Transição ordenada

Alemanha, China, EUA e Canadá poderiam ser os primeiros a abandonar fósseis, diz estudo do IBP

Brasil integra grupo intermediário de países com capacidade institucional e social para avançar na transição

Alemanha, China, EUA e Canadá poderiam ser os primeiros a abandonar fósseis, diz estudo do IBP

RIO — Um estudo apresentado oficialmente na quarta (2/4) pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), em parceria com a consultoria Catavento, aponta que Alemanha, China, Estados Unidos e Canadá estão em melhor posição para liderar “a transição para longe dos combustíveis fósseis”, conforme compromisso da COP28.

O documento, que também conta com parceria do Instituto Clima e Sociedade (iCS), vai integrar a mensagem do IBP à 30ª Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP30), prevista para novembro de 2025 em Belém (PA).

O instituto vai defender a continuidade da exploração e produção de óleo no Brasil.

“Queremos mostrar que também somos parte da solução para atingir as metas de redução de emissões e discutir com todos os atores públicos e privados a melhor forma de conduzir o processo de transição”, comenta Roberto Ardenghy, presidente do IBP.

Líderes, em movimento e em adaptação

A análise, com detalhes antecipados pela eixos, avaliou onze países de sete regiões diferentes e considerou cinco critérios: relevância do setor de óleo e gás (O&G) para a economia, competitividade da produção de O&G, segurança energética e preparo para a transição, perfil de emissões e resiliência institucional e social.

Com base nesses fatores, os países foram agrupados em três categorias: front-runners (líderes), movers (em movimento) e adapters (em adaptação).

O primeiro grupo inclui Alemanha, China, Estados Unidos e Canadá, que segundo o estudo, seriam países com economias diversificadas, altos índices de desenvolvimento humano, e capacidade financeira para investimentos na transição. 

“São países com menor dependência econômica e energética de O&G, juntamente com maior prontidão para permitir a transição para sistemas de energia descarbonizados (…) Para esses países, os riscos associados à transição são menos pronunciados, enquanto as oportunidades são mais tangíveis, posicionando-os para liderar a transição para longe de O&G”, pontua o documento. 

Em seguida, vêm os movers, que inclui Brasil, Rússia, Noruega e Emirados Árabes Unidos, países  que possuem um papel significativo na indústria de O&G, mas estão investindo em energia limpa e possuem capacidades institucionais e sociais para avançar na transição.

Por fim, o grupo dos adapters, composto por Índia, Arábia Saudita e Nigéria, enfrenta desafios significativos devido à alta dependência dos combustíveis fósseis e às dificuldades econômicas e institucionais para viabilizar a transição.

Impacto socioeconômico do óleo e gás 

De acordo com o estudo, entre 2018 e 2022 cerca de 50% das receitas do óleo e gás (US$ 8,5 trilhões) foram destinadas aos governos, principalmente em forma de impostos.

A indústria também é apontada como uma grande empregadora. Só em 2023, o emprego no fornecimento de O&G alcançou 12,4 milhões de pessoas (18% do setor de energia), sendo 8,2 milhões em petróleo e 4,2 milhões em gás natural. 

Ao passo que no suprimento energético, o setor de óleo e gás respondeu por 51% da matriz energética global e cerca de 60% da geração global de eletricidade. 

Esses fatores são usados pelo estudo para defender que “a transição precisa ser feita de forma justa, ordenada e equitativa”, sem causar desequilíbrios entre oferta e demanda de combustíveis fósseis, o que levaria a uma “desestabilização dos mercados energéticos”.

“A redução da oferta e demanda de O&G deve ocorrer de forma sincronizada para garantir a segurança energética e evitar disrupções econômicas que podem levar à perda de apoio social à transição”, afirmou Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento, durante lançamento do documento. 

“Ao mesmo tempo, a inação climática impõe um custo mais alto do que qualquer caminho de transição energética. Logo, não há uma fila de espera, todos os países devem agir, mas respeitando suas realidades”, completou.

Urgência na transição

O levantamento destaca a urgência da transição energética, evidenciada pelo aumento da frequência, intensidade e imprevisibilidade de eventos climáticos extremos

Entre 2010 e 2019, desastres naturais relacionados ao clima resultaram em perdas econômicas globais de mais de US$ 1,4 trilhão. Somente em 2023, essas perdas superaram US$ 280 bilhões, com 60% desses prejuízos não segurados. 

A queima de combustíveis fósseis é um dos principais responsáveis pelo aquecimento global, com as emissões de gases de efeito estufa crescendo mais de 51% entre 1990 e 2023.

“Se os níveis atuais de emissão forem mantidos, o orçamento de carbono necessário para limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C se esgotará em apenas cinco anos”, alerta o estudo.

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