Petróleo

Brasil tem oportunidade de atrair investimentos com mudanças geradas por conflitos, diz CEO da Shell Brasil

Questões geopolíticas devem redirecionar fluxos de investimento no mundo, segundo Cristiano Pinto da Costa

Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell, em entrevista ao estúdio eixos durante a ROG.e no Rio, em 25/9/2024 (Foto Vitor Curi/eixos)
Presidente da Shell, Cristiano Pinto da Costa, diz que Combustível do Futuro vai ajudar a converter demanda, durante entrevista ao estúdio eixos na ROG.e 2024 (Foto Vitor Curi/eixos)

O Brasil e a América Latina têm uma “oportunidade enorme” de atrair os investimentos do setor de petróleo que serão redirecionados devido ao conflito no Oriente Médio, segundo o CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa.

Para o executivo, é plausível que a alocação de capital global na indústria sofra alterações, o que deve criar oportunidades para regiões mais distantes da guerra. 

Ele lembrou que o Brasil demonstrou estabilidade institucional e segurança operacional e ambiental na produção de petróleo. Mas ressalvou que eventuais oportunidades tendem a se materializar em longo prazo, caso o preço do petróleo siga em patamares elevados.

“A nossa indústria não toma decisões de investimento em projetos de bilhões de dólares baseada na flutuação do preço do petróleo de uma semana para outra, de um mês para o outro. A gente tende a olhar o fundamento de médio a longo prazo”, disse em entrevista a jornalistas na manhã de terça (3/3) no Rio de Janeiro. 

Ele minimizou o impacto das eleições presidenciais deste ano nas decisões de investimento no país.

“A nossa maior preocupação hoje, do ponto de vista do investimento no Brasil, é a estabilidade fiscal e regulatória e a celeridade do processo de licenciamento ambiental”, disse. 

Impactos mais imediatos da guerra

Além da expectativa de um preço mais alto para o barril de petróleo nas próximas semanas, o CEO afirmou que ainda é cedo para estimar os desdobramentos num horizonte mais próximo.

Em relação às oportunidades para ampliar exportações no curto prazo, Pinto da Costa reconheceu que o Brasil é visto como uma fonte segura de suprimento fora da rota de conflito. 

Lembrou, no entanto, que a capacidade do país de aumentar a produção rapidamente é limitada. 

Além disso, outro impacto que já vem sendo sentido pelas petroleiras é o custo do frete, que subiu “substancialmente”.  Segundo ele, não houve impactos até o momento nas cargas da Shell Brasil. 

E&P

A petroleira segue com a estratégia de ampliar as operações ao sul da Bacia de Santos, onde avalia perfurar um novo poço exploratório nos próximos 12 a 24 meses. 

A decisão depende do resultado de uma sísmica, que está em análise. 

Pinto da Costa lembrou que a companhia vem aumentando os investimentos exploratórios no Brasil, saindo de uma carteira de cerca de 15 blocos em 2021 para 50 áreas hoje, além de ter perfurado dois poços pioneiros nos últimos dois anos. 

“E, obviamente, a gente está atento a todos os leilões da ANP, com times estudando e, eventualmente, podendo participar, com apetite para continuar crescendo”, disse. 

De olho no longo prazo, a Shell tem participação em 29 blocos na Bacia de Pelotas, operados pela Petrobras. Pinto da Costa reconheceu, no entanto, que a região tem um horizonte mais longo, com decisões mais para o final da década.  

Ao todo, a Shell bateu recorde de investimentos no Brasil em 2025 com R$ 12,5 bilhões de reais, um reflexo da decisão final de investimento no campo de Orca (Gato do Mato), no pré-sal da Bacia de Santos, além dos projetos para ampliar a produção nos campos de Tupi e Lapa.

Como comparação, historicamente a companhia investiu em média entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bi (R$ 5,29 -7,94 bilhões) por ano no país. 

Pinto da Costa disse os patamares de investimento devem seguir elevados, tendo em vista sobretudo o desenvolvimento do campo de Orca, com o início da produção previsto para 2029. 

A plataforma que vai produzir na região está em construção de forma modular em estaleiros no Japão e na China, com previsão de atingir o pico nas obras nos próximos três meses. O FPSO foi projetado para produzir até 120 mil barris/dia de petróleo.

Enquanto isso, está em curso o processo de licenciamento para a perfuração dos poços produtores, prevista para 2027. 

Em fevereiro, a Shell anunciou a entrada de um novo parceiro no projeto, a Kufpec, petroleira do Kwait. As companhias avaliam novos investimentos conjuntos no Brasil. 

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