A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos no último sábado (3/1) pode deixar a China mais reticente em fazer negócios na América Latina, afirmou, nesta segunda-feira (5/1), o sócio-fundador da Dharma Political Risk and Strategy, Creomar de Souza, em entrevista ao estúdio eixos.
Confira a entrevista na íntegra.
Segundo Souza, a China foi prejudicada pela ação dos EUA, uma vez que o país asiático importava petróleo venezuelano barato.
“Os chineses vão ter que buscar outros lugares. E aí tem um dilema, que esses lugares vão se tornando mais complexos à medida que a competição entre Estados Unidos e China se torne mais exacerbada do ponto de vista comercial e econômico”, disse.
O especialista afirmou que os EUA têm um controle do Ocidente que impõe limites à atuação das empresas chinesas.
“Há casos e casos. Se a leitura estratégica dos Estados Unidos é muito pragmática, gera um alerta, uma red flag, os americanos vão lá, pressionam e forçam uma mudança de contrato”, disse.
Nesse contexto, o Brasil, que conta com forte presença de empresas chinesas, é visto com um comprometimento “muito profundo” com o país asiático, o que pode irritar os EUA.
Impacto da geopolítica nos negócios
Souza considera que a mudança na geopolítica impacta como os negócios são pensados.
Caso a regulação de energia brasileira afete o interesse geoestratégico dos EUA, os elementos regulatórios podem ser colocados em condição de vulnerabilidade, como o papel do Estado, os critérios de posse de recursos naturais e de concorrência.
“Cada vez mais elementos de geopolítica, de risco político e de variação decisória tendem a ser parte inescapável de qualquer reflexão em qualquer que seja o campo econômico, e quando a gente fala de petróleo, energia em específico, isso é elevado à enésima potência”, afirmou.
Outros pontos tratados por Creomar de Souza
- O sequestro de Nicolás Maduro levou a uma quebra de paradigma da forma como são pensadas as relações internacionais do Ocidente;
- Plano de Trump tem foco na segurança do Ocidente;
- Prioridade dos EUA é garantir segurança energética e econômica ao país;
- Maduro nunca foi o dono do poder na Venezuela.