acompanhando os passos da política externa, sobretudo de Lula – que diversificou as relações internacionais do Brasil e pregava a cooperação Sul-Sul.
Entre 2004 e 2011, a companhia entrou na atividade de exploração de óleo e gás na Tanzânia, Líbia, Moçambique, Guiné Equatorial, Senegal, Namíbia, Gabão e Benin. A empresa, no entanto, jamais produziu nos demais países.
Com o pré-sal no centro de sua estratégia, a Petrobras foi aos poucos tirando a África de seu radar. Foi nesse contexto que, em 2013, a Petrobras formou uma joint venture com o BTG, para investir, junto com um parceiro, e não mais sozinha, na Nigéria. A operação foi, inclusive, objeto das investigações da Lava-Jato.
Não foi só a presença na África que foi revista pela Petrobras desde a crise pela qual a companhia passou a partir de meados da última década. Desde 2015, a estatal saiu de países como Chile, Paraguai, Uruguai e Japão.
