Renovação de frota

Petrobras vai verticalizar operação de abastecimento de navios

Declaração foi dada durante evento de assunatura de contrato de navios, barcaças e empurradores, no Rio Grande do Sul

Cerimônia de Assinatura de Contratos para Construção de Navios Gaseiros, Empurradores e Barcaças. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Cerimônia de Assinatura de Contratos para Construção de Navios Gaseiros, Empurradores e Barcaças. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Os contratos assinados pela Petrobras e Transpetro nesta terça-feira (20/1) para a aquisição 18 barcaças e 18 empurradores vão viabilizar a verticalização da operação de bunkering — o fornecimento de combustível para embarcações. Com as novas unidades, a subsidiária vai estrear no transporte interior de combustíveis.

Ao todo, Petrobras e Transpetro assinaram contratos no valor de R$ 2,8 bilhões, em evento com o presidente Lula, em Rio Grande (RS).

Dois estaleiros nacionais saíram vencedores das concorrências, totalizando R$ 620,6 milhões. O Bertolini Construção Naval da Amazônia, de Manaus (AM), será responsável pela construção das 18 barcaças. E o Indústria Naval Catarinense, em Navegantes (SC), construirá os 18 empurradores.

As entregas começam, respectivamente, em três meses e dez meses após o início das obras. Serão dez barcaças de 3 mil toneladas de porte bruto (TPB) e outros oito, de duas mil toneladas.

Com a isso, a Transpetro terá uma frota própria para navegação fluvial, hoje terceirizada. O investimento “consolida a companhia como uma das principais operadoras de transporte de derivados de petróleo e de biocombustíveis no modal fluvial”, diz a Petrobras.

A frota vai atuar no abastecimento de navios em polos estratégicos como Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS).

Frota própria para transporte de gás de cozinha

No mesmo evento, em Rio Grande (RS), Petrobras assinou os contratos para construção de cinco gaseiros para transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e derivados, com o estaleiro de mesmo nome na cidade gaúcha, do grupo Ecovix.

Serão investidos R$ 2,2 bilhões para a construção de três gaseiros com capacidade de 7 mil m³ e dois, com 14 mil m³. Com isso, a frota próprio do tipo vai subir de seis para 14, triplicando a capacidade de transporte do gás de cozinha.

“As encomendas consideram o aumento da produção de gás natural no país e atendem às necessidades da Petrobras, tanto na costa brasileira quanto na navegação fluvial, como já ocorre na Região Norte e na Lagoa dos Patos (RS)”.

Em fevereiro de 2025, a Transpetro contratou o consórcio formado pelos estaleiros Ecovix, de Rio Grande (RS), e Mac Laren, de Niterói (RJ), para a aquisição de quatro navios da classe Handy, com valor de US$ 69,5 milhões por embarcação.

Fortalecimento da Transpetro

“Sem a política de conteúdo local, os recursos do Fundo da Marinha Mercante e os mecanismos como a de depreciação acelerada, não seria possível estarmos aqui assinando esses contratos”, disse o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

O evento em Rio Grande contou com a presença de Lula, do ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, além da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e autoridades locais, como o governador Eduardo Leite (PSD), opositor do governo.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), cumpre agenda oficial na China até domingo (25/1), após passagem pela Arábia Saudita.

A retomada da construção de navios no Brasil é uma promessa de campanha do presidente Lula. “Nos espanta muito que, mesmo com todo esse potencial, a Petrobras ficou 10 anos sem encomendar um único navio no Brasil”, disse Magda Chambriard.

Ela pontuou que, em investidas recentes da companhia, há encomendas em estaleiros no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e, em breve, na Bahia e no Amazonas.

Depois da Foz, Pelotas

Em seu discurso, Lula afirmou que a Petrobras, cada vez mais, está se tornando uma empresa de energia — e não apenas petroleira. Defensor da exploração e óleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas, litoral do Amapá, o presidente manifestou desejo de que a companhia produza na Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

“Estejam certos de uma coisa: eu ainda vou voltar nessa cidade. Eu estou torcendo para que a Petrobras encontre petróleo em Pelotas”, enfatizou.

Lula também citou a ampliação de programas sociais no seu terceiro mandato, como a isenção da tarifa de energia para famílias de baixa renda que consomem até 80 KW/h no mês e a distribuição de botijões, uma atualização do programa auxílio gás que ampliou o número de beneficiados e substituiu o pagamento em dinheiro pelo direito de retirada do botijão em revendas credenciadas.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD/RS), afirmou que “há um profundo desequilíbrio federativo que precisa ser corrigido”. Ele citou que a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) oferece 75% de redução de imposto de renda para investimentos nas áreas onde atua.

“No Sul, nós não temos isso, é uma distorção histórica que em outros momentos fez com que montadoras saíssem do estado e fossem para outras regiões por conta de incentivos federais que desequilibra esse jogo. Aqui nós não temos Fundo Constitucional, como é dirigido para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Não temos nenhum abatimento de IPI para veículos, como também é conferido nessas regiões”, reclamou.

Leite pediu a Lula que providencie ferramentas de incentivo para regiões do estado que têm indicadores socioeconômicos comparáveis a regiões com menor desenvolvimento do país e citou que 10% da receita do estado vai para o pagamento de dívidas com a União, apesar do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

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